terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Retrospectiva de 2010

Com o ano de 2010 a acabar, achei interessante compilar alguns dos acontecimentos mais marcantes que ocorreram ao longo dos últimos 12 meses. Para tal, decidi dividi-los em diferentes categorias… Mundial de futebol organizado pela primeira vez em território africano, tsunami em Haiti, crise financeira, wikileaks... Nada falta mas caso se lembrem de algo, é só acrescentar :-)

Já agora, segundo a vossa opinião, quais foram os acontecimentos mais marcantes deste ano e porquê?


Sociedade

Maio
Visita de 4 dias do Papa Bento XVI a Portugal;

Junho
Falecimento do escritor José Saramago;

 
Agosto
33 mineiros chilenos ficam presos encurralados em mina a mais de 700 metros de profundidade,
Governa encerra 700 escolas de norte a sul do país;
iPhone4 lançado em Portugal;

Setembro
Leitura do acórdão do processo Casa Pia, dá como provados os crimes a todos os arguidos;
 
Outubro
Início da operação de resgate dos 33 mineiros chilenos;
Início da cobragem de portagens nas SCUT Norte Litoral, Grande Porto e Costa de Prata;
Greve em França paralisa o país ao prolongar-se por mais de 3 dias;
 
Novembro
Onda de violência nas favelas do Rio de Janeiro com forças policiais e militares em conflito com narcotraficantes;

Dezembro
Controladores de tráfego espanhóis fazem “greve selvagem”  causando o caos nos aeroportos de Europa;

Cultura

Setembro
Lady GaGa vestida de carne crua na gala de entregas dos prémios MTV;

Outubro
Concertos banda irlandesa U2 em Coimbra;




Desporto

Maio 
SL Benfica sagra-se campeão nacional de futebol;
Inter de Milão vence Real Madrid na Final da Liga dos Campeões;
José Mourinho é apresentado oficialmente como treinador do Real Madrid;

 


Junho
Início do Mundial de Futebol 2010 (África do Sul), organizado pela primeira vez no continente africano;
Portugal goleia Coreia do Norte por 7-0;
Portugal é afastado do Mundial de Futebol, ao perder com Espanha por 1-0;
 
Julho
Espanha vence Mundial de Futebol 2010;







Política

Abril
Acidente aéreo na Polónia – a queda do avião provocou a morte do presidente da Polónia, Lech Kaczynski, e de outros 88 membros do governo;
Grécia recebe 110 mil milhões de euros do FMI;
Governo anuncia instalação de portagens electrónicas nas SCUTS;
Corte de rating português faz disparar juros da dívida pública;
 
Maio
Cavaco Silva aprova casamento homossexual;
 
Outubro
Atribuição do Prémio Nobel da Paz 2010 ao activista dos direitos humanos chinês Liu Xiaobo;
 
Novembro
Alcançado acordo entre PS e PSD para aprovação da Orçamento de Estado 2011 na Assembleia da República;
Cimeira da NATO em Lisboa reúne mais de 60 Chefes de Estado, entre eles Barack Obama, presidente dos EUA;
Aprovação do Orçamento de Estado 2011 na Assembleia da República;
Revelações de documentos confidenciais do Governo dos EUA pelo site Wikileaks, causam mal-estar diplomático entre Chefes de Estado de vários países;



Catástrofes Naturais
 
Janeiro
Sismo no Haiti – o tremor de 7.7 graus na escala de Richter ocorrido em Porto Príncipe, capital do Haiti, causou 230 mil mortes, 300 mil feridos e deixou cerca de 3 milhões de pessoas desalojadas.
Fevereiro 
Temporal na Madeira – causou derrocadas que mataram 42 pessoas e deixaram centenas de desalojados;
Sismo no Chile – tremor com magnitude de 8.8 na escala de Richter provocou 800 mortes, milhares de feridos e desalojados;
Forte Tempestade na Europa – denominada tempestade ‘Xynthia’, causou inundações e mortes em vários países europeus.

Abril
Temporais no Brasil – fortes chuvas no Rio de Janeiro provocaram mais de 220 mortos e centenas de feridos e desalojados;
Sismo na China – tremor de 7,1 na escala de Richter na provínicia de Qinghai na China, provocou 2 mil mortos e mais de 10 mil feridos;
Vulcão na Islândia – erupção provocando um enorme nuvem de cinzas o que perturba o tráfego aéreo na Europa, causando caos em todo o mundo, e prejuízos superiores aos do 11 de Setembro;
Explosão em plataforma de petróleo da BP causa maré negra na costa da Florida e Luisiana, nos EUA, e mata 22 trabalhadores;

Agosto
Cheias no Paquistão provocam 1400 mortos e afectam 3 milhões de pessoas;
Incêndios fustigam Portugal de norte a sul do país;
Inundações na China provocam 2500 mortos e 94 mil desalojados;
 
Dezembro
Tornado na região Centro causa milhões de euros de prejuízo. Governo acciona plano de emergência;
Fortes nevões paralisam a Europa
.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Por Natal ser um momento de procura de paz interior e de introspecção, não podemos ignorar nem devemos ficar indiferentes ao que acontece perto de nós. Em tempos difíceis como estes, a solidariedade e vigília devem ser obrigação de todos e de cada um...

Feliz Natal a todos!


Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho o meu emprego,
Também não me importei.

Agora levam-me...
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Bertold Brecht 
(1898-1956)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Operação Árvore de Natal

Este fim-de-semana, juro prometo, vou finalmente montar o pinheirinho e o presépio cá em casa. Está decidido! Tenho-me baldado há muitos dias e não posso deixar isto pra última. A vontade não é muita mas o que seria Natal sem o pinheiro a iluminar a sala?

Fixe fixe seria ter alguma ajuda para tornar a coisa mais convivial e agradável. Há voluntários? O jantar fica por minha conta* ;-)

* Oferta válida até ao dia 19/12/2010, limitada a 3 participantes e não acumulável com outras promoções em vigor

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dar Voltas ao Pensamento e Esperar o Melhor

Gosto de surpresas, mas apenas das boas, daquelas que sabem bem, agradáveis, lindas, doces… Gosto ser surpreendido quando não estou nos meus dias, quando a minha boa disposição é um mísero disfarce que esconde mágoas, tristeza e melancolia. E estas surpresas sabem ainda melhor quando são o fruto do azar, quando surgem do nada. Alguns dirão que é o destino… Tanto faz, não me interessa discutir questões filosóficas. Deixemos isso para outra altura.

As surpresas que mais gosto são aquelas cuja beleza ilumina tudo em sua volta, cujo som de voz me sossega e cujo riso me alegra. São aquelas que se descobrem devagar, por medo de estragar, que se saboreiam pouco a pouco para fazer durar o prazer. São aquelas que, depois de já ter perdido o estatuto de surpresas, continuam a provocar os mesmos deliciosos efeitos.

Também são aquelas que nos fazem ser crianças outra vez, que despertam aspectos positivos e desconhecidos em nós. São aquelas novidades nas nossas vidas que receamos perder e que gostaríamos ter sempre connosco. São aquelas que partilham as suas vivências e que nos fazem sentir fazer parte de alguma coisa, algo maior, algo melhor.

É aquela que me envia um smiley no Messenger e que me deixa contente para o resto da noite. É aquela cuja felicidade me faz feliz. É aquela com a qual gostaríamos estar mais vezes e tornarmo-nos numa surpresa agradável para ela também.

