terça-feira, 20 de outubro de 2009

(Ab)usos linguísticos

Existem expressões que, em qualquer língua, são usadas a torto e a direito e que ajudam muitas vezes os seus amantes a ligar um discurso (in)coerente. Nestes casos, estas expressões já não são usadas como simples expressões em si, mas antes como sinais de pontuação.

Em Português, destaco as expressões "tipo" e "é assim" que desempenham papeis similares aos dos conectores habitualmente utilizados na língua Portuguesa.

O mais engraçado é que estas duas "expressões" são também utilizadas sem nexo nenhum na língua Francesa. Assim, o nosso "tipo" tem como equivalente a palavra "genre", que é usada da mesma forma que o equivalente Português.

Por sua vez, a expressão "é assim" é usada incorrectamente em Francês, via uma tradução literal de alguns luso-descendentes que misturam tudo. O resultado é "c'est comme ça" que está gramaticalmente correcto mas incorrecto no seu uso.

Para além destas expressões, a língua Francesa tem outras que são usadas descaradamente e que, por ser tantas vezes usadas, irritam os ouvidos de quem gosta e de quem sabe usar este idioma correctamente.

Destaco aqui a expressão "à ce niveau là" que é (ab)usada por uma colega de trabalho que assimilou perfeitamente a expressão em si, mas não o seu uso. Assim, tal como no caso do "tipo" português, esta expressão serve de pontuação.

Mas não podia deixar de salientar o surgimento da expressão "à partir de là" que deu à luz graças aos futebolistas da selecção Francesa de futebol que, depois de descobrirem o que era falar à comunicação social, tiveram de encontrar um mecanismo linguístico para articular os seus diferentes discursos perante a Nação (só depois disso aprenderam a cantar o hino).

Pensam que sou um linguístico-maníaco? Nada disso... Este facto saltou à vista de muita gente. Até teve direito a um livro chamado... "A Partir de Là" inserido na colecção "Les Cahiers du Sport". Este livro diverte-se a enumerar os diferentes pontapés que deram os futebolistas na língua de Molière.

Eis o que os autores dizem da expressão "à partir de là":
"Expression-clé servant à enfoncer des portes ouvertes, indispensable au langage footballistique : sans elle, les joueurs ne parviendraient pas à aligner deux phrases de suite."
Exemplo:
« Oui je crois que bon, il faut remettre le contexte à sa place. À partir de là, on prend les matches les uns après les autres » (Laurent Blanc, actual treinador do Bordéus)."

Era apenas um devaneio socio-gramatical :-)

Há Quem lhe Chame Destino...

No passado dia 31 de Maio, data tristemente conhecida, Johanna e Kurt Ganthaler acompanhados pelos seus dois filhos, chegaram atrasados ao aeroporto do Rio de Janeiro onde queriam embarcar no voo AF 447 da Air France. Poucas horas depois, o Airbus desaparece dos radares e todos conhecemos o fim da história. Este atraso salvou-lhes a vida.

O casal decidiu então comprar um bilhete de avião para Munique e, desta cidade, seguiriam para Itália. Ao chegar à Alemanha, descobriram o que tinha ocorrido e, como era de esperar, ficaram abalados.

Talvez seja por esta razão que decidiram continuar a viagem de carro ao alugar dois automóveis. É nesta viagem de regresso a casa, ao atravessar a Áustria, que o casal teve um acidente que provocou a morte imediata de Johanna (64 anos) enquanto que Kurt (67 anos) ficou gravemente ferido e encontra-se, neste momento, em estado crítico.

Uma história trágica de um casal que possuía um comércio de electrodomésticos no norte de Itália e que, depois de se reformar, decidiu passar um mês de férias na América do Sul.

A hipótese mais provável é que o condutor tenha adormecido ao volante, já que decidiram não dormir na Alemanha e seguir directamente para casa.

Google Earth aliado dos Ladrões

Título surpreendente, não é? Mas é verdade, o famoso programa do Google é usado pelos ladrões para cometer actos delituosos. Como? Muito simples, e vou usar um exemplo que ocorreu na Rússia para explicar.

Direcção Barvikha, um bairro chic de Moscovo onde o desporto local é construir mansões cada vez mais luxuosas e ter piscinas de dimensões olímpicas. Engraçado quando a imagem que temos dos magnatas russos é a de passar mais tempo em iates ou em casas de meninas. Nunca imaginei aqueles barrigudos conseguirem nadar de uma ponta à outra de uma piscina olímpica...

Acontece que as imagens destas mansões estão disponíveis no Google Earth, logo este programa possibilita aos ladrões de fazerem um reconhecimento prévio do terreno sem dar nas vistas graças às imagens satélite (tipo USA no Irak, mas desta vez em versão cirílica regada com Vodka). Assim, nas noites dos dias 21 e 22 de Maio, três homens equipados de óculos com visão nocturna introduziram-se na "casinha" de um deputado Russo onde roubaram jóias e 5000 euros.

Mas esta situação não ocorre apenas na Rússia. Mais perto de nós, em Inglaterra, este modus operandi também foi usado mas, desta vez, para roubar telhas de chumbo (meu Deus, quem rouba telhas de chumbo!?).

Estas situações preocupam bastante a opinião pública, nomeadamente na Alemanha e em Inglaterra por causa da função "Street View" do Google Earth que permite reconstruir uma cidade em 3D. Para conseguir criar estas réplicas virtuais, a Google mandou equipas no terreno para criar esta cartografia. virtual Ora, estas equipas nem sempre foram recebidas da melhor forma por parte dos habitantes de algumas localidades Inglesas e Alemãs. Estes consideram que a função "Street View" vai fazer com que a taxa de criminalidade dispare.

Neste contexto, algumas cidades em Inglaterra, no Japão e nos Estados-Unidos pediram para serem retiradas do "Street View". A União Europeia, por sua vez, pediu à Google para esconder as caras que foram fotografadas e as matriculas dos carros.

Enfim, já não instalo este ano uma piscina em casa, nem mesmo o campo polidesportivo que tanto desejava...

