terça-feira, 20 de outubro de 2009

Acerca da Cimeira do G20

A cimeira do G20, que decorreu esta semana Londres, suscitou esperanças e expectativas como nunca uma cimeira tinha feito porque é desta cimeira que iriam sair as respostas a todos os males que o mundo conhece neste momento.
 
No entanto, a cimeira do G20 não podia apenas limitar-se a responder a estes males e apagar um fogo cujas dimensões assustam a comunidade internacional. O que se pretendia era, em primeiro lugar, apagar este fogo e, num segundo tempo, impedir que este fogo voltasse a pegar ao propor reformas profundas.
 
Acredito que uma destas reformas teria a ver com os recursos naturais e a ecologia. Já todos nós reparámos que existe escassez de alguns recursos naturais, que falamos cada vez mais de riscos climáticos e que existe uma desigualdade de recursos nas diferentes zonas do globo. Estes problemas são verdadeiros desafios para a Humanidade e irão apenas encontrar uma resposta graças ao uso massivo de energias renováveis, à renovação do nosso parque imobiliário, ao desenvolvimento de tecnologias alternativas, à criação de produtos menos consumidores de energia e, finalmente, à banalização da reciclagem.
 
Para chegar a este ponto, será indispensável investir a nível mundial, na pesquisa, no desenvolvimento e na inovação para poder aproveitar de forma eficiente o que o nosso planeta oferece sem o estragar. Infelizmente, o financiamento actual da nossa economia, baseado no aproveitamento das fraquezas dos países vizinhos, não permite (para já) esta mudança.
 
Para além disso, os máximos dirigentes teriam de reinventar o comércio mundial, assente desde os anos 90 sobre um crescimento sem limites dos mercados e uma concorrência descontrolada que teve consequências desastrosas. Por causa desta falta de autoridade, tornou-se mais rentável deslocalizar actividades industriais em países onde a mão-de-obra é mais barata, em vez de investir na automatização/robotização das tarefas. Neste preciso caso, o que a nossa sociedade mostrou foi simplesmente uma falta de inovação técnica, favorecendo a exploração do factor humano noutro país que é, como é óbvio, mais rentável mas que trouxe consequências sociais negativas como o trabalho de crianças, por exemplo. A nível económico, a empresa “colonizadora” lucrou imenso mas o país “colonizado” não lucrou o suficiente para se tornar num país Rico e dinamizar a sua própria economia.
 
Não sou nenhum Keynes ou qualquer outro grande economista. O que acabo de dizer é apenas a opinião de um cidadão que observa com alguma atenção o que se passa. Assim, parece-me adquirido que todos já perceberam que o nosso sistema económico atingiu o seu limite. A questão que devia ter sido levantada neste G20 era saber como podemos passar do sistema actual para um novo. Infelizmente, não podemos simplesmente pôr as contas a 0 e começar de novo. De imediato, não me parece que exista um país com uma política económica que permita financiar tal (r)evolução. E nem que este país existisse, o problema com o qual deparámos não pode ser resolvido de forma isolada.
 
Apesar disso tudo, a “crise” acabou por trazer algo positivo, abrindo os olhos aos Estados-Unidos e à política mega-liberal que eles muito adoravam e veneravam durante anos. É que hoje, os próprios americanos mostram-se disponíveis e interessados na modernização da economia mundial. E como uma política económica mundial não é mudada por um só e único país, acredito e espero ver a Europa desempenhar o seu papel e impor-se finalmente a nível mundial.

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