Infelizmente, por vezes, as surpresas podem ser apenas doces ilusões.
 
Quem me dera que esta minha surpresa me desse um sinal: um smiley, uma frase de apresentação, um email, uma sms, uma chamada, um toque… Seria, com certeza, uma agradável surpresa.

Surpreende-me…

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Artista do Mês: Santa & The Reindeer’s Band

Para este último “Artista do Mês” de 2010, e por Dezembro ser um mês de tradições, festa e alegria, optei por inventar uma banda que se enquadrasse na época natalícia. Assim sendo, pegando no Pai Natal e tornando-o no elemento principal de uma banda Rock, poderíamos fazer das renas os músicos que acompanham o Barbas e, claro, a Mãe Natal seria a inevitável “groupie”. Porém, tal banda precisa de um nome apelativo. Nisto, a língua Inglesa ajuda bastante. O que acham de “Santa & The Reindeer’s Band”?

Em termos biográficos, esta mítica banda do Rock internacional poderia ser o resultado de um milagre que sucedera na noite de 24 de Dezembro de 1863, quando Thomas Nast, um caricaturista do Harper’s Weekly, que estava farto de ouvir música demasiado calma para o seu gosto, pegou numa folha de papel mágica e desenhou um artista original com longas barbas e totalmente vestido de peles. Uma espécie de ZZ Top antes da hora… No dia seguinte, o que tinha sido desenhado ganhara vida e assim nascia Santa (assim é conhecido o Pai Natal nos Estados Unidos). Ao longo dos anos, Santa habituara-se à vida terrestre e aos prazeres dos Homens. Assim, apaixonara-se pela gastronomia e pelas bebidas alcoólicas. Daí a famosa “barriguinha” e a cara coradinha.


Por causa destes vícios, tornara-se indispensável que o Barbas fosse orientado por alguém com mão de ferro. Neste caso, esta tarefa teria sido desenvolvida por um produtor de sucesso de Boston, chamado Louis Prang, que lhe mudara o visual, vestindo-o de vermelho e brincando com a aparência do artista, exagerando alguns dos seus traços físicos e corando-lhe ainda mais as bochechas. Marketing pessoal ao seu mais alto nível…

Contudo, no universo Rock as coisas não podem ser assim tão simples… Santa deveria ter recaídas, pelo que seria obrigado a inscrever-se nos Alcoólicos Anónimos e, de longe a longe, a passar várias semanas a desintoxicar-se. Sem querer, tornar-se-ia numa fonte de inspiração para artistas das gerações futuras como Kurt Cobain ou, ainda, Amy Winehouse.

Ao fim de várias terapias de choque e com os anos a conferir-lhe mais juízo, viria a derradeira mudança que acontecera nos anos 30, quando Haddon Sundblom, um artista gráfico, tentou associar a imagem de Santa com uma bebida não alcoólica (ndlr. Coca-Cola) para finalmente acabar com a ideia de que este artista era um borracholas de classe mundial. Mudou-lhe outra vez o visual, juntando-lhe o branco às roupas. Mas um simples re-styling não teria sido suficiente, daí que os produtores tenham decidido juntar músicos ao cantor em 1939, dando-lhe assim uma maior legitimidade artística. Desses músicos, Rodolfo seria obviamente o mais carismático, sendo o guitarrista da banda. Uma espécie de The Edge (U2) ou de Richie Sambora (Bon Jovi)…

Desde então, Santa & The Reindeer’s Band desafiam o tempo e alinham sucessos atrás de sucessos, o que os leva a realizar todos os anos, em Dezembro, uma digressão por todos os continentes que deixa os U2 e os Rolling Stones a roerem-se de inveja.

O que acham? Não seria uma bela história? Mas pronto, devaneio à parte, no espaço “Vídeos” encontram algumas músicas míticas de Natal. Aquelas que nos lembram a nossa infância, aquelas que nos alegram a alma, mas também aquelas que metem nojo de tanto as ouvirmos num tão curto espaço de tempo.

Enjoy!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Natal 2010

Todos os anos, por esta altura, não falha, estamos todos a pensar nas prendas que vamos oferecer para Natal. Acho que já faz parte da tradição… No meu caso, embora não tenha grandes problemas em ter ideias de prendas para os meus amigos, confesso a minha ignorância em relação aos meus pais. Nunca sei o que oferecer a pessoas que não desejam e que não parecem precisar de nada. Já agora, aceito sugestões...

A curiosidade disso tudo é que esta situação pela qual provavelmente todos nós passamos acontece também comigo, pois os meus amigos costumam não saber o que me oferecer. Infelizmente para eles, entre o ano passado e hoje, nada mudou. Continuo solteiro o que torna o exercício mais complicado, pois não possuem nenhum informador. Temos pena…

Mas, tal como no ano passado, e embora não goste disso, vou colocar aqui uma lista de ideias que, espero eu, vos poderão ajudar na vossa complicada tarefa. Agora surpreendam-me :-)

Ideias de prendas:
- Saco de desporto: o meu velhinho rasgou há pouco tempo e está a cair em pedaços;
- Phones: para usá-los na biblioteca e evitar assim usar os do leitor mp3 que me acompanham nas minhas longas sessões de passadeira no ginásio;
- The Godfather: seria fixe ter a colecção original em DVD;

Ideias de não prendas:
- Livros: ainda tenho dois que tenho de ler desde o mês de Agosto;
- Perfumes e assimilados: tenho coisa que chegue;
- Roupa: o meu guarda-fatos e a minha cómoda já estão cheios;
- Camisola do PSG: tenho uma, já chega;
- Telemóvel: o que tenho revelou ser uma excelente compra;
- Jogos PS2 ou PC: já não toco na Playstation há largos meses;
- Despertador: apesar das diversas pancadas que o meu tem levado, ainda não cheguei atrasado;
- Bebidas alcoólicas: deixei esta vida há algum tempo;
- Molduras para fotografias: não sou grande apreciador de fotos espalhadas pela casa;

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Música para Funeral

E quando chegar a altura de rumarmos para um mundo melhor, que música escolheríamos para nos acompanhar na nossa última viagem?

Segundo um estudo conduzido pela maior rede de casas fúnebres de Inglaterra (Co-operative Funeralcare), My Way de Franck Sinatra é a música preferida dos Ingleses. A seguir encontramos Wind Beneath My Wings interpretada por Bette Midler, e Céline Dion com o título My Heart Will Go On. A notar que nesta classificação, podemos também encontrar títulos como Angels do Robbie Williams, I Will Always Love You da Whitney Houston, ou ainda Another One Bites The Dust dos Queen. Para trás ficam títulos de música clássica como Requiem, Nimrod, Ave Maria e Nessun Dorma.

O mesmo estudo foi realizado a nível europeu e a música que lidera esta classificação é The Show Must Go On dos Queen, seguido por Stairway to Heaven dos Led Zeppelin e, Highway to Hell dos AC/DC em terceira posição.

E agora surge a inevitável questão: Qual seria a vossa música de eleição?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Babies

No outro dia, após ter visto 40 minutos de um filme que me deu uma vontade fenomenal de adormecer, decidi ver um documentário made in France intitulado Babies. Confesso que não tinha expectativas em relação ao filme e talvez seja por isso que fiquei agradavelmente surpreendido.

Antes de mais, convém apresentar o filme… Trata-se basicamente de uma visão do que é ser um bebé em vários sociedades no século XXI. Assim, observamos os primeiros passos de dois gémeos na Namíbia, outro na Mongólia, outro no Japão e, por último, nos Estados-Unidos.

Antevê-se diferenças claras mas o documentário não tem como objectivo criticar uma ou outra sociedade, nem mesmo dizer qual a melhor. Nesta lógica, e para o público não ser influenciado, não existem narradores e isto leva-nos a estar mais atentos e simplesmente observar.

Um filme que vale a pena ser visto e que vos fará pensar, sorrir, rir e perceber que na vida existem várias realidades. E nestas realidades diametralmente opostas, nem tudo o que é mau numa é obrigatoriamente mau noutra…

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Devaneio Bibliotecário

Em sete anos de vida universitária, nunca passei tanto tempo na Biblioteca Geral da Universidade do Minho (BGUM) como nas últimas semanas. Nem quando tive de realizar um trabalho sobre a economia dentro da literatura com dois colegas de licenciatura. Nem mesmo quando escrevi o relatório do meu estágio curricular. Talvez seja o sinal de uma certa evolução e maturidade académica. Ou não… De qualquer forma, ao longo das horas e tardes passadas sentado naquele local, vou observando várias coisas que me chamaram à atenção.

O primeiro ponto tem a ver com o facto do espaço da BGUM não ter evoluído ao longo dos anos. São sempre as mesmas estantes que parecem guardar os mesmos livros e estar a proteger as mesmas mesas e as mesmas cadeiras. É de referir que estas cadeiras não são amigas daqueles que gostam estar encostados, quase deitados, pois têm tendência em inclinar-se para trás de forma assustadora. Os alunos vão passando mas a BGUM resiste ao tempo, nem mesmo quando o número de alunos que frequentam o campus de Gualtar aumentou sensivelmente ao longo destes anos. Pelos vistos, uma ampliação está prevista. Já não era sem tempo, mas pronto, mais vale tarde do que nunca…

O segundo ponto vem na continuidade do primeiro e tem também a ver com o espaço da BGUM e mais concretamente com aquelas cabines que estão coladas às paredes e que permitem a um aluno trabalhar de forma isolada. Aliás, “isolada” não seria o termo correcto. Optaria antes por enclaustrado, porque aquilo parece mais uma cela do que um local de estudo. A não ser que estejam todos a ler um livro proibido, ou uma revista que não está presente no catálogo da biblioteca… Aliás, diz-se que muitas vezes, estas cabines não são usadas com finalidades de estudo teórico mas mais destinadas para trabalhos manuais. Não sei se é verdade ou não, nem se estou a ser muito claro mas pronto, não adiantarei mais nada sobre o assunto.

O terceiro ponto diz respeito à forma como os alunos se organizaram para reservar um lugar. Ora, pelos vistos, nada mais simples… Se fores um aluno que esteve a estudar de manhã, sozinho numa mesa, e queres voltar a ocupar exactamente o mesmo sítio depois de teres almoçado na cantina, teres tomado um café e fumado umas brocas na esplanada do CPIII, nada mais fácil, deixa uma caneta, uma folha ou, na loucura, um caderno em cima da mesa. Ninguém te irá tirar o lugar… Ninguém menos eu, porque passo-me com estas coisas e tenho o maior prazer em pegar nesta tralha toda, desfazê-la em mil pedaços e atirá-la pró lixo, principalmente quando se trata de um caderno cheio de exercícios científicos acabadinhos de fazer, onde ainda dá para notar as gotas de suor que caíram enquanto lutavas para encontrar a maldita solução. Que gozo... Porque, meus caros, há que ter um pouco de consideração para aqueles que também precisam trabalhar e que não podem estar na biblioteca às 9h em ponto. É uma questão de educação. Até parece que custa muito pegar no material todo, colocá-lo na mochila e voltar antes que haja a famosa enchente das 14 horas.

O quarto ponto é, sem dúvida, o meu preferido e tem a ver com os heróis que deixam os seus computadores em cima das mesas, como se nada fosse, enquanto vão almoçar ou tomar café. No meu tempo de licenciatura, nem se deixava uma Pen de 128Mb na mesa, mas agora, são computadores de topo, Pens de 8 e de 16 Gb, discos externos, Iphones, Ipods, e companhia limitada. Sim senhor, os tempos mudam. Mas o mais engraçado é quando este pessoal deixa o PC na mesa com a sessão terminada. Meus caros, desde quando “Terminar Sessão” é um sistema anti-roubo? Acordem pra vida…

Bem, já disse o que tinha para dizer e que me pesava na alma. A ver se para a semana há mais… E para quem quiser assistir a um workshop grátis intitulado “Como se comportar numa biblioteca”, é favor aparecer na BGUM, da Segunda a Sexta, a partir das 13h30.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Artista do Mês: The Cranberries

Por vezes, ao virar de uma esquina, deparamo-nos com uma música que já não ouvíamos há muito tempo. Já todos passámos por isso e aconteceu-me no outro dia, na fila de um fast-food em Guimarães, numa altura em que voltei no tempo até aos anos 90. Uma viagem que me levou novamente para a Irlanda, ao som de Ode to My Family dos Cranberries.

Os cranberries estão na moda, pois parece que é um fruto que tem excelentes virtudes para a nossa saúde. Isto são os especialistas que o dizem e, atendendo ao preço ao quilo, espero bem que seja benéfico… Mas pronto, dito isso, falemos então da banda de Lemerick onde os quatro membros do grupo se conheceram no final dos anos 80.

Os Cranberries são então constituídos pelos irmãos Hogan (Noel e Mike), Fergal Lawler e a carismática Dolores O’Riordan. A vocalista torna-se no elemento fundamental da banda não apenas por causa da sua voz mas também devido ao seu talento na escrita das letras sendo que Linger será o primeiro título a ser redigido por ela. Inicialmente conhecidos a nível local, decidem enviar várias cassettes com os títulos Linger e Dreams junto das editoras para finalmente assinar um contrato na Island Records, editora na altura dos U2. Nada mau…

Em 1993, é lançado o álbum Everybody Else Is Doing It, So Why Can’t We onde o público poderá encontrar os títulos Dreams e Linger. Contudo, nenhuma dessas canções dá nas vistas. Só passaram a ter sucesso quando actuaram como primeira parte de artistas nos Estados-Unidos o que levou a MTV a apostar neles ao tratar da difusão regular do vídeo clipe de Linger. Passado poucos dias, o single alcançou o oitavo lugar das vendas nos Estados-Unidos enquanto o álbum era vendido no final do ano a mais de 1 milhão de cópias (até 1999 venderam-se mais de 7,5 milhões).

A seguir, no Outono de 1994, é lançado o famosíssimo No Need to Argue que será vendido a mais de 3 milhões de cópias até ao final daquele ano sendo que o tema mais famoso do álbum e talvez da banda, Zombie, tenha contribuído imenso para alcançar este sucesso. Forte deste triunfo, a banda inicia uma digressão mundial e ainda irá gravar um concerto Unplugged para a MTV. Mais tarde, os álbuns To the Faithful Departed, Bury the Hatchet e Wake-up and Smell the Coffee não serão tão bem sucedidos.

