sexta-feira, 19 de março de 2010

Morcegos Enraivecidos

Hoje de manhã, li uma notícia num jornal Francês que dizia que temos uma hipótese em dez milhões de ser mordido por um morcego enraivecido. Bem, isto quer dizer que houve um ser humano que passou meses e meses (com computadores e tudo!) para chegar a esta conclusão. Parabéns! Eu, curioso como sou, até gostava saber como fez este desgraçado para determinar cientificamente que tínhamos TODOS, em média, uma hipótese em dez milhões de ser mordido por um morcego que tenha raiva.

Mas pronto, vamos admitir que este gajo é muito amigo de uma manada de morcegos enraivecidos, que os conhece há muito tempo e sabe como eles se comportam, até já apanharam uma borracheira juntos e que têm um grau de intimidade fora do comum. Vamos admitir isto…

Oh pah, sinceramente, acho muito mau chegar aqui este cientista e assustar o povo todo com, no final de contas, uma ÚNICA hipótese de ser mordido, deixando voluntariamente de lado as 9 milhões 999 mil e 999 outras de não ser mordido e de não morrer com abomináveis dores. Porque reparem bem, chega um ponto em que temos de ser lógicos.

Em França, morava em Paris, numa zona bastante tranquila no que diz respeito à densidade de morcegos por metro quadrado. Tou a falar a sério, era mesmo... Para além disso, morava no quinto andar de um prédio, com um código na entrada, um intercomunicador mais à frente, e um elevador. Eh eh, lixado para um morcego enraivecido não é... Podem ter a certeza que o morcego teria bastante trabalho pela frente antes de me morder...

Mas pronto, digamos que pode...

Digamos que aparece um morcego enraivecido à porta do prédio. Começa a tentar descobrir qual o código da porta de entrada, tenta e tenta e tenta e tenta e tenta e...descobre. Habemus morcego Mac Gyver… Bem, digamos que o morcego consegue abrir a porta do prédio feita em carvalho Francês e que pesa, assim ao olho, uma boa tonelada. Habemus morcego meio Mac Gyver, meio Hulk… Ele ainda tem de chegar ao intercomunicador, tocar à minha campainha (a minha e nenhuma dos outros 15 moradores do prédio), e de imitar a voz de um amigo meu. Habemus morcego meio Mac Gyver, meio Hulk e com um talento de imitador…

Digamos que estou de ressaca, não dormi nada e que decida de abrir o raio da porta. Ele ainda tem de usar o elevador (será que os morcegos sabem usar um elevador?). Mas pronto, sejamos lógicos, o morcego vai voar até ao quinto andar, usando as escadas. Vão me dizer que um morcego sobe 5 andares, passando despercebido quando se cruzar com alguém!? Não me parece... Digamos que ele não passou por ninguém. Não interessa, pois tenho um olho mágico na minha porta, logo não há perigo.

Digamos que chega ao 5° andar. O que é que me garante que ele vá bater à MINHA porta quando eu tenho mais 2 vizinhos no mesmo andar?

Digamos que bate à MINHA porta, ou melhor, toca à MINHA campainha. Bem, até agora não tenho sorte nenhuma, porque ele quer me morder a mim e mais ninguém! Raios partam os morcegos enraivecidos...

Digamos que, num acto de loucura, decido abrir a porta a um morcego cheio de baba nas beiças e que está a bater as asas freneticamente. O que é que me garante que o morcego vai me saltar ao pescoço??? Será que o morcego não vai estar cansado depois de tantos esforços (cerebrais e físicos, relembro que ele descobriu um código mais rápido que o Mac Gyver e que empurrou uma porta de uma tonelada)? Talvez tenha sede, talvez o convida a instalar-se no sofá e beber um RedBull. E é neste preciso momento que, eu Homem dotado de razão e de uma inteligência incalculável, vou à cozinha e, em vez de RedBull, saco uma espingarda de cano duplo.

Disparo!!! Raios, falhei!...quem me garante que ele não vai fugir pela janela para evitar levar chumbo nas asas???

Por isso, quando penso no outro estúpido que assusta toda a gente com estas histórias de morcegos enraivecidos, só me apetece espancá-lo…ou melhor, ir buscar uma lata de RedBull à cozinha. Na realidade, e pensando bem, o que ele diz pode ser muito perigoso. Por causa disso, uma pessoa ainda é sujeito a matar alguém. Imaginem que é o Batman que bate à minha porta!

Ah pois... Valia a pena pensar nisso…

domingo, 7 de março de 2010

African Rising

Existem poucos assuntos tão tabus como o que diz respeito às ajudas ao desenvolvimento de países ditos do “Terceiro Mundo”. Parece que pôr em causa a seriedade das instituições que todos os anos dão bilhões de euros ao continente africano é algo criminoso. Pelo menos, é esta a ideia que sobressai quando ouço políticos ocidentais.

Porém, uma economista da Zâmbia chamada Dambisa Moyo publicou, no ano passado, um documento extremamente interessante que denuncia por um lado a ineficácia das diferentes ajudas e, por outro lado, as consequências dramáticas que traz a péssima gestão destas mesmas ajudas.

A ideia dela, resumindo numa frase, seria basicamente promover um desenvolvimento baseado no comércio e na ideia de mercado. Ora esta ideia, que acho boa se for bem pensada, chamou-me à atenção por ter sido dado por uma economista africana e não um daqueles economistas que fala de um continente onde nunca lá pôs os pés e cuja opinião é guiada por dados estatísticos.

