domingo, 17 de janeiro de 2010

Estados da Morte

A Língua, ou melhor dizer, o uso da Língua é algo que me fascina principalmente quando está associada ao comércio e a técnicas de marketing ou de vendas.

No outro dia, comprei um insecticida da marca “Raid” contra moscas e mosquitos e, no recipiente, aparecem dois argumentos comerciais. O primeiro diz “Super Rápido” e o segundo diz “Mata-os bem mortos” (referindo-se aos insectos voadores).

Foi então na leitura deste segundo argumento que a minha mente começou a trabalhar. O que é que os técnicos/engenheiros/doutores da “Raid” entendem por “Mata-os bem mortos”? Talvez existam produtos da mesma gama dizendo “Mata-os mais ou menos mortos” e “Mata-os ligeiramente mortos”…

Será que os cientistas analisaram os cadáveres dos insectos para saber se eles estavam em estado de morte cerebral ou morte cardíaca para depois determinar um grau de morte? Não me cheira…

Sou uma pessoa que pensa de forma muito simples. Primeiro, penso que ou estamos mortos ou estamos vivos logo, e na minha opinião, esta frase é absurda. Segundo ponto, odeio quando os senhores do marketing escrevem frases deste tipo que, no final de contas, não são argumento comercial nenhum. Isto, caros colegas, é apenas a característica essencial do produto, a razão pela qual o consumidor vai comprá-lo.

É como se vocês estivessem a vender uma caneta e dissessem “Uma caneta que escreve”. A sério? Ela pode fazer isso? Não tem muita lógica pois não? Até acho que toda a gente iria rir-se. Mas pronto, eu não precisei desta caneta para me rir, o insecticida em questão chegou.

Se calhar, este insecticida tem um gás hilariante enfiado lá no meio e os insectos morrem de um ataque de riso. É pena eles não saberem ler, de certeza que ficavam de patas pró ar…

2 comentários:

JMEsteves disse...

LOL...
Repara que eles acabam por conseguir o que querem: as pessoas desesperadas querem um matador bem matador (lol) e levam a embalagem que o afirma e, para além disto, fazem com que outros falem do produto... Publicidade barata e eficaz ;)

Cristóvão disse...

Bem visto, agora sinto-me cúmplice lol... Mas isso é um exemplo claro de "mercantilização do discurso", um tema muito acarinhado pela Professora de Português do meu 2º ano, a ilustre Maria Emília Pereira :-)