Muitas vezes o insucesso leva a uma separação das bandas, definitiva ou momentânea e, no caso dos Cranberries, a segunda opção foi privilegiada em 2003 para cada um mudar de ares e se dedicar às suas respectivas carreiras a solo.

No mês de Agosto do ano passado, a vocalista anunciou o regresso da banda com uma digressão nos Estados-Unidos onde voltaram às origens, cantando músicas maioritariamente presentes nos primeiros álbuns. Aliás, isto tanto se podia observar na escolha das canções como também noutros aspectos, mais físicos, sendo o corte de cabelo da Dolores O’Riordan o elemento mais característico, recordando assim o corte que ela usava o início da década de 90. É de salientar que esta digressão voltou a trazer a banda para o velho continente, com várias datas em grandes cidades e em festivais célticos.

Agora, no que diz respeito a um novo álbum, parece que será preciso esperar para 2011. Esperemos que os Cranberries façam o que sabem fazer de melhor e que a cantora continua a escrever aquelas letras politicamente fortes, e que as vendas deste novo opus se adicione aos 38 milhões de discos vendidos até hoje.

Para acabar, e como sempre, encontrarão algumas grandes músicas na categoria “Vídeos”.

Abraço

domingo, 24 de outubro de 2010

Desempregado e Feliz

Não há 2 sem 3, não é verdade? Por isso vou voltar a falar sobre o desemprego e sobre a minha vida actual mas, desta vez, não vou ser negativista. Vou ser o mais objectivo e sincero possível…

Quando tomei a decisão de abandonar a empresa onde trabalhava, não quis fazer como muitos me diziam e cuja ideia consistia em fazer um acordo com a chefia para ser despedido e receber dinheiro do Estado. Lamento imenso mas eu não sou desses. Costumo assumir as consequências dos meus actos…

O facto de não ter vencimento é algo que obviamente me preocupa embora não esteja necessitado. Contudo gosto ver a situação com um olhar optimista e é importante, na minha opinião, salientar o facto que não estou obrigado a comparecer no IEFP todos os 15 dias para mostrar que estou numa fase de procura activa de trabalho. Tal coisa seria uma pura mentira porque não estou activamente à procura de trabalho. Ou melhor, não estou assim tão desesperado ao ponto de aceitar qualquer proposta que o IEFP me possa fazer. Sem ofensa mas não quero ir para assistente de trolha ou assistente de electricista.

Estou mais inclinado em esperar por uma boa oportunidade de trabalho, uma daquelas pelas quais me sentiria motivado e, neste sentido, vou procurando. Entretanto, tenho tempo livre para me dedicar à minha tese de mestrado com a qual espero apresentar um excelente trabalho que me poderá eventualmente abrir algumas portas.

Em relação ao aspecto financeiro da coisa optei, como muitos amigos meus, por tirar o CAP e estou a aguardar ansiosamente pelo início da formação. Não que eu ache que vá aprender grande coisa mas, infelizmente, agora é preciso um papel para tudo… No final da formação, espero poder dar aulas a adultos em áreas onde penso ter legitimidade para actuar: Francês, Marketing e Comércio.

Com muito trabalho e um pouco de sorte, talvez consiga juntar a investigação académica com um trabalho que me confere alguma flexibilidade e uma maior auto-estima.

A ver vamos…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aumento do IVA

Atendendo ao facto que o leitinho com chocolate passa de 6% para 23% de IVA e que o vinho mantém-se a 13%, a lógica leva-me à conclusão de que o meu filho vai passar a levar Porta da Ravessa para a escola.

É matemático e isto confirma a famosa frase "tal pai, tal filho".

Agora tou pa ver as notas...

domingo, 17 de outubro de 2010

Falando de Atum...

Dizem que recordar é viver, por isso cá vai um vídeo que me marcou, assim como algumas das pessoas que andaram comigo na praxe...


Bons velhos tempos :-)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Não Toquem no Atum!!!

Segundo o jornal "O Público" e de acordo com a versão preliminar do Orçamento  do Estado para 2011, vários produtos vão deixar de ter a taxa reduzida de IVA (6%), passando à nova taxa que o Governo quer implementar de 23%.

É o caso dos leites achocolatados, as bebidas e sobremesas lácteas, dos refrigerantes, sumos e néctares de fruto e de utensílios e outros equipamentos destinados ao combate e detecção de incêndios.

Os livros, folhetos e outras publicações não periódicas de natureza cultural, educativa, recreativa e desportiva, brochados ou encadernados são integrados numa outra categoria, mantendo-se, por isso, sujeitos à taxa reduzida.

Entre os bens que pagavam uma taxa intermédia de IVA (13%), as conservas de carne, moluscos, frutas e produtos hortícolas vão passar a ter um imposto de 23%. Só as conservas de peixe ficam de fora. O mesmo vai acontecer com óleos alimentares e margarinas, os aperitivos e snakcs, flores ou plantas ornamentais.

Graças a Deus, ninguém vai tocar no preço da lata de atum... :-)

Para consultar o artigo, clicar aqui.

domingo, 10 de outubro de 2010

Pelas Ruas de Guimarães

Passei a tarde a (re)visitar a bela cidade de Guimarães, um sítio que fica relativamente perto de casa mas que não conheço tão bem como gostaria e deveria. Contudo, hoje foi dado um passo para corrigir este erro e, ainda por cima, tive direito a um guia agradável :-)

No labirinto das ruas estreitas dominadas por prédios antigos e requalificados, passámos por uma rua onde se encontrava uma casa peculiar e que poderão comprovar na foto abaixo.


Um prédiozinho aconchegado no meio de dois e cujas dimensões suscitaram-nos curiosidade.

Afinal Guimarães não se limita ao Castelo, ao Paços dos Duques e ao Largo da Oliveira…

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

MEIE On Tour - Gran Canária (Oct. 2010)

Tudo começou assim:
- Olha, sabes uma coisa que seria altamente?
- Diz lá…
- Fazermos uma viagem de grupo, tipo uma viagem de finalistas com o pessoal do Mestrado.
- Tas tolo…

Alguns meses depois, o MEIE caminhou contra ventos e marés para pregar a palavra santa em terras espanholas, mais precisamente em Gran Canária.

A estadia por aquelas bandas poderia certamente ser alvo de um relatório extenso mas, para não sermos perseguidos pelas autoridades e os nossos familiares, ficarão apenas umas notas soltas que, mais tarde, serão complementadas por algumas fotos.

Assim, fiquem a saber que as praias são boas, que a água por aqueles lados é mais amena que as que temos por aqui; que todos os hotéis incluem pelo menos uma piscina; que as temperaturas são muito agradáveis e, não menos importante, a vida nocturna é intensa.

Em termos de preços, poderão encontrar soluções muito económicas se viajarem em época baixa, tanto na viagem (viva a Ryanair!) como na estadia, pois existe uma grande oferta de apartamento hotéis. De resto, alugar um carro é uma óptima solução para visitar a ilha, principalmente quando se sabe o preço do litro de gasóleo (0,74 euros).

A outra característica da ilha se situa nos preços de determinados bens de consumo. Assim sendo, para os fumadores, contem pagar 18 euros por um volume de Camel (as outras marcas mais comuns andam por aí). Existem também várias lojas onde poderão comprar perfumes baratos. Em caso de dúvida, comprem no aeroporto onde os preços são 40% mais baixos.