AC/DC – Black Ice Tour 2009 – Brutal!

Este post é só para dizer algo que toda a gente já sabe. Fui ao concerto dos AC/DC, em Lisboa, e adorei. Ainda tenho imagens e ritmos na minha cabeça… Também tenho uma ligeira dor no tornozelo direito mas que se lixe lol

Os lisboetas dizem que o concerto foi “memorável”. O pessoal do Norte ficou sem palavras… Isto é raro em mim!

Enfim, vão umas fotos para ilustrar este grande momento.

For Those About to Rock, We Salute You!

A Festa da Taça

A final da Taça de Portugal é sempre um grande momento a nível futebolístico mas não percebia o porquê de suscitar tanta paixão por parte dos adeptos que se deslocam dos quatro cantos de Portugal  para assistir ao último jogo da época. Este ano, o estádio do Jamor recebeu as equipas do FC Porto e do Paços de Ferreira e, pela primeira vez, assisti à final desta competição mítica.

Assim, percebi que este jogo é um OVNI no meio da indústria do futebol. Estamos tão habituados a ouvir falar em transferências milionárias, de ordenados extraordinários, de estádios enormes, de contratos de patrocinadores e por ai fora, que nos esquecemos que o futebol é um desporto popular e que proporciona grandes momentos de felicidade, e de convívio. Resumindo: humanidade.

Ontem, assisti a uma peregrinação até à capital, ao estádio do Jamor, por parte de adeptos que ansiavam por uma vitória inédita, ou para acrescentar mais uma linha a um invejável palmarés. Descobri um estádio inserido num parque florestal, demasiado velho para receber provas de futebol profissional, fugindo aos patamares de qualidade que conhecemos nos novos estádios. Por fim, e apesar da longa viagem de Braga até Lisboa e das péssimas condições a nível futebolístico, vivi um grande momento de festa.

E o que é esta festa? Algo simples e tipicamente Português. Só mesmo nós para preparar um excursão de autocarro, com a bagageira cheia de geladeiras, repletas de cerveja, vinho, sumos e comida diversa em quantidades astronómicas. Tudo para não passar fome... São homens e mulheres, pequenos e graúdos, vestidos com as cores das suas equipas favoritas, alguns com concertinas, outros com tambores, e todos a transpirar boa disposição. São fotos que se tiram com o adepto adversário do dia, são cachecóis no ar, são cânticos e risos que soam em todo o pinhal.

O ponto negativo deste dia, foi o jogo em si que foi pobre, quase aborrecido. Para ser honesto, já vi jogos do Maria da Fonte mais animados do que este. Fiquei também desiludido com os adeptos do Porto. Para além dos cânticos anti-benfiquistas que penso não ter lugar num jogo que não tem nada a ver com a equipa encarnada, fiquei surpreendido pela fraqueza do volume sonoro destes adeptos que dizem ser os melhores. Sem ofensa para quem ler isto e for adepto do Porto, mas vocês têm ainda bastante caminho pela frente...

É certo que o velho estádio do Jamor não tem condições para um grande jogo de futebol e, antes de conhecer o sítio, eu era um grande defensor da ideia de que a final da Taça de Portugal devia ser jogada noutro estádio. Mas, para ser sincero, depois do que vi e depois do que senti no espaço de um dia, já não concordo com esta ideia.

Foi um dia memorável pelo convívio oferecido que me permitiu reconciliar-me com este desporto que tanto gosto e que, ultimamente, me tem desiludido. Recomendo esta experiência a todos.

Abraço

PS: Fiquei a saber que o Maria da Fonte (III divisão) tem mais sócios que o Paços de Ferreira (Primeira Liga). O Maria é grande!!

A história de Mowgli... Remake urbano do Livro da Selva

Notícia RTP: « Agentes da protecção da infância descobriram em Chita (Sibéria oriental) uma menina de cinco anos que foi "criada por vários cães e gatos" e "só fala a linguagem dos animais", anunciou hoje a polícia local. »

Quem ler este título deve provavelmente imaginar uma jovem rapariga criada na rua, entre os cães e os gatos. Seria algo dificilmente imaginável, mas tratando-se da Sibéria, nunca se sabe... Mas afinal é pior do que isso. Trata-se de uma miúda de 5 anos, chamada Natacha, que foi criada pelos pais, num apartamento povoado por cães e gatos.

Como consequência, esta criança não sabe falar apesar de parecer entender Russo. Não anda de pé, mas sim gatinha, imitando os animais. Não se ri ou sorri para mostrar sinais de alegria, mas salta para cima das pessoas.

Desde que a Natacha nasceu, parece que os pais nunca se preocuparam com ela, vivendo todos num apartamento que mais se parece com um aterro sanitário do que com outra coisa. Imagens demonstram isso mesmo (jornais espalhados no chão, um quadro de uma bicicleta, um fogão todo rebentado, etc.) e deixam-nos imaginar os cheiros.

Foi neste ambiente que a Natacha cresceu, rodeada pelos animais de estimação da família, sendo estes os seus parentes mais chegados. Fora isso, a criança não mostra sinais de maus tratos e começa agora a descobrir a vida na nossa sociedade. Como era de esperar, gestos simples tornam-se complicados... Assim, a Natacha não come com talheres, mas como os animais com os quais convivia. Felizmente, a criança mostra sinais positivos de evolução.

No que diz respeito aos pais, o homem teve de pagar uma multa enquanto que a mulher foi apenas repreendida. Esta diferença de tratamento deve-se ao facto de os dois não morarem juntos.

Estas decisões de Justiça parecem ridículas tendo em conta o que aconteceu à jovem Natacha, mas o que mais me chocou nesta história foi o facto de saber que na Rússia, e desde 2003, as autoridades referenciaram cerca de 10 casos idênticos. Em Março deste ano, o Presidente Russo, Dmitri Medvedev, revelou um dado assustador: na Rússia, 760 000 crianças vivem em condições « socialmente perigosas »

Undercover Boss

Há tempos, coloquei um post intitulado "Someone's Gotta Go !" que tratava de um novo reality show produzido pela Fox e que estaria brevemente no ar nos EUA.

