quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Natal 2009

Lá voltou a altura do ano em que toda a gente fica contente por ver luzinhas a piscar na rua e por estar frio… Mas este ano, não se preocupem, não vos vou contar outra vez o porquê de eu não gostar do Natal. O objectivo deste post é outro.

Acontece que sou um quebra-cabeças para as pessoas que pretendem oferecer-me algo. A verdade é que tenho tudo, ou quase tudo, que alguém possa querer e dou-me feliz por isto. Infelizmente, torna-se constrangedor para os meus amigos, pois como amigos espectaculares que eles são, gostam de agradar.

Antigamente, para ter uma ideia do que precisava/gostava ter, perguntavam à minha namorada da altura, mas este ano a coisa ta preta para eles.

Por isso, decidi dar aqui algumas sugestões de prendas e de não prendas que poderiam dar-me (ou não).

Ideias de Prendas:
- Relógio: confesso que tenho um certo fetiche para este acessório;
- 2 Bilhetes para o concerto dos U2: isto é que era pah…
- DVD de instalação do Windows 7: original ou não e em Português para me livrar do Vista;
- Sapatilhas para o RPM;
- Relógio medidor de frequência cardíaca para pôr no pulso;


Ideias de não prendas:
- Livros: por favor já chega. Ainda tenho dois que tenho de ler desde o mês de Agosto;
- Perfumes e assimilados: tenho coisa que chegue;
- Roupa: o meu guarda-fatos e a minha cómoda já estão cheios;
- Telemóvel: o último que comprei revelou ser um bom investimento e funciona lindamente;
- DVDs / CDs / Jogos PS2 ou PC: acho que não precisam de uma explicação;
- Despertador: apesar das diversas pancadas que o meu tem levado, ainda não cheguei atrasado;
- Bebidas alcoólicas: os bons velhos tempos já lá foram e os meus pais começariam a preocupar-se comigo;
- Calçado: não preciso e acho que teriam algumas dificuldades em encontrar modelos que gostasse e com o meu número disponível;
- Molduras para fotografias: não sou grande apreciador de fotos espalhadas pela casa;

Bem, vou ficar por aqui. Até daqui um mês lol

Boa sorte!

domingo, 22 de novembro de 2009

A Vida em Grupo Pede Altruísmo

Ontem foi mais um dia em que observei que temos muito a aprender uns dos outros e que juntos somos muito mais fortes, independentemente do nosso nível de educação, cargo ou título académico. Aprendi ao observar pessoas que mostram todos os dias que é possível ultrapassarmos todos os obstáculos da vida quando não caminhamos sós e quando podemos contar com os nossos amigos. No final da sessão, foi-me dado um texto que queria partilhar convosco e que achei totalmente adequado. Aqui vai...


Durante a era glaciar, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram juntar-se em grupo; assim, agasalhavam-se e protegiam-se mutuamente.

Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam mais calor.

E por isto, tornaram-se a afastar uns dos outros. E voltaram a não sobreviver.

Precisavam então de fazer uma escolha: ou aceitavam os espinhos do semelhante ou desapareciam da face da Terra.

Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam a conviver com as pequenas feridas que uma relação mais próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.

E assim acabaram por sobreviver!

sábado, 14 de novembro de 2009

Fat Baby

Os Estados-Unidos encontram-se no meio de uma grande reforma do seu sistema de saúde e é neste contexto que ouvi falar do caso que descrevo a seguir.

É a história do Alex, um bebé feliz da vida, que nasceu sem qualquer complicação durante o parto e que está cheio de saúde. Como é normal, os pais quiseram juntar o recém-nascido ao seguro de saúde que eles já possuíam. E qual foi a resposta deste seguro? NÃO. E perguntam vocês porquê. A Rocky Mountain Health Plans respondeu que o Alex era demasiado gordo e que não se enquadrava nos critérios que eles estabeleceram para poder assegurar um bebé.

Basicamente, a Rocky Mountain Health Plans acha que o Alex é obeso e tem tudo para o ser ainda mais no futuro, logo têm medo das despesas que poderia trazer à companhia de seguros. Aí entramos na lógica clássica dos seguros americanos: se tens problemas de saúde, não queremos de ti mas se estiveres em perfeita saúde, só te queremos se não nos deres prejuízo no futuro, por isso nada de fazer desporto excessivo ou de cometer loucuras, do tipo saltar dois degraus nas escadas.