Por fim, no que diz respeito à alimentação, a oferta é diversificada e podem contar com um orçamento de 20 euros por pessoa e por refeição. Este preço inclui pratos de qualidade (paella, rodízio de carne, costeletão, etc.) acompanhados por vinho e outras bebidas alcoólicas.

No final de uma refeição bem carregada, poderão ainda beneficiar de um serviço curioso disponível na zona onde ficámos hospedados (Playa del Inglés): pesar-se. Sem exagero, existiam balanças nas ruas que estavam colocadas de 20 em 20 metros, todas elas presas por um cadeado. Ainda hoje não percebi o porquê. Caso alguém descubra, é favor iluminar-me…

Concluindo, creio que todos os participantes serão unânimes em dizer que foram umas férias muito bem passadas, que nos proporcionaram um excelente momento, ao permitir criar e/ou fortalecer laços entre os elementos do grupo. Já se falou na possibilidade de repetirmos a iniciativa. Estou disposto a ouvir ideias de destinos…

Abraço

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Artista do Mês: Francis Cabrel

O mês de Outubro é um dos meus preferidos porque coincide com o início do Outono, uma estação do ano que aprecio imenso por causa das cores que veste a natureza, pela temperatura menos quente que se faz sentir, pelo fim da euforia do Verão e o início de um novo ciclo. Há alguns anos atrás, numa aula de música, deparei com uma canção que achei espantosa que foi escrita e interpretada por um dos maiores artistas franceses: Francis Cabrel.

Este cantor nasceu no sul de França em 1953 numa família modesta e foi aos 13 anos que mostrou interesse pela música e mais concretamente depois de ouvir Like a Rolling Stone, um título assinado por Bob Dylan. Para Natal, recebeu uma guitarra por parte do tio e foi a partir deste momento que um jovem artista nasceu ao interpretar canções de Neil Young, Leonard Cohen e Bob Dylan. Com a adolescência, Francis Cabrel começa a actuar em bailes populares com várias bandas até que em 1974, ganhe um concurso organizado por uma rádio em Toulouse, ao interpretar “Petite Marie”.

Depois de ter ganho este concurso, as portas do universo profissional abrem-se para este artista atípico e que o levarão a actuar em vários países e a vender inúmeros exemplares dos seus discos. Um artista atípico em vários pontos. Digamos que se Francis Cabrel fosse um ortónimo de Fernando Pessoa, seria certamente Alberto Caeiro, pois trata-se de um artista cujas raízes estão profundamente enraizadas num mundo rural e simples, o que se pode notar nas suas canções.

Um artista tão atípico que teve direito a ser caricaturado pelos criadores do Contra-Informação Francês o que, para muitos, é considerado como sendo um verdadeiro sucesso. O vídeo que se segue é muito famoso e exemplifica perfeitamente o que acabo de dizer…



Na realidade, Francis Cabrel não é propriamente um dos meus artistas preferidos mas a verdade é que não fico insensível a algumas das suas canções e principalmente à poesia das suas letras e músicas. Uma simplicidade absoluta que mostra a todos os artistas e principalmente aos mais recentes que o talento não é uma questão de efeitos, de barulho ou de complexidade.

Na categoria “Vídeos” poderão comprovar tudo o que acabei de dizer…

domingo, 26 de setembro de 2010

Luta Contra o Desemprego: Causa Nacional… Será Mesmo???

No seguimento do último post sobre a incompetência de uma funcionário do IEFP de Fafe, não podia deixar de falar da minha própria situação e do que a mesma senhora me disse no mesmo dia.

Vamos contextualizar um pouco o cenário… O meu irmão tinha sido mandado passear e assisti ao que aconteceu impávido e sereno embora só me apetecesse pedir o livro de reclamações. Contudo, pensei um pouco e lembrei-me que afinal de contas o desgraçado do meu irmão precisaria da ajuda daquela cambada de preguiçosos e que mais valia estar calado senão nunca viria o seu projecto ser aprovado.

Primeiro, a senhora olhou pra mim e reparou que segurava na mão a pasta do traje académico da UM. Perguntou-me se eu era professor ao qual respondi pela negativa e, a seguir, suspirou alto e comentou ela que já tinha recebido muitos naquele dia e que já estava farta. Relembro que no dia antes, tinham saído os resultados das colocações de Professores…

Num segundo momento, tomei a iniciativa de apresentar o meu caso, indicando que me tinha demitido do cargo que exercia e que queria registar-me. Sem demoras, a senhora deu-me uma folha que pediu-me para preencher. Assim o fiz e devolvi-lha passado uns breves minutos. Porém, quando lhe estendi a folha, a senhora ficou a olhar para mim do tipo “o que ainda tas aqui a fazer pah?” e indicou-me que aquele impresso era para ser preenchido pela empresa onde trabalhava. Respondi-lhe ao informá-la novamente que não tinha sido despedido e que a opção de deixar a empresa foi minha… “Não interessa”, disse ela.

Naquela semana ainda fui à empresa onde trabalhava e preenchemos tudo como devia ser… Na Quinta-feira seguinte, fui ao posto móvel da Póvoa de Lanhoso onde o funcionário que me atendeu perguntou-me o porquê de eu ter aquela folha comigo. Afinal de contas, não era preciso. “Ai mulheres…”, disse ele ao qual respondi que o problema da incompetência não tinha sexo.

Riu-se…

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Quando os Brasucas nos Ensinam a Falar Português

O uso de pleonasmos...



O uso de palavrões...


Modéstia a parte, eu até lhes ensinava outros mais melhores bons bonitos :-)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Luta Contra o Desemprego: Causa Nacional… Será???

O diálogo que se segue é a transcrição do que sucedeu na delegação do IEFP de Fafe, pelas 15h40 no dia 31 de Agosto, cujos intervenientes eram uma recepcionista e o meu irmão. Na altura, estava no desemprego e pretendia criar o seu próprio negócio e beneficiar das ajudas do Estado para este tipo de situação.

Recepcionista: Boa tarde
Utente: Boa tarde! Queria saber se o Sr. XXX estava por cá…

Recepcionista: Sim, está, para que era?
Utente: Estou desempregado e queria estar com ele porque quero criar o meu próprio negócio e gostava que ele desse uma vista de olhos ao meu projecto antes de o submeter à aprovação do IEFP.

Recepcionista: Ah… Mas hoje não vai dar. Sabe, é final do mês, temos de fazer as contas para encerrar o mês e já são quase 16h. (Por informação, o horário de trabalho desta delegação vai até às 16h30)
Utente: Mas eu vim de propósito da Póvoa de Lanhoso por causa disso… (60 kms no total)

Recepcionista: Lamento… Mas se o senhor é da Póvoa de Lanhoso, uma posto móvel do IEFP está por lá todas as Quintas-feiras. Passe lá esta Quinta…
Utente: Ok, percebi… Obrigado, boa tarde

Recepcionista: Adeus, boa tarde.
***
Dito isso, ainda dizem que a luta contra o desemprego é uma causa nacional… Mas que treta! E não me venham mais falar do Simplex, por favor…

Uma vergonha!

sábado, 4 de setembro de 2010

Pedalar Atrás da Sua Adolescência...

Um dos aspectos mais curiosos e deliciosos em praticar cycling (ou RPM, no meu caso) tem a ver com a escolha das músicas usadas para criar as coreografias das aulas. De facto, pode-se ouvir um pouco de tudo: música actual, música mais antiga, música pop, música rock, etc.
 
Ultimamente, na nova coreografia que me tem feito suar muitas gotas surgiu uma música que já não ouvia há muitos anos, e numa versão remix. Vamos ver se ainda se lembram dela... 
É, não é?... Uma pessoa até se sente velho (a canção foi lançada em 1993, eh pah 17 anos...) mas, por outro lado confesso que fiquei com um largo sorriso por ouvi-la de novo, principalmente num contexto tão inesperado. Agora só falta mesmo ouvir os Venga Boys ou aquelas músicas que se ouvem nos carrinhos de choque nas festas das terriolas.
 
As aulas de RPM têm dessas coisas...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Artista do Mês: Scorpions

No passado dia 23 de Janeiro, uma banda mítica oriunda da Alemanha anunciou que iria despedir-se do público com um último álbum e uma gigantesca digressão para a tristeza de milhares de fãs: os Tokio Hotel. Estava a brincar! As pitas podem sossegar, os Tokio Hotel não disseram nada disso (infelizmente). Quem o disse foi o Klauss Meine, o líder dos Scorpions.

Antes de tudo, queria me indignar contra alguns críticos de revistas e rádios para pitas que comparam os Tokio Hotel aos Scorpions. Meus caros, deixem de ser estúpidos, deixem de comparar o que não pode ser comparado, poupem a vossa saliva e poupem os nossos ouvidos. É que se é para dizer parvoíces, mais vale estar calado… O único ponto em comum é que são bandas compostas por alemães e por membros supostamente machos (supostamente por causa do líder dos Tokio Hotel). De resto, esqueçam, mesmo.

Tal como no caso dos Queen ou dos AC/DC, acho que não há muito para dizer, pois acho que todos conhecem os Scorpions. É mais uma daquelas bandas que é capaz de juntar num concerto os fãs da primeira hora com os mais recentes. E isso, por si, já é um feito absolutamente brutal.

Entre 1965, data da criação da banda já com o nome definitivo, até este ano, os Scorpions produziram 17 álbuns para um total de 100 milhões de cópias vendidas pelo mundo (dados da www.billboard.com em 29/01/2010). No final, são 45 anos de carreira durante os quais a banda conheceu um ciclo de vida bastante curioso.


Curioso devido essencialmente aos seus primeiros passos na indústria musical, pois os Scorpions são o resultado de uma fusão entre duas bandas (Scorpions e Dawn Road). Antes disso, já teriam lançado um álbum e realizado uns concertos mas, pouco a pouco, ficaram sem músicos, daí terem tomado esta decisão. A partir de 1975, a banda conhece os seus primeiros grandes sucessos com o álbum In Trance e, a seguir, Virgin Killer cuja capa deu muito para falar na altura.

No final dos anos 70, a banda sofre umas ligeiras alterações perdendo nomeadamente o seu guitarrista para finalmente ser constituída por Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, Hermann Rarebell e Francis Buchholz, até 1992.

Entretanto, os Scorpions continuam a progredir e ser cada vez mais conhecidos, tanto na Europa como nos Estados-Unidos, por causa do seu estilo Hard-Rock que faz coabitar músicas Rock com canções românticas. Lovedrive, Animal Magnestism, Blackout são alguns dos álbuns produzidos na altura e que permitiram à banda alemã ser mundialmente conhecida.

A partir dos anos 90, com o surgimento de bandas como Metallica, Nirvana, ou ainda os Oasis, apenas os AC/DC e os Scorpions sobrevivem e conseguem ainda vender os seus álbuns. Porém, para tal, foi preciso mudar de estilo o que nem sempre é sinónimo de sucesso. E para travar esta fase menos boa da carreira, a banda decidiu inovar ao apresentar o álbum Moment of Glory onde ela é acompanhada pela Orquestra Filarmónica de Berlim. Nada de novo, pois o objectivo era de apresentar alguns dos títulos mais conhecidos acompanhados por uma orquestra de música clássica. Uns anos depois, foi em Portugal que os Scorpions decidiram inovar com o concerto Acoustica, gravado no Convento do Beato, em Lisboa, em 2001. Por fim, inovando ainda mais, decidiram realizar vários concertos na floresta Amazónia e lançar o vídeo Amazonia – Live in the Jungle cujas receitas foram distribuídas à Greenpeace para a ajudar a lutar contra a desflorestação naquela região do globo.

Embora o final de carreira não tenha sido tão brilhante que o início, a verdade é que os Scorpions contribuíram imenso para o desenvolvimento da música Rock. Ao fim de 45 anos de uma rica carreira, bem merecem descansar. Mas será que já existe um substituto? Por favor, não me digam os Tokio Hotel…

Alguns vídeos do Acoustica (made in Portugal) estão na secção “Vídeos”.

Enjoy

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Os Valores dos Homens

Desde pequeno, o meu pai ensinou-me que o valor de um Homem não se mede em função do património, do dinheiro ou das origens sociais, mas sim pelas qualidades humanas que cada um demonstra. Neste sentido, sinto-me privilegiado por conhecer pessoas cujos valores humanos estão acima de tudo e, embora tivesse minimamente consciência da minha sorte, só nos últimos dias realmente percebi o quão sortudo sou. Talvez a minha posição esteja errada mas acredito que tudo na vida é relativo. Relativo no sentido de que só podemos achar algo verdadeiramente bom se tivermos provado algo menos bom, que só podemos dar o verdadeiro valor de um bom momento se tivermos passado por um péssimo, etc.

E isto vem a que propósito?

Nos últimos dias, presenciei de forma totalmente impotente um acontecimento que vemos geralmente ser noticiado nos jornais ou nos programas da manhã da televisão nacional. Um fait-divers tristemente comum nos últimos anos, sendo que a história é sempre a mesma: um empresário foge para o estrangeiro deixando os funcionários da empresa em maus lençóis.

Desta vez, este fait-divers sucedeu na Póvoa de Lanhoso, numa empresa respeitada, presente há mais de 10 anos no mercado e que foi sempre sinónima de qualidade. Uma empresa cujo responsável perdeu totalmente a noção do que é ser um Homem e que pisou inúmeros valores. Assim, para além de não pagar os empregados há meses, para além de enganar e roubar clientes, para além de não pagar os fornecedores, esta imitação de Homem teve a covardia de não assumir os seus erros, de mentir descaradamente a todos e, talvez o mais grave, roubar a sua própria família, deixando pais, irmão, mulher e filha em situações mais do que difíceis.

Hoje, enquanto uns se unem para lutar pelos seus direitos junto do Tribunal do Trabalho, queria apenas testemunhar a minha compaixão e solidariedade para com esta família que foi enganada e, mais particularmente, ao pai que está de cama desde o dia em que o seu filho desapareceu.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Em Busca de Novos Desafios


Após dois anos e meio, decidi abandonar o cargo que ocupava na empresa onde trabalhava desde o final da licenciatura. Esta decisão não foi fácil tomar, pois investi-me num projecto no qual acreditei e acredito ainda hoje apesar das dificuldades que surgiram ao longo do caminho. Saio com a consciência de ter contribuído para o arranque desta empresa e de ter ajudado pessoas que me deram uma oportunidade e que considero hoje como amigos. A eles e aos meus antigos colegas de trabalho, desejo-lhes muitas felicidades para o futuro e espero que os bons momentos que vivemos juntos se repitam.
 