A Europa, mostra-se bastante relutante em comprar os direitos de retransmissão deste jogo. Em França nenhum canal mostrou-se interessado alegando todos que o “Someone’s Gotta Go!” não está adequado ao mercado hexagonal.

Porém, a filial Francesa da Endemol (criadora de Big Brother etc.) decidiu comprar os direitos de difusão do jogo “Undercover Boss” que já foi lançado no Reino-Unido, pela Channel 4. Desta vez, não se trata de despedir mas antes de infiltrar.

O conceito é simples. Um patrão ou um alto responsável duma grande empresa é “contratado”, para o cargo menos elevado da sua própria empresa (com uma falsa identidade, of course), e vai ter de trabalhar e conviver dez dias com os restantes funcionários sem ser descoberto. Ao fim deste prazo, o participante a este jogo revela finalmente quem ele é e passa a sancionar (em bem como em mal) os seus empregados.

No Reino-Unido, por exemplo, um patrão estava a trabalhar na caixa de um dos seus hipermercados. Os empregados que ele achou merecedores tiveram direito a aumentos salariais, bónus, dias de férias a mais etc.

Supostamente, o objectivo deste programa é mostrar ao patrão as coisas que correm mal na empresa para que ela as possa corrigir.

Apesar deste objectivo ser muito nobre, temos de ser realistas. Não se faz um programa de televisão para permitir a um patrão de ver o que corre mal na empresa dele. Para isso, ele tem consultantes, um director de Recursos Humanos e mais uma cambada de empregados diplomados em não sei quantos cursos para o ajudar nesta tarefa. Na realidade, o que este programa quer é ver os empregados a cortar na casaca do patrão, do chefe, ou dos restantes colegas de trabalho. Neste sentido, acredito que haverá uma câmara junto à máquina de café que, na minha opinião, é o epicentro da cusquice em meio profissional.

O conceito é estúpido mas é mais um caso que exemplifica como a televisão se adapta às nossas vidas. Em tempo de crise económica, este programa chega à hora H e parece-me ser mais adequado às nossas mentalidades do que o “Someone’s Gotta Go!”.

Enfim, se a TVI se lembrar de comprar os direitos para o nosso país, gostava ver o Presidente da Galp atestar o depósito do meu carro…assim explicava-lhe pessoalmente o que é que eu tenho achado da sua política de preços!

Conferência da ONU contra o Racismo

 O Presidente Iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não perdeu a oportunidade de atacar mais uma vez Israel na Conferência da ONU contra o racismo, em Genebra. Desta vez, caracterizou Israel como tendo agido como um "governo racista" no Médio-Oriente, após a sua criação em 1945.

"Após a Segunda Guerra Mundial, os Aliados recorreram à agressão militar para tirar terras a uma Nação, legitimando esta acção por causa do sofrimento Judeu", explicou Mahmoud Ahmadinejad. Continuou dizendo que "enviaram migrantes vindos de Europa, dos Estados-Unidos e do mundo do Holocausto para implementar um estado racista no território Palestiniano ocupado".

Como era de esperar, estas declarações chocaram grande parte da assistência e levou alguns participantes a abandonar a sala de conferência.

A seguir, diplomatas expressaram as suas opiniões acerca destas declarações. O Presidente Francês por exemplo, pediu uma "extrema severidade" por parte da União Europeia em relação a este discurso que qualificou de "apelo à violência racista".

Bem, nem sou político, nem sou historiador mas apesar de não achar certa a forma como o Presidente Iraniano falou, admito que concordo com ele em determinados aspectos.

As minhas aulas de História ensinaram-me que o Estado de Israel foi construído em 1945 após a Segunda Guerra Mundial, para dar uma terra ao povo Judeu. Naquela altura, e corrijam-me se estiver enganado, era a Grã-Bretanha que geria o território Palestiniano e por não conseguir impor ordem naquela zona, decidiu dar a autoridade às Nações Unidas para administrar este território.

As Nações Unidas criaram dois cenários. O primeiro é o que vemos hoje, ou seja, dois Estados diferentes. O segundo baseava-se na criação de um e único estado federal, com o lado Judeu e o outro Palestiniano. A maioria votou para o primeiro plano e oficializou este ponto graças à Resolução 181.

Sabemos o que aconteceu depois...

O que é certo é que a povoação deste novo Estado não foi pacífica, decorrendo uma guerra logo em 1948 entre Árabes e Judeus. Isto ninguém pode negar. Também não se pode negar que houve mortos, afinal era uma guerra... Também não se pode negar que uma parte extremista de convicção Judia não queria conviver com os Árabes, querendo expulsá-los.

A isto, creio que todos nós chamamos anti-semitismo. Porém, quando se trata dos Judeus, a comunidade Internacional tem tendência em usar termos diferentes e a ser mais tolerante.

Não vou escrever muito mais até porque sei que esta opinião pessoal pode chocar alguns. Apenas queria deixar claro que não acho apropriada a forma como o Presidente Iraniano se expressou. Acredito que seja apenas uma provocação para incitar à violência, tal como disse Nicolas Sarkozy, e não poderia caucionar isto. Porém, achava justo a comunidade internacional ter um olhar imparcial e realista em relação a tudo o que sucedeu naquela região desde a Segunda Guerra Mundial, sem ter medo de assumir as suas ideias.

Someone's gotta go!!!

A genial e brilhante "Fox" decidiu produzir um novo reality show no qual funcionários de empresas reais poderão demitir colegas de trabalho para reduzir gastos em tempos de crise.

A série cuja data de estreia ainda não foi anunciada terá o nome "Someone's gotta go". O programa foi ideia da "Fox", e o canal tem os direitos para os Estados Unidos, mas encarregou a produção à (adivinhem quem...) Endemol, a empresa holandesa que lançou o Big Brother.