Dambisa Moyo revela que, durante os últimos cinquenta anos, o montante total da ajuda ao desenvolvimento vindo dos países ricos para África foi superior a um milhão de bilhões de dólares (é muita fruta…). Este número astronómico inclui dinheiro dado directamente mas também dinheiro emprestado com taxa reduzida. Actualmente, a ajuda ao desenvolvimento africano corresponde a 15% do PIB do continente.

Com este pressuposto, a economista coloca a seguinte questão: “Esta ajuda permitiu acabar com a pobreza ou pelo menos fazê-la recuar?” A resposta é claramente negativa segundo a autora.

Antes pelo contrário, a ajuda ao desenvolvimento incentiva a corrupção e permite a alguns regimes de se manterem de forma artificial, tal como um doente é mantido vivo artificialmente no hospital. Por causa dos montantes extremamente importantes, esta ajuda cria sentimentos de inveja entre os povos e entre etnias de um mesmo povo, conduzindo por vezes a uma guerra civil. A nível económico, a ajuda prejudica a competitividade dos sectores produtivos reduzindo a capacidade a exportar. Contribui também para que não exista privatização de empresas públicas mal geridas e que beneficiam de manas financeiras demasiado importantes.

Sendo assim, a autora sublinha que não é por acaso se entre 1970 e 1998 (período em que a ajuda foi a mais elevada), a pobreza passou de 11 a 66%. O que isso significa? Simplesmente que as ajudas impedem as iniciativas que visam a criar, inovar, evoluir, reformar e desenvolver. Esta ideia é geralmente descrita de outra forma: não me dês peixe, mas ensina-me a pescar.

Porém, será que acabar com estas ajudas não seria pior ainda? A autora não o acredita acrescentando que seria um ponto fulcral para que o continente africano se coloque de forma duradoura no caminho do crescimento durável.

Na base desta ideia está um ponto simples: todos os países que conheceram um desenvolvimento importante, em Europa, América ou Ásia, não devem estas performances às ajudas exteriores mas sim à capacidade que tiveram para criar riquezas.

A autora dá um exemplo claro disso sublinhando que há 30 anos para trás, o Malawi, o Burundi e o Burkina-Faso tinham um vencimento por habitante superior ao da China. Desde então, a China tem conhecido um crescimento duradouro porque consegui ser competitivo e consegui atrair investimentos exteriores (conceito bastante diferente da ajuda). Tal não acontece com muitos países africanos.

Metade da obra propõe soluções possíveis para o continente Africano se levantar. Uma ideia da economista baseia-se na abertura do continente ao comércio exterior e aos investimentos de outros países. Actualmente, o continente Africano representa 1% das transacções mundiais quando tem um mercado do tamanho do mercado europeu. Para tal, é indispensável um contexto político e jurídico estável, assim como a garantia de poder usufruir de direitos de propriedade.

Outra ideia: acabar com as ajudas que os governos europeus e americanos dão aos seus agricultores. Desta forma, os agricultores africanos poderiam aceder a um mercado internacional e viver do fruto do seu trabalho ao competir com as mesmas armas.

Por trás do conjunto das propostas adiantadas por Dambisa Moyo sobressai uma prioridade única: o respeito do direito de propriedade. Segundo ela, esta receita funciona, tal como o caso do Botswana o ilustra. Entre 1968 e 2001, o crescimento médio foi de 6,8% graças ao uso de políticas que favoreciam a liberdade económica: abertura dos mercados à concorrência internacional, política monetária não inflacionista, pressão fiscal moderada.

Com precisão e clareza, Dambisa Moyo mostra que não existe uma fatalidade em relação à África e que afinal, este continente, não precisa de ajuda financeira mas sim de apoio para implementar medidas úteis para finalmente acabar com a terrível noção do “Terceiro Mundo”.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Artista do Mês: AC/DC

Depois da Irlanda com os The Corrs e os U2, vamos atravessar o planeta rumo à Austrália para vos falar de uma das maiores bandas Rock: os AC/DC. Como podem ver, os meus gostos musicais são bastante heterogéneos…

A minha relação com esta banda começou em 1992 quando ouvi a cassete do concerto que eles tinham dado no ano anterior em Donington. Na altura, lembro-me que gostei dos ritmos, das guitarras ao rubro e, claro, da voz inconfundível do cantor. Pouco depois, vi o vídeo clipe de Highway to Hell filmado em Madrid, na Plaza de los Toros, e fiquei a perceber que uma coisa era ouvir, outra coisa era ver, e outra coisa seria seguramente assistir a um concerto deles.

Desde então, e salvo erro, ouvi todas as canções da banda. Porém, confesso que os álbuns nunca me provocaram as mesmas emoções que ouvi-los ao vivo. Foi assim que me prometi que um dia, teria de assistir a um concerto deles.

Esta promessa cumpriu-se no ano passado quando fui vê-los a Lisboa com um grupo de amigos. Podem ver as fotos deste mega evento na galeria mas a verdade é que as fotos só servem para recordar algo que vivemos. Em nenhum caso pode conservar ou comunicar o que sentimos naqueles instantes, por isso só vos digo uma coisa: assistam a um concerto deles, não se vão arrepender.

Deixo-vos em companhia de algumas músicas que contribuíram para criar a lenda desta banda mítica.