Em termos académicos, o primeiro ano do Mestrado em Economia Industrial e da Empresa chegou ao fim. Um ano que me surpreendeu por muitos motivos e que foi claramente positivo, tanto a nível dos conhecimentos adquiridos como a nível pessoal. Tive a sorte de fazer parte de uma excelente colheita e apesar de todos nos concentrarmos nas nossas teses a partir de Setembro, espero que possamos manter o espírito que nos caracterizou ao longo deste ano.
 
O presente passa então por dar um novo impulso à minha carreira profissional ao abraçar um projecto ambicioso onde consiga pôr em prática aquilo que aprendi ao longo dos anos e mostrar que sou um excelente profissional. Passa também por escrever uma tese de qualidade no âmbito de uma área que me interessa imenso. Por fim, e agora que a minha agenda está a ficar mais livre, vou dedicar mais tempo a mim próprio. Afinal também o mereço...
 
Vemo-nos por aí :-)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

1983


Em 1983, aconteceu/via-se/ouvia-se (ver os 3 primeiros minutos)...


E, há 27 anos atrás, pela hora do almoço (só podia, chama-se a isso destino...): Eu :-)

domingo, 1 de agosto de 2010

Artista do Mês: The Offspring

Meu querido mês de Agosto… Não, não se preocupem, não vou falar hoje de uma hipotética paixão que pudera ter para com o falecido Dino Meira. Nada disso! É só que o mês de Agosto tem um certo encanto: chegam os emigrantes que vos ensinam a falar “emigrês”, cheira a tempo de férias, diversão, praia e, como é óbvio, temos de adaptar as nossas bandas sonoras em função da estação. Que se lixem as músicas tristonhas dos dias de chuva, as músicas lamechas de Inverno que saboreamos aconchegados à cara-metade. O Verão pede música Rock, viva, mexida, dinâmica e, neste sentido, nada melhor que um som clássico vindo directamente da Califórnia e tocado por The Offspring.

Avisei que era um clássico… Aliás, esta banda tem quase a mesma idade do que eu, pois foi criada em 1984 por Dexter Holland et Greg Kriesel. Inicialmente, o nome da banda era Manic Subsidal e não era ainda composta por todos os elementos que conhecemos. Na composição da banda descobrimos que o Noodles foi escolhido não por causa dos seus talentos como guitarrista mas porque tinha 21 anos (idade legal para poder comprar álcool na Califórnia). E, depois de ter aprendido a tocar guitarra e com a chegada dos membros “definitivos”, a banda optou pelo seu derradeiro nome, em 1985. Logo a seguir, decidiram criar o seu próprio label musical (Black Label, em referência à cerveja do mesmo nome) e gravar o primeiro single intitulado I’ll be Waiting/Blackball.

Como era de suspeitar, os primeiros passos da banda foram difíceis, pois na altura ainda não se faziam bandas à pressão do tipo Tokio Hotel e só em 1992 é que os Offspring serão conhecidos, com o lançamento do álbum Ignition, sendo que este opus foi disco de ouro nos Estados-Unidos, na Austrália e no Canadá. A seguir a este álbum surgiu o famosíssimo Smash que lançou realmente a carreira da banda e que incluía títulos como Come Out and Play ou Self Esteem. No total, foram vendidos 16 milhões de exemplares o que foi (e talvez ainda seja) o récord de vendas para um álbum produzido por uma editora independente. Apesar de ter saído em 1994, continua a ser vendido e foi 6 vezes disco de platina nos Estados-Unidos.

Depois de Smash, a banda deixou o estilo puramente Punk para trás e começou por tocar músicas mais comerciais e o melhor exemplo disto é o álbum lançado em 1998 intitulado Americana que contém algumas das canções mais conhecidas do grupo como Pretty Fly (for a White Guy), Why Don’t You Get a Job? e The Kids Aren’t Alright. Virão a seguir os álbuns Conspiracy of One (Original Prankster, Want You Bad), Splinter (Hit That), Rise and Fall, Rage and Grace (Hammerhead, You're Gonna Go Far, Kid)

Para este ano estão ainda previstos um novo álbum cujo título You Will Find a Way deverá ser o primeiro single, e uma colectânea que incluirá, em princípio, conteúdos inéditos (remix, actuações ao vivo, etc.) e que está prevista para  este mês no Japão e cujo título seria Happy Hour.

Bendita a hora de ouvir novidades. Entretanto vamos matar saudades com alguns títulos apresentados nos vídeos…

Abraço

sábado, 24 de julho de 2010

Um "Bom" Exemplo de Tradução Automática

O café azul Jamaican da montanha é uma classificação do café crescida nas montanhas azuis de Jamaica. Os mais melhores lotes do café azul da montanha são anotados para seus sabor e falta suaves do bitterness. Sobre o último diversas décadas, este café desenvolveu uma reputação que lhe fizesse um do mais caro e procur-após cafés no mundo. Além a seu uso para o café brewed, os feijões são a base do sabor do liqueur de café de Tia Maria. Embora determinados lotes da montanha azul Jamaican têm sido por muito tempo o café o mais caro negociado, o pointu do bourbon do console de Réunion (um território francês ultramarino) surpassed esta marca em abril 2007. O café azul Jamaican da montanha é um meaning global protegido da marca de certificação que somente o café certificado pela placa da indústria do café de Jamaica possa ser etiquetado como esta''n. Vem de uma região crescente reconhecida na região azul da montanha de Jamaica e seu cultivation é monitorado pela placa da indústria do café de Jamaica que as montanhas azuis são ficadas situadas geralmente entre Kingston ao sul e Maria portuária ao norte. Levantando-se a 7.500 pés, são algumas das montanhas as mais elevadas nas Caraíbas. O clima da região é fresco e misty com rainfall elevado. O solo é rico com drenagem excelente. Esta combinação do clima e do solo é considerada ideal para o café. Reaping dos feijões é somente o primeiro estágio de uma operação involvida. Após reaping, o café é pulped e lavado em um pulperie e “no parchment molhado” esses os resultados são secados, curado, raded e classificaram então. Jamaica é um somente de alguns países worldwide que permite que “o parchment molhado” se sente e se envelheça para um mínimo de seis semanas para assegurar a consistência. Antes da exportação, o café submete-se então a medidas de controle da qualidade including as verificações e o copo da aparência que testam para assegurar a copo-qualidade dos feijões. O ato regulamentar da indústria do café especifica que café pode usar a montanha do azul da etiqueta. Adicionalmente, restringe o uso da marca registrada azul da montanha àqueles autorizada pela placa da indústria do café. Amplamente o discurso, o café colhidos dos parishes de Saint Andrew, de Saint Thomas, de Portland e de Saint Mary podem ser considerados café azul da montanha. Os limites específicos são definidos como segue: Começando por Skibo e procedimento em um sentido do leste-sul-easterly ao rio rápido; thence leste-sul-easterly a Chelsea; thence leste-sul-easterly a Durham (monte do Samba); thence sul-easterly a Belleview; thence sul-easterly ao longo da inclinação ocidental da montanha do corvo de John ao bosque do cedro; thence westerly ao monte da pia batismal; thence norte-westerly a Ramble; thence westerly à esperança boa; thence norte-westerly a Dallas; thence norte-westerly à vila da indústria; thence norte-westerly a Maryland; thence norte-westerly à mola dourada; thence northerly ao monte de Brandon; thence north-easterly ao Tranquility; thence leste-norte-easterly a Skibo. <1> Adicionalmente, somente o café crescido em elevações entre 3.000 e 5.500 pés pode ser chamado montanha do azul de Jamaica. O café crescido em elevações entre 1.500 e 3.000 pés é chamado montanha elevada de Jamaica, e o café crescido abaixo de uma elevação de 1.500 pés é chamado Jamaica supremo ou montanha baixa de Jamaica. (Toda a terra em Jamaica acima de 5.500 pés é um preserve da floresta, assim que nenhum café é crescido lá.) as classificações do café azul da montanha como com a maioria outras de variedades do café, lá são diversas classes atribuídas aos lotes diferentes, baseados em fatores tais como o tamanho, a aparência, e os defeitos permitidos. O ato dos regulamentos da indústria do café permite cinco classificações: No. azul da montanha. 1 - 96% dos feijões deve ter um tamanho de tela de 17/18. Não mais de 2% dos feijões têm defeitos significativos. No. azula montanha. 2 - 96% dos feijões deve ter um tamanho de tela de 16/17. Não mais de 2% dos feijões pode ter defeitos significativos. No. azul da montanha. 3 - 96% dos feijões deve ter um tamanho de tela de 15/16/17. Não mais de 2% dos feijões pode ter defeitos significativos. Montanha azul Peaberry - 96% dos feijões deve ser peaberry. Não mais de 2% dos feijões pode ter defeitos significativos. Montanha azul Triage - contem tamanhos do feijão de todas as classificações precedentes. Não mais de 4% dos feijões pode ter defeitos significativos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As Marés Negras Esquecidas do Delta do Nigér

Desde o mês de Abril, ouvimos notícias e intervenções frequentes do Presidente Obama na comunicação social acerca da catástrofe que está a acontecer no golfe do México, no seguimento da explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon da BP. Embora seja uma tragédia em termos ambientais, fico cada vez mais perplexo sobre a forma como as notícias são escolhidas e tratadas. Assim, gostava que alguém me explicasse quais os motivos que impedem a comunicação social de exercer as suas funções em relação ao que tem sucedido no delta do Níger há 50 anos, onde a quantidade de petróleo rejeitada pelas plataformas, oleodutos, e estações petrolíferas ultrapassa de longe tudo o que está a ser rejeitado nas costas da Louisiana.
 
A título de exemplo, no dia 1 de Maio deste ano, no estado de Akwa Ibom (sudeste da Nigéria), um oleoduto da Exxon Mobil rebentou e ocasionou uma fuga de cerca de 4 milhões de litros de petróleo, durante 7 dias, antes que esta fosse colmatada.

Com 606 campos petrolíferos, o delta do Níger fornece 40% do total das importações de petróleo dos Estados-Unidos. Neste contexto, a indignação dos habitantes daquela região é facilmente compreensível.
 
Este sentimento de injustiça é reforçado pela catástrofe humanitária que estes derrames de petróleo têm provocado na população local. Uma população rural cujo meio de sobrevivência consiste em trabalhar a terra e a pescar. Obviamente, com o petróleo a cobrir o mar mas também os campos antigamente férteis, dificilmente poderão ganhar dinheiro para viver. Outra consequência das fugas permanentes de petróleo passa pela falta de água. Por fim, a esperança de vida destes habitantes foi avaliada em 40 anos. Assustador…

Embora seja impossível medir a quantidade exacta de petróleo perdida no delta do Níger por causa da atitude do Governo e das petrolíferas que preferem ocultar esses dados, dois estudos independentes apontam para números surrealistas. Assim, fala-se que durante estes últimos quatro anos foram rejeitados, todos os anos, no mar e nos campos a mesma quantidade que foi rejeitada até Junho no golfe do México. Segundo o relatório da WWF, estima-se que 1,5 milhões de toneladas (o que corresponde ao equivalente de 50 marés negras como a provocada pelo petroleiro Exxon Valdez, no Alaska) foram rejeitadas ao longo dos últimos 50 anos. Em 2009, a Amnesty International avaliou a quantidade total de petróleo rejeitada em, pelo menos, 9 milhões de barris. Por fim, as autoridades nigerianas referenciaram mais de 7 000 marés negras entre 1970 e 2000.

O que motiva tal indiferença e injustiça? Porque razão uma catástrofe ambiental está a ser mais noticiada do que uma crise humanitária? Alguém que me explique, por favor…

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Vitória Espanhola e o Desenvolvimento Económico do País

A organização de um evento como um Campeonato do Mundo de futebol é, pelo menos a curto prazo, claramente positivo em termos económicos. Relativamente à equipa vencedora da prova, observamos alguma dificuldade em quantificar o impacto económico de uma vitória nesta prova tão prestigiosa. Afinal, não se trata apenas de uma estrela na camisola e, no caso espanhol, um dos países mais afectados pela crise económica, esta questão torna-se ainda mais interessante.

A equipa vencedora do Mundial 2010 representa, de facto, um dos países que tem sofrido imenso ao longo dos dois últimos anos por causa da crise económica mas, por outro lado, é o país que tem ganho grande protagonismo em termos desportivos, e não apenas no futebol. As imagens de vitória e de sucesso da Rioja, de Rafael Nadal, Fernando Alonso e afins, contrastam com os números do défice público (superior a 11% do PIB) e do desemprego (perto dos 20%). Estes dados foram esquecidos por muitos espanhóis durante o Mundial da África do Sul como se este campeonato fosse uma lufada de ar puro e, após um mês de hibernação, talvez esses possam ter finalmente razões para serem optimistas.

Num estudo intitulado Soccernomics, realizado antes do Mundial de 2006 na Alemanha, o banco ABN Amro tinha chegado à conclusão que o país vencedor da competição iria beneficiar de um bónus económico médio de 0,7% de crescimento no espaço de um ano. Por sua vez, o segundo classificado da prova viria o seu crescimento económico perder 0,3% em relação ao ano anterior. As únicas excepções a esta regra ocorreram em 1974 e 1978, anos em que venceram a Alemanha e a Argentina.

Em 1998, ano em que o mundial foi organizado e ganho pela França, o PIB daquele país disparou 5,97% no trimestre a seguir à final, sendo que o crescimento registado naquele ano foi de 3,3%. No que diz respeito à Itália, o país conheceu um aumento de 7,7% de crescimento no trimestre a seguir e 4,4% num ano. A pergunta é então: será que a Espanha, que espera uma contracção do PIB de 0,3% em 2010, vai seguir a tendência observada?

A priori, e embora os efeitos macro-económicos de uma vitória no mundial não devam ser subestimados, estes não serão suficientemente fortes para transformar uma recessão num forte crescimento. O mal espanhol é profundo e tem um problema na estrutura da sua economia. Assim, tanto para Juan Carlos Martinez Lázaro da IE Business School e Josep Maria Sayeras da Escade, o efeito positivo do mundial será meramente pontual, beneficiando da euforia de alguns consumidores. Em nenhum caso esta "simples" vitória desportiva será capaz de influenciar os mercados e substituir-se a uma reforma do mercado do trabalho, do sector financeiro e da luta contra o défice.

Contudo, segundo José Luis Zapatero, o sucesso da Rioja pode ser um bom impulso para melhorar a imagem da Espanha e dar confiança aos espanhóis. E, por fim, perguntou eu: Não estarão os mercados baseados na confiança?