domingo, 7 de fevereiro de 2010

Tuning e Saudosismo

Dizem que o povo Português é o povo da Saudade, um povo simultaneamente orgulhoso da sua História e triste por já não possuir o mesmo brilho e importância que tivera outrora. E este saudosismo é perpetuado de geração em geração e ninguém pode escapar. Ainda me lembro quando estudei a História de Portugal, do meu pai falar-me dos Descobrimentos e como Portugal tinha sido grande e importante no mundo, da forma como dominávamos os mares, etc. Claro que para ele a História de Portugal ficava por ai. Nunca me teria falado , por exemplo, da descolonização se eu não tivesse puxado a conversa...
 
Mas o saudosismo é algo que podemos observar não apenas na História nacional. Basta olharmos à nossa volta para percebermos isso.  Eu vejo saudosismo em todo o lado, até em ocasiões inesperadas... Se calhar até desenvolvi um síndroma de paranóia e deveria estar preocupado com isso mas pronto, a terapia fica para depois.
 
Alguns têm saudades do Estado Novo (apesar dos políticos que temos, ainda ninguém chegou ao calcanhar de Salazar), outros da Amália Rodrigues (até se tentou ressuscitar a lenda em vão), outros de ver o Eusébio marcar golos (o Mantorras prometeu mas não mostrou ser um bom substituto), etc.
 
Mas há outro aspecto que acho engraçado e tem a ver com os nossos automóveis. Não me estou a referir à idade média do parque automóvel nacional que poderia ser claramente o alvo de estudo do museu Fiat, tanto temos Fiat Tipo e Uno a circular pelas nossas lindas estradas. Gostava referir-me a outro aspecto: os autocolantes.
 
Sim, aqueles autocolantes vindos de tempo passados e que as gerações anteriores colocavam no vidro de trás. Os mais famosos são os da Radio Renascença, da Antena 1 e claro, o Vitinho. Já na altura perguntava-me o porquê daquela falta de gosto estampado numa viatura. Cheguei a pensar que os automobilistas recebiam dinheiro para fazer a promoção das marcas que passeavam. Mas parece que não é o caso... Qual era o orgulho de dizer "eu ouço a Antena 1" ou de mostrar à nação que o automobilista gostava de ver o Vitinho todos os dias antes de ir para a cama? Expliquem-me...
 
Mas tal como a Amália voltou a renascer das suas cinzas, a nova geração decidiu fazer melhor que os seus antepassados e desenhou autocolantes maiores, mais bonitos (tudo é relativo) e ainda mais estúpidos. Estou a falar dos autocolantes Tuning... Qual é a ideia de ter um autocolante gigante no vidro de trás que diga "The Punto Touch"? Por favor...
 
Aposto que nunca tinham pensado que esta azeitice fosse basicamente uma mera evolução de um dos principais traços característicos do nosso povo... Só mesmo eu para me lembrar disso lol

2 comentários:

Igor disse...

Gostei do texto e do ponto de vista. Nunca tinha pensado dessa forma... Mas o pior mesmo é as modificações físicas (entenda-se "de chapa") que fazem. Algumas até podem ser bonitas (o que também é discutível), mas vejo muitas que é pura parolice...

Cristóvão disse...

O tuning é uma ideia comercialmente muito interessante que foi finalmente aproveitada por algumas marcas de automóveis, como por exemplo é o caso do Mini, o novo Fiat 500, etc. Porém, o tuning é na sua essência, uma forma de personalização de um carro que, na minha modesta opinião, diz muita coisa acerca das ideias e dos gostos do dono. E às vezes, admito que me arrepio... Entre carros todos quitados que têm lugar na sucata, carros comerciais todos podres com sistemas de som de grande potência que prejudicam o desempenho dos faróis, e carros de baixa cilindrada com canos de escape de camião e com palas do tamanho de uma tábua de passar a ferro, confesso que não sei ao certo o que esta gente toma ao pequeno-almoço...