terça-feira, 20 de outubro de 2009

Acerca da NATO...

A cimeira da NATO decorreu na semana passada, em França e na Alemanha, no seguimento da outra grande cimeira: a do G20 (cf. post anterior). Embora esta última me tenha despertado interesse, a cimeira da NATO passou-me totalmente ao lado, deixando-me indiferente a esta questão. Aliás, acho que se falou mais na presença do Barrack Obama na Europa e dos incidentes inerentes à cimeira do que no cerno do debate em si.

Contudo, e apesar da minha indiferença, perguntei-me o porquê de existir ainda hoje a NATO e qual é a sua função. Devo confessar que aquilo que sei desta instituição resume-se a que aprendi nas aulas de História.

Resumindo, no dia 4 de Abril de 1949, em Washington, doze nações ocidentais reuniram-se para assinar o tratado do Atlântico Norte para responder à ameaça soviética, dividindo então o globo em dois blocos distintos.

Estranhamente, e apesar da Guerra Fria, a NATO só irá intervir uma vez, em 1995, na ex-Jugoslávia, altura em que a URSS já não existe. Ora, sem esta « ameaça » soviética e com as democracias europeias terem criado a União Europeia, pergunto-me simplesmente: para que serve a NATO e para que manter activa uma estrutura que foi criada para combater um inimigo que já não existe?

Após uma rápida pesquisa, descobri que a NATO tem um papel activo na gestão e resolução das crises, como foi o caso na ex-Jugoslávia ou no Kosovo. Tem também como princípio a preservação da liberdade e da segurança dos seus países membros graças a meios políticos e militares, a protecção da Democracia e dos Direitos do Homem etc. Coisa linda não é? Mas pergunto eu: porque não delegar estas tarefas a cargo das Nações Unidas (ONU)?

E pergunto eu outra coisa. Se o papel da NATO é de proteger a Democracia e os Direitos do Homem, porque é que ela nunca actuou no conflito do Médio-Oriente, para promover o diálogo entre os povos e para evitar conflitos entre o povo Judeu (não uso a palavra Israelita de propósito) e os Palestinianos?

Pergunto-me também qual é o papel da NATO na luta contra o terrorismo, assunto muito falado desde o 11 de Setembro. Sendo este problema um assunto global, entendo como óbvio que a resposta tenha de ser global.

Assim, acredito que a NATO só pode existir se repensar a sua organização e os seus objectivos e, claro, se incluir a Rússia nos seus membros para responder aos novos desafios que o nosso mundo tem à sua frente.

0 comentários: