sexta-feira, 9 de abril de 2010

Filmes de Terror

Hoje, queria que meditassem sobre uma frase com um forte sentido, que é a seguinte: «Já não vou ver filmes de terror ao cinema, estou farto de ser chamado burro.» Forte, não é? Eu avisei… Mas qual a razão para isto? – perguntam vocês e bem. Passo a explicar...

Cada vez que vejo um filme clássico de terror, é sempre a mesma história. Não falha... É sempre uma dúzia de adolescentes que decide alugar uma casa isolada do resto do mundo, situada numa pequena ilha deserta, cercada por águas sombrias e coberta por um estranho manto de nevoeiro. É do tipo Mont Saint-Michel em versão Satânica.

Estão a ver o cenário? É exactamente o tipo de lugar onde nenhum de nós iria, mas este grupo decide alugar a casa.

Ah, por pouco ia-me esquecendo de um pormenor, mas que todos já suspeitavam: há 40 anos atrás, ocorreu um massacre sangrento naquela casa. Pois, claro! Mas, pelos vistos, o pessoal está-se nas tintas para isso! Têm todos por volta de 20 anos, querem armar-se frente às meninas, e toca a andar, alugam a casa.

O próprio preço da casa deveria chamar à atenção... Oh pah, cheira um coto mal: 20 euros por um fim-de-semana, numa casa que tem 30 quartos… É que nem sequer dá 1 euro por quarto... Deveria alertar para algum tipo de problema, não?! Que se lixe, alugam o raio da casa.

Bem, poupo-vos os pormenores em relação ao velho que leva esta cambada toda de barquinho para aquela ilha. Supostamente, o homem deveria ficar com eles na mansão mas, no último momento, ao cair da noite, o velhote pega nas suas perninhas e põe-se a mexer. Estranho, não é? Se há pouco cheirava mal, agora fede a bedum…

Mais estranho será ainda a hora a que a noite cai: 14h30! É a dita noite de terror, aquela escuridão propícia a qualquer acto paranormal e violento, simplesmente iluminado pela clareza de um triste luar... De certeza já repararam que, neste tipo de filmes, anoitece a qualquer momento (até várias vezes ao dia se for preciso). Basta ver o filme Drácula. Neste, está mais que visto que quem vai para aquela zona não pode ser para bronzear. O sol nasce sorrateiramente às 11h e a noite cai brutalmente às 12h30! Enfim…

Vinte minutos após o início do filme, ninguém ficará surpreendido por saber que já há 8 cadáveres espalhados pela casa! Nenhuma constipação, meningite, gripe ou queda nas escadas... Não, não, nada disso! São pessoas que morrem queimadas na chaminé principal da mansão, de pernas pró ar, acorrentadas, com as tripas a escorrer pelo corpo. São, no mínimo, 200 litros de ketchup e pedaços de carne humana espalhados por todos os cantos, gritos estridentes de dor, mais as frases satânicas desenhadas nas paredes com os dedos dos torturados. Um verdadeiro massacre...

Com esta visão de horror, o mais lógico seria instalar-se, no mínimo, um pouco de ansiedade entre os jovens… Digo eu… Mas não, que ideia... Não se passa nada. Tranquilos da vida, este está a ser um fim-de-semana espectacular. Enquanto houver cerveja e babes, ta-se bem!

Relembro os números: dos 12 membros do grupo inicial sobram 4 bestas, certo?

É exactamente neste preciso momento que o fisicamente mais dotado, o mais Rock'n'Roll, aquele que tem a fashion atitude, que geralmente é capitão da equipