sábado, 17 de outubro de 2009

Devaneio acerca dos Elevadores

Hoje, apetece-me falar aqui de algo vulgaríssimo: os elevadores. Não vou explicar o modo de funcionamento destes aparelhos usando os da Torre Eiffel como exemplo…nada disso. Mas fiquem já a saber que são muito interessantes. Adiante…


O meu objectivo é partir de um aparelho vulgar e evidenciar algo que todos nós já sentimos uma vez: o desconforto de estar num elevador. Não me estou a referir ao medo que podem ter certas pessoas de cair do 5º andar, ou da claustrofobia sentida ao estar fechado numa espécie de jaula pendurada no vazio.


A questão baseia-se em algo mais social, de origem primitiva e quase animal. Trata-se do perímetro que necessitamos para não nos sentirmos agredidos. E neste aspecto, o exemplo do elevador é fascinante. Pelo menos, eu acho, e é capaz de haver um sociólogo que já tenha analisado isso de forma científica. Enfim, eis o meu palpite…


Existem dois casos:

O primeiro é quando entramos no elevador com um grupo de amigos. Sentimo-nos bem porque sabemos com quem estamos. Continuamos a falar, a rir, a fazer palhaçada, como se nada fosse. Vamos até ao parque de estacionamento e a vida continua.
O segundo é o mais complexo. Ocorre quando estamos sozinhos e que entramos num elevador que já tem pessoas lá dentro.


Neste caso, mal as portas abrem, sentimos um certo desconforto, pois as pessoas olham para nós da cabeça aos pés. Pode parecer mau mas é normal. Se o indivíduo que vai entrar no vosso perímetro se enquadra nos vossos padrões sociais (estilo de roupa, corte de cabelo, cor de pele, tatuagens, piercings…), tudo bem. Ignoramo-nos, ajeitamo-nos para cada um ter o maior espaço livre possível à sua volta e pronto.


Caso o indivíduo não se enquadre, já é diferente. Não nos sentimos bem e desejamos fortemente chegar ao nosso destino. Entretanto, temos de subir/descer não sei quantos andares, fazendo de conta que os outros não estão lá. Para tal, evitamos olhar para eles. Baixamos a cabeça para observar a beleza dos nossos sapatos, a higiene do chão do elevador e, num acto de loucura, os pés dos outros. Há quem olhe para cima, como se estivesse a cobiçar aquelas lâmpadas fantásticas para depois usar as mesmas em casa. Por fim, há aqueles paranóicos que vão olhar a placa do elevador para saber quando foi feita a última revisão do aparelho e se estão em segurança.


Seja qual for a sua atitude, deve confessar que não se sente particularmente confortável num elevador. Certo?


Então, não é que um ilustre Ser pensou em sonorizar as cabines com música… Sim sim, é verdade. Mas pronto, o mal desta ideia é que nunca são os verdadeiros cantores que cantam as suas canções, são artistas contratados especialmente com este efeito. Logo, suponho que haja um negócio à volta disso. Nunca pensaram: quem canta esta música? Quem fez o remix? Quem determina a escolha das músicas a serem tocadas? (Ainda vou pesquisar sobre este assunto)


Enfim, tudo isso para dizer que o elevador não é algo tão invulgar quanto isso. Aprendemos bastante acerca de nós. Mas pronto, sinceramente, odiava ter de subir ao último piso do Empire State Building, no meio de gajos engravatados, a cheirarem tanto a perfume que até fedem, e claro, a ouvir uma imitação da Céline Dion. E caso o elevador avarie e, por acaso eu estar lá dentro…cruzes, mais vale não pensar nesta hipótese.


O Empire State Building está longe… Vou mas é continuar a subir e descer escadas…


Abraço

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