Semana a semana, o patrão da empresa protagonista da série reunirá os seus empregados e irá anunciar que alguém precisa ser demitido. A seguir, fornecerá aos funcionários toda a informação disponível sobre os ordenados e as diversas avaliações com o desempenho de cada trabalhador, entre outros aspectos, e estes irão decidir quem deixará a empresa, sendo que o patrão não poderá ser demitido.

Sendo um reality show, suspeita-se que haja pormenores engraçados do tipo, uma pessoa a chibar o colega, a chamá-lo de preguiçoso, a dizer que x teve um caso com y...

Enfim, este programa é só mais um na lista das bostas áudio-visuais que tem como originalidade aproveitar a crise. Moralmente incorrecto mas so crispy...

Métro Parisien by Janol Apin

Photographe reporter de formation, Janol Apin a décidé un jour de poser un œil amusé sur le métro parisien. Un métro qui fait partie de notre quotidien, que l'on prend bien trop souvent en traînant des pieds et sur lequel le photographe nous fait porter un tout nouveau regard.

Images décalées ou jeux de mots, charades et calembours sont mis en scènes comme des instantanés.

Des photos qui donnent le sourire à voir dans la galerie...

Casos de divórcio...

Adoro casos de divórcio... Não aqueles casos em que famílias são divididas e torturadas em público mas sim aqueles casos em que surgem pormenores estranhos, divertidos, hilariantes até. Os três exemplos que seguem são perfeitamente representativos do meu pensamento...

O primeiro caso ocorreu na Alemanha, no estado da Turíngia. Uma senhora pediu e conseguiu divorciar-se do marido porque este era louco por limpezas (mais do que a Mónica na série Friends). Pelo que li nos diferentes jornais que relatavam esta notícia, o homem nunca parava de limpar sendo mesmo considerado como maníaco. A gota que fez transbordar o vaso foi quando, não conseguindo limpar uma parede em condições, este ilustre ser decidiu deitá-la abaixo e construir uma nova (o senhor era trolha).

Os segundo e terceiro casos ocorreram na Bélgica onde um dia, um senhor pediu para se divorciar alegando que a sua mulher usava cuecas quando dormia. Mais tarde, uma senhora pediu para se divorciar porque já não suportava o cheiro do marido, acusando o homem de falta de higiene.

Não sei qual foi a decisão do tribunal em relação aos dois últimos casos mas, sinceramente, já nada me surpreende...

Lista de Schindler descoberta numa biblioteca Australiana

A lista com nomes de judeus salvos do Holocausto pelo empresário alemão Oskar Schindler foi descoberta numa biblioteca de Sydney. O documento estava no meio de vários papéis do escritor Thomas Keneally, autor do romance que inspirou o filme “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg.

O documento descoberto na biblioteca do estado de Nova Gales do Sul tem 13 páginas, com os nomes de 801 judeus. O papel, amarelado e frágil, foi encontrado no momento em que os funcionários classificavam os documentos de Thomas Keneally, e estava entre algumas notas do escritor e artigos de jornais alemães, indicou a conservadora da biblioteca, Olwen Pryke.

“Esta lista foi dactilografada de urgência a 18 de Abril de 1945, nos últimos dias da II Guerra Mundial, e salvou 801 pessoas da câmara de gás”, declarou, citada pela AFP. “É um pedaço da história extremamente comovente”.

A instituição adquiriu seis caixas de notas de Keneally em 1996. Foram os apontamentos que o romancista utilizou para escrever “Schindler’s Ark”, que recebeu o prémio literário Booker em 1982, e inspirou o realizador norte-americano.

Pryke adiantou que nem a biblioteca, nem o livreiro que lhe vendeu o espólio, sabiam que este documento estava entre o material.

A BBC conta que o escritor recebeu o documento há quase 30 anos numa loja de Los Angeles por uma das pessoas salvas por Schindler: Leopold Pfefferberg, o número 173 da lista, que pediu a Keneally que escrevesse a história.

Oskar Schindler, um alemão da Checoslováquia membro do partido nazi, tentou provar ao regime que os seus 801 trabalhadores judeus eram fundamentais para o esforço de guerra. Usou a fortuna ganha com os negócios a alimentar os seus empregados e a impedir que fossem enviados para um campo de concentração, recorda a AFP.

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1373104&idCanal=11

Acerca da NATO...

A cimeira da NATO decorreu na semana passada, em França e na Alemanha, no seguimento da outra grande cimeira: a do G20 (cf. post anterior). Embora esta última me tenha despertado interesse, a cimeira da NATO passou-me totalmente ao lado, deixando-me indiferente a esta questão. Aliás, acho que se falou mais na presença do Barrack Obama na Europa e dos incidentes inerentes à cimeira do que no cerno do debate em si.

Contudo, e apesar da minha indiferença, perguntei-me o porquê de existir ainda hoje a NATO e qual é a sua função. Devo confessar que aquilo que sei desta instituição resume-se a que aprendi nas aulas de História.

Resumindo, no dia 4 de Abril de 1949, em Washington, doze nações ocidentais reuniram-se para assinar o tratado do Atlântico Norte para responder à ameaça soviética, dividindo então o globo em dois blocos distintos.

Estranhamente, e apesar da Guerra Fria, a NATO só irá intervir uma vez, em 1995, na ex-Jugoslávia, altura em que a URSS já não existe. Ora, sem esta « ameaça » soviética e com as democracias europeias terem criado a União Europeia, pergunto-me simplesmente: para que serve a NATO e para que manter activa uma estrutura que foi criada para combater um inimigo que já não existe?

Após uma rápida pesquisa, descobri que a NATO tem um papel activo na gestão e resolução das crises, como foi o caso na ex-Jugoslávia ou no Kosovo. Tem também como princípio a preservação da liberdade e da segurança dos seus países membros graças a meios políticos e militares, a protecção da Democracia e dos Direitos do Homem etc. Coisa linda não é? Mas pergunto eu: porque não delegar estas tarefas a cargo das Nações Unidas (ONU)?

E pergunto eu outra coisa. Se o papel da NATO é de proteger a Democracia e os Direitos do Homem, porque é que ela nunca actuou no conflito do Médio-Oriente, para promover o diálogo entre os povos e para evitar conflitos entre o povo Judeu (não uso a palavra Israelita de propósito) e os Palestinianos?

Pergunto-me também qual é o papel da NATO na luta contra o terrorismo, assunto muito falado desde o 11 de Setembro. Sendo este problema um assunto global, entendo como óbvio que a resposta tenha de ser global.

Assim, acredito que a NATO só pode existir se repensar a sua organização e os seus objectivos e, claro, se incluir a Rússia nos seus membros para responder aos novos desafios que o nosso mundo tem à sua frente.

Acerca da Cimeira do G20

A cimeira do G20, que decorreu esta semana Londres, suscitou esperanças e expectativas como nunca uma cimeira tinha feito porque é desta cimeira que iriam sair as respostas a todos os males que o mundo conhece neste momento.
 
No entanto, a cimeira do G20 não podia apenas limitar-se a responder a estes males e apagar um fogo cujas dimensões assustam a comunidade internacional. O que se pretendia era, em primeiro lugar, apagar este fogo e, num segundo tempo, impedir que este fogo voltasse a pegar ao propor reformas profundas.
 
Acredito que uma destas reformas teria a ver com os recursos naturais e a ecologia. Já todos nós reparámos que existe escassez de alguns recursos naturais, que falamos cada vez mais de riscos climáticos e que existe uma desigualdade de recursos nas diferentes zonas do globo. Estes problemas são verdadeiros desafios para a Humanidade e irão apenas encontrar uma resposta graças ao uso massivo de energias renováveis, à renovação do nosso parque imobiliário, ao desenvolvimento de tecnologias alternativas, à criação de produtos menos consumidores de energia e, finalmente, à banalização da reciclagem.
 
Para chegar a este ponto, será indispensável investir a nível mundial, na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação para poder aproveitar de forma eficiente o que o nosso planeta oferece sem o estragar. Infelizmente, o financiamento actual da nossa economia, baseado no aproveitamento das fraquezas dos países vizinhos, não permite (para já) esta mudança.
 
Para além disso, os máximos dirigentes teriam de reinventar o comércio mundial, assente desde os anos 90 sobre um crescimento sem limites dos mercados e uma concorrência descontrolada que teve consequências desastrosas. Por causa desta falta de autoridade, tornou-se mais rentável deslocalizar actividades industriais em países onde a mão-de-obra é mais barata, em vez de investir na automatização/robotização das tarefas. Neste preciso caso, o que a nossa sociedade mostrou foi simplesmente uma falta de inovação técnica, favorecendo a exploração do factor humano noutro país que é, como é óbvio, mais rentável mas que trouxe consequências sociais negativas como o trabalho de crianças, por exemplo. A nível económico, a empresa “colonizadora” lucrou imenso mas o país “colonizado” não lucrou o suficiente para se tornar num país Rico e dinamizar a sua própria economia.
 
Não sou nenhum Keynes ou qualquer outro grande economista. O que acabo de dizer é apenas a opinião de um cidadão que observa com alguma atenção o que se passa. Assim, parece-me adquirido que todos já perceberam que o nosso sistema económico atingiu o seu limite. A questão que devia ter sido levantada neste G20 era saber como podemos passar do sistema actual para um novo. Infelizmente, não podemos simplesmente pôr as contas a 0 e começar de novo. De imediato, não me parece que exista um país com uma política económica que permita financiar tal (r)evolução. E nem que este país existisse, o problema com o qual deparámos não pode ser resolvido de forma isolada.
 
Apesar disso tudo, a “crise” acabou por trazer algo positivo, abrindo os olhos aos Estados-Unidos e à política mega-liberal que eles muito adoravam e veneravam durante anos. É que hoje, os próprios americanos mostram-se disponíveis e interessados na modernização da economia mundial. E como uma política económica mundial não é mudada por um só e único país, acredito e espero ver a Europa desempenhar o seu papel e impor-se finalmente a nível mundial.

Acerca dos Palavrões... Por Miguel Esteves Cardoso

"Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com carácter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante.


Dizer "Tenho uma verruga no caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900` 2000 não lembra ao "caralho", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação. Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande puta... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui.


Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas conas", significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias. Pessoalmente, gosto da expressão "É fodido..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "Foda-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "Foda-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espírito como um tranquilo "Foda-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos.


Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.


Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente inequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar um pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso."


Miguel Esteves Cardoso

sábado, 17 de outubro de 2009

Teste de Personalidade

Durante estas férias que estão prestes a acabar, andei a vagabundar pela Net, registando-me em sites que só me enviaram publicidade a seguir, pesquisando coisas fúteis que me passavam pela cabeça, independentemente do interesse que aquilo despertava em mim. Enfim, a minha última pesquisa levou-me ao site do MSN que propunha fazer um teste de personalidade. Curioso, lá fiz o teste… Aí vão os resultados (em português, pós Acordo ortográfico…oups, enganei-me, é Português do Brasil). Desfrutem e comentem…


Você é um(a) GUARDIÃO(Ã)/Racionalista
Você é uma pessoa de negócios. Você é consistente, de confiança, detalhista e perseverante. Você tem carisma. Desta forma, você se sai bem em receber pessoas do seu círculo social ou trabalhista em sua casa.
Você também é eficiente. Você tem padrões altos de comportamento e leva suas obrigações com seriedade, dedicando-se às atividades de maneira cuidadosa, sincera e concreta.
De certa forma, você é tradicional. Você se sente à vontade com pessoas ao seu redor e se empenha em suas relações pessoais e familiares. Você é proativo(a) quanto às pessoas que ama.
Você respeita horário, regras e rotinas. O comportamento apropriado é geralmente importante para você. No entanto, no fundo, você demonstra um lado independente de ser. Como resultado, você apresenta o equilíbrio entre convencional e original.
Você também é um(a) bom(a) líder. Você ganha os louros e status de posições com maior facilidades que a maioria das pessoas. E você administra valores de maneira excelente. Você também aprecia ter seu espaço, ocupando-se com seus assuntos pessoais.
Guardião(ã), 32%: Normalmente muito popular. Muito apegado ao lar e à família. De conduta calma e baixa ansiedade. É consistente com freqüência, leal e protetor.
Artesão(ã), 22%: Conhecido por sua energia, grande criatividade e espontaneidade. Sempre em busca de novidades, risco e prazer. Curioso intelectualmente e não se deixa envolver facilmente por opiniões alheias.
Idealista, 21%: Destaca-se por sua visão macro, planejamento a longo prazo e poder de criação de consenso. Uma pessoa intuitiva que é flexível, com facilidade verbal e de socialização. Imaginativo, empático e carinhoso.
Racional, 25%: Audacioso, original, direto e criativo. Uma pessoa não conformista. Talentoso em pensar abstratamente e planejar a curto prazo. Com freqüência é positivo e um tanto competitivo. Seguro e eficiente.

Acerca do Leão

Estação do ano: Meio do Verão no hemisfério norte
Incensos: Sândalo e Amilscar
Pedras: Ambar
Dia: Domingo
Metal: Ouro
Côr: Dourada


Positivos * Poderosos * Protectores

MITOLOGIA
O Leão do vale de Neméia - filho dos monstros Ortro e Equidna - que devastava a região e cujos habitantes não conseguiam matar, foi estrangulado por Hércules. Acabada a luta, este arrancou a pele do animal com as suas próprias mãos e passou a utilizá-la como vestuário. Assim, a criatura derrotada, converteu-se na constelação de leão.

Personalidade do Leão: "Adorem-me"
Rei da Selva? Nenhum Leão se contentava com isso. Rei do Universo é melhor. Eles esperam governar o mundo e exigem que tudo se centre neles. Possuem organização e liderança superior. São generosos e afeccionados. Espalham o brilho do sol para onde quer que vão. Têm muito a ensinar sobre arte, filmes, cozinha fina e literatura, e a lista continua. O Leão necessita ser admirado e quer ser reconhecido. Eles obtêm o que querem. Alguns fazem-se de gatinhos, mas não se deixe enganar, porque um leão feroz esconde-se em cada um deles. Não tente enganar nenhum, visto que são assustadores e o seu temperamento é explosivo. Felizmente eles não guardam ressentimentos.

AMIZADE
Têm necessidade de ter um grande círculo de admiradores. Pessoas normais chamarão a isso amigos. No mundo do Leão tem o nome de orgulho. Conquistam corações com grandes e extravagantes presentes. É muito bom terem um leal amigo Leão. Temos de estar sempre abertos para o seu conselho de como melhorar tudo e mais alguma coisa. O seu conselho não deixa de ser egoísta. Se nós parecermos bem, eles também parecem. Parecer bem é do que é feito a vida.

AMOR
Querem conquistar um Leão? Voem com ele a Paris para um jantar, e a uma ópera em Roma. Eles querem champanhe e caviar. Tem a certeza que conseguem suportar um Leão? Têm de ser dado beber e comer, seduzi-los com nada excepto o melhor. Os seus amantes têm de ter um aspecto bom. E já têm melhor aspecto do que a maioria. Precisam de ser adorados e venerados, e terem diamantes, cetim e ouro. É isso que é o amor.

Enjoy the News!

Será que as notícias que vemos/lemos nos diferentes suportes têm obrigatoriamente de ser negativas? Será que os jornalistas não podem pegar numa notícia positiva e inseri-la no meio daquele amontoado de desastres? E não venho aqui falar de “boas” notícias do tipo: “Um golfinho nasceu no oceanário”, ou “O Tony Carreira encheu o Pavilhão Atlântico” e por aí fora…


Gostava de ver notícias que dessem mais importância e valor aos homens, e às suas boas acções, inclusive aquelas feitas pelo Governo.


No outro dia, vi o telejornal Francês e, à dada altura, uma notícia informava o público que o Secretário de Estado para a Solidariedade, em parceria com uma associação que ajuda os pobres, tinha requisitado um pavilhão durante um fim-de-semana onde se poderia encontrar brinquedos muito baratos para as pessoas mais necessitadas poderem oferecer uma prenda aos seus filhos.


Aí está uma notícia como eu gosto de ouvir e até queria obter mais informações sobre esta iniciativa que achei muito boa. Afinal, o Governo Francês que é criticado pela sua política social (e não só), demonstrou o contrário com esta atitude que era de salientar.


Ora, o problema é que esta notícia que deveria merecer, no meu entender, cerca de 1 a 2 minutos, teve destaque apenas durante 15 segundos. O tempo de mostrar as pessoas entrar no armazém e de ver ao longe o Secretário de Estado… Quando se sabe que a parte dedicada ao futebol dura uns 15 minutos, eu até fico com calafrios.


Ultimamente, tem-se ouvido falar da “crise” mas algo que as pessoas se estão a esquecer é que uma sociedade como a nossa precisa de confiança para se poder desenvolver. Logo, e nesta altura, é preciso que as pessoas tenham algum motivo para sorrir, ter esperança, para ultrapassar estes difíceis momentos.


Quanto mais falarmos desta famosa crise, quanto mais estaremos enterrados no nosso marasmo. Neste contexto, os media têm de desempenhar dois papéis: informar (algo que nem sempre fazem bem) e, agora, dar notícias que suscitam esperança e confiança. Isto não significa que os jornalistas tenham de esconder a verdade. Creio apenas que, num telejornal que dura cerca de uma hora, existe tempo suficiente para falar de más notícias (guerras, catástrofes, economia…), de desporto, de cultura e, por fim, de eventos positivos.


Não acho que isto seja impossível e ainda tenho esperanças que existam boas notícias para contar. É que por cá, nem o futebol nos traz alegria…

Devaneio Matinal

No outro dia, acordei como sempre às 8 da manhã para ir trabalhar e, como sempre, levantei-me, lavei a cara, mudei a água das azeitonas e fui pa cozinha tomar o meu pequeno-almoço. Como sempre, lá peguei no pacote de cereais e enchi a minha malguinha. Comecei a comer. Sentia-me observado pelo galo com cores esquisitas (onde raio o povo da Kellogg’s já viu um galo verde e a levantar um polegar???). Parecia que olhava pa mim de canto. Não gostei. Virei-o e deparei-me com a parte das informações nutricionais.