Bem, aqui segue uma foto do Alex e queria que fossem sinceros: não acham que este bebé tem um aspecto perfeitamente normal?





Claro que ele é gorduchinho mas, diabos (em tempo normal diria outra coisa), é um bebé!!! Caso a Rocky Mountain Health Plans nunca tenha visto um bebé obeso, aqui vai uma foto bem representativa. Comparem só um com o outro. Não notam uma ligeira diferença?
 



E não é por mal, mas o que é que nos garante que este bebé vai ser obeso? Sei lá, eu parto do princípio que a mãe lhe vai dar leite como acontece com qualquer outra criança, ou será que as mamas delas se chamam Ben and Jerry??? Também parto do princípio que os pais vão cuidar do filho, dando-lhe uma alimentação saudável. Acho que também poderão inscrevê-lo num desporto qualquer. Fogo, os pais parecem ser normais e não criadores de gado.

Enfim, isto tudo para dizer que estou muito feliz por não ter nascido nos Estados-Unidos e que já era mais do que tempo para eles revolucionarem (o verbo é brando) totalmente o sistema de saúde. Abençoado Portugal…

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ser Português

Em França, existe um ministério cujo nome é bastante polémico. Trata-se do "Ministério da Imigração, da Integração, da Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário". Nome extenso e complexo, não é?

Foi criado pelo Presidente Sarkozy e recentemente, colocou uma pergunta ao povo Francês, ou melhor, propôs fazer um debate acerca de um tema politicamente sensível naquele país. Este tema é o da identidade nacional (http://www.debatidentitenationale.fr/). A questão colocada neste site é simples: "O que é ser Francês?" Pergunta interessante, não acham?

Será que ser Francês limita-se ao facto de ter nascido naquele território? Será que ser Francês implica ter vivido determinado tempo em França? Será que para sermos considerados Franceses, devemos ter estudado em França? Será que os nossos pais têm de ser Franceses? Será que é saber falar a língua? Será que é pagar os impostos? Será que é poder usufruir do direito de voto? Será que é conhecer o hino nacional? Será que é conhecer os símbolos da República?...

Como vêm, poderíamos passar horas e horas a fazer este tipo de perguntas. E talvez ser Francês seja isso, mas pergunto-me também se ser Francês não é algo mais profundo, mais pessoal e íntimo?

O Presidente Sarkozy disse uma frase que achei brilhante. Dizia o seguinte "Etre Français, ça se mérite" (Ser Francês é algo que se merece). Logo, por esta frase, entendo e concordo que ser Francês não é algo adquirido, é algo que se constrói... Como?

Também chegou a dizer outra frase que gostei: "La France, tu l'aimes ou tu la quittes" (Se não amas a França, deixa-a). Assim, interpreto esta frase como sendo um sinal forte para aqueles que se dizem Franceses mas que não respeitam as diferentes instituições. Com que critérios?

A nível pessoal, a verdade é que não sei até que ponto me considero Francês. Embora tenha nascido, estudado, ter seguido as regras daquele país, e por me ter sido dada a nacionalidade Francesa, acho que me falta algo. Para mim, a França é um território muito vasto que desconheço por completo. Sinto-me mais Parisiense do que Francês e, se Paris fosse um país, então neste caso sentir-me-ia Parisiense, sem qualquer sombra de dúvida. Talvez esteja enganado e talvez me deveria considerar Francês de pleno direito, mas achar-me-ia (mais) Francês se tivesse conhecido aquele país, para além do que pude estudar em livros, ou visto na televisão ou na Internet.

Por mais estranho que pareça, sinto-me mais Português... Sinto que pertenço a este país, a uma cultura com a qual me identifico mais, uma cultura mais próxima das pessoas, uma cultura repleta de tradições. Mas a minha relação com Portugal contrasta muito com a relação que tive com a França, pois para mim Portugal não se resume a Lisboa, mas abrange aspectos como a língua na sua diversidade de sotaques, às festas tradicionais, às romarias, a cidades que visitei, a pessoas que conheci e que vinham de diversas regiões.

A verdade é que esta questão levantada pelo governo Francês é polémica e muitas pessoas receiam ver e ouvir opiniões xenófobas. Porém, a nível da nossa pequena blogosfera, queria fazer-vos a seguinte pergunta: o que é, para vocês, ser Português?