Comecei uma leitura superficial das vitaminas, e das percentagens, e da forma como todos estes elementos podiam contribuir para a minha felicidade e para o meu bem-estar. Mas, à dada altura, li algo que nunca tinha reparado: um número de telefone.


Este número é do Apoio ao Consumidor…


Eram cerca das 8h10 e comecei a fazer um filme em relação a isto. Sinceramente, para que raio serve este número? Será que há mesmo alguém do outro lado da linha? E se existir tal desgraçado, qual o papel dele?


Já estou a imaginar um cliente a ligar às 6 da manhã a perguntar como se abre o pacote, a perguntar se o papelão é reciclável, a quantidade de leite que tem de colocar na malga, se o leite deve ser quente ou frio, se em vez do leite pode pôr um iogurte (aromático ou não), o grau de estaladura dos cereais, o tempo limite para os cereais se tornarem moles etc.


Bem, como podem ver, eu divirto-me logo pela manhã…


Fui para o trabalho a pensar nisso e acima de tudo, a pensar no desgraçado que atende o telefone para “apoiar” o cliente. Das duas uma, ou o desgraçado passa seca todo o santo dia ou ele deve ouvir a estupidez humana no seu mais alto nível. Neste caso, já se pode tornar engraçado.


Fiquei curioso acerca disso e pensei ligar para lá mas tenho medo de parecer mal-educado porque a única pergunta que tenho para colocar não é acerca do produto mas sim acerca do trabalho do desgraçado que atende as chamadas. Só me apetece perguntar-lhe: “Então pah, és pago a fazer o quê ao certo?”


Um dia que volte da noite, todo mamado, em que a minha vergonha tiver desaparecido consoante bebia cerveja, em que cruzar a minha tia ir para a missa enquanto que o seu sobrinho vai para a cama, aí se calhar vou tentar ligar para lá. Só espero não me enganar no número. Era mau ligar para os Alcoólicos Anónimos…

Política Internacional dos Médicos Dentistas

Hoje, abençoado dia feriado, venho revelar ao Mundo um segredo. Este segredo irá fortemente agradar ao exigente povo Português. Não vos vou fazer esperar mais tempo. Eis o segredo do que falo: Portugal possui excelentes dentistas e estes dentistas são reconhecidos internacionalmente.


Já vos estou a ouvir: “É desta, pifou de vez”, “Ta burro”, “As férias estão-lhe a estragar os poucos neurónios que lhe sobravam”… Mas podem acreditar, estou perfeitamente lúcido quando digo isso e já passo a explicar.

Acontece que no outro dia, senti uma dor estranha num dente e decidi consultar um dentista na minha Santa Terra. Quando cheguei à sala de espera, uma emigrante Suíça tinha acabado de sair e foi então que me apresentei à assistente do dentista.

A primeira pergunta dela foi: “Você é de cá?” ao qual respondi “Como?” e a assistente/secretária, surpreendida pela minha resposta interrogativa, explicou-se melhor. Foi aí que ela me perguntou se eu era emigrante ou se morava permanentemente na Póvoa de Lanhoso. Respondi-lhe que eu não era emigrante e que não percebia o porquê da pergunta.


Foi aí que a assistente/secretária/amante fez com que eu ficasse calado mais do que 5 segundos (feito raro para quem me conhece) ao explicar-me a política do gabinete dentário. Esta política consiste em dar preferência aos emigrantes, pois estes não têm tanto tempo como as pessoas que moram por cá.


Foi nesta altura que a assistente/secretária/amante/cabra me deu um talãozinho para que não me esquecesse da data da minha consulta. Aliás, ainda bem que ela me deu isso porque podia mesmo esquecer-me da maldita data (dia 9 de Setembro)… Sabendo que tinha ido lá no dia 11 de Agosto e fazendo as contas, perceberá que um mês ainda é bastante tempo.


Cheguei então à conclusão que os dentistas portugueses são excelentes, pois deslocam-se cá pessoas do estrangeiro para que eles tratem da dentuça. É neste sentido que nós, cidadãos morando em Portugal, devíamos ficar orgulhosos porque, fora do período crítico do mês de Agosto, temos estes incríveis dentistas super extra mega qualificados ao nosso dispor.

Já agora, vale a pena pensar nisto…

Devaneio acerca dos Elevadores

Hoje, apetece-me falar aqui de algo vulgaríssimo: os elevadores. Não vou explicar o modo de funcionamento destes aparelhos usando os da Torre Eiffel como exemplo…nada disso. Mas fiquem já a saber que são muito interessantes. Adiante…


O meu objectivo é partir de um aparelho vulgar e evidenciar algo que todos nós já sentimos uma vez: o desconforto de estar num elevador. Não me estou a referir ao medo que podem ter certas pessoas de cair do 5º andar, ou da claustrofobia sentida ao estar fechado numa espécie de jaula pendurada no vazio.


A questão baseia-se em algo mais social, de origem primitiva e quase animal. Trata-se do perímetro que necessitamos para não nos sentirmos agredidos. E neste aspecto, o exemplo do elevador é fascinante. Pelo menos, eu acho, e é capaz de haver um sociólogo que já tenha analisado isso de forma científica. Enfim, eis o meu palpite…


Existem dois casos:

O primeiro é quando entramos no elevador com um grupo de amigos. Sentimo-nos bem porque sabemos com quem estamos. Continuamos a falar, a rir, a fazer palhaçada, como se nada fosse. Vamos até ao parque de estacionamento e a vida continua.
O segundo é o mais complexo. Ocorre quando estamos sozinhos e que entramos num elevador que já tem pessoas lá dentro.


Neste caso, mal as portas abrem, sentimos um certo desconforto, pois as pessoas olham para nós da cabeça aos pés. Pode parecer mau mas é normal. Se o indivíduo que vai entrar no vosso perímetro se enquadra nos vossos padrões sociais (estilo de roupa, corte de cabelo, cor de pele, tatuagens, piercings…), tudo bem. Ignoramo-nos, ajeitamo-nos para cada um ter o maior espaço livre possível à sua volta e pronto.


Caso o indivíduo não se enquadre, já é diferente. Não nos sentimos bem e desejamos fortemente chegar ao nosso destino. Entretanto, temos de subir/descer não sei quantos andares, fazendo de conta que os outros não estão lá. Para tal, evitamos olhar para eles. Baixamos a cabeça para observar a beleza dos nossos sapatos, a higiene do chão do elevador e, num acto de loucura, os pés dos outros. Há quem olhe para cima, como se estivesse a cobiçar aquelas lâmpadas fantásticas para depois usar as mesmas em casa. Por fim, há aqueles paranóicos que vão olhar a placa do elevador para saber quando foi feita a última revisão do aparelho e se estão em segurança.


Seja qual for a sua atitude, deve confessar que não se sente particularmente confortável num elevador. Certo?


Então, não é que um ilustre Ser pensou em sonorizar as cabines com música… Sim sim, é verdade. Mas pronto, o mal desta ideia é que nunca são os verdadeiros cantores que cantam as suas canções, são artistas contratados especialmente com este efeito. Logo, suponho que haja um negócio à volta disso. Nunca pensaram: quem canta esta música? Quem fez o remix? Quem determina a escolha das músicas a serem tocadas? (Ainda vou pesquisar sobre este assunto)


Enfim, tudo isso para dizer que o elevador não é algo tão invulgar quanto isso. Aprendemos bastante acerca de nós. Mas pronto, sinceramente, odiava ter de subir ao último piso do Empire State Building, no meio de gajos engravatados, a cheirarem tanto a perfume que até fedem, e claro, a ouvir uma imitação da Céline Dion. E caso o elevador avarie e, por acaso eu estar lá dentro…cruzes, mais vale não pensar nesta hipótese.


O Empire State Building está longe… Vou mas é continuar a subir e descer escadas…


Abraço

Poema da Foda

É importante foder (ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Com isso ninguém tem nada
Mas mesmo nada
A ver.


O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois se sumir
E dar vontade de rir e d'ir urinar.


[...]


Por Mário Cesariny, in Uma Grande Razão - Os Poemas Maiores

Robert Lamoureux - L'éloge de la fatigue

Vous me dites, Monsieur, que j'ai mauvaise mine,
Qu'avec cette vie que je mène, je me ruine,
Que l'on ne gagne rien à trop se prodiguer,
Vous me dites enfin que je suis fatigué.


Oui je suis fatigué, Monsieur, et je m'en flatte.
J'ai tout de fatigué, la voix, le cœur, la rate,
Je m'endors épuisé, je me réveille las,
Mais grâce à Dieu, Monsieur, je ne m'en soucie pas.
Ou quand je m'en soucie, je me ridiculise.
La fatigue souvent n'est qu'une vantardise.
On n'est jamais aussi fatigué qu'on le croit !
Et quand cela serait, n'en a-t-on pas le droit ?


Je ne vous parle pas des sombres lassitudes,
Qu'on a lorsque le corps harassé d'habitude,
N'a plus pour se mouvoir que de pâles raisons...
Lorsqu'on a fait de soi son unique horizon...
Lorsqu'on a rien à perdre, à vaincre, ou à défendre...
Cette fatigue-là est mauvaise à entendre ;
Elle fait le front lourd, l'oeil morne, le dos rond.
Et vous donne l'aspect d'un vivant moribond...


Mais se sentir plier sous le poids formidable
Des vies dont un beau jour on s'est fait responsable,
Savoir qu'on a des joies ou des pleurs dans ses mains,
Savoir qu'on est l'outil, qu'on est le lendemain,
Savoir qu'on est le chef, savoir qu'on est la source,
Aider une existence à continuer sa course,
Et pour cela se battre à s'en user le cœur...
Cette fatigue-là, Monsieur, c'est du bonheur.


Et sûr qu'à chaque pas, à chaque assaut qu'on livre,
On va aider un être à vivre ou à survivre ;
Et sûr qu'on est le port et la route et le quai,
Où prendrait-on le droit d'être trop fatigué ?
Ceux qui font de leur vie une belle aventure,
Marquant chaque victoire, en creux, sur leur figure,
Et quand le malheur vient y mettre un creux de plus
Parmi tant d'autres creux il passe inaperçu.


La fatigue, Monsieur, c'est un prix toujours juste,
C'est le prix d'une journée d'efforts et de luttes.
C'est le prix d'un labeur, d'un mur ou d'un exploit,
Non pas le prix qu'on paie, mais celui qu'on reçoit.
C'est le prix d'un travail, d'une journée remplie,
C'est la preuve, Monsieur, qu'on marche avec la vie.
Quand je rentre la nuit et que ma maison dort,
J'écoute mes sommeils, et je me sens fort.
Je me sens tout gonflé de mon humble souffrance
Et ma fatigue, alors, c'est une récompense.


Et vous me conseillez d'aller me reposer !
Mais si j'acceptais là, ce que vous me proposez,
Si j'abandonnais à votre douce intrigue...
Mais je mourrais, Monsieur, tristement... de fatigue.

Primeiro Post

Antes de mais, sejam bem-vindos no meu blog e agradeço-lhes desde já pela vossa visita. Espero que a vossa sanidade mental não fique demasiada danificada ao ler alguns dos meus devaneios.

Em vez de me apresentar “formalmente”, decidi colocar neste novo blog, alguns dos posts que tinha escrito na minha página do Live Space (http://imperadorcristovao.spaces.live.com/). Assim, acredito que terão uma melhor ideia de quem eu sou e do que vos espera.

Não hesitam em comentar e partilhar opiniões comigo. Em breve, irei colocar posts frescos e fofos. Para já, ainda estou a tratar da organização e do aspecto desta página.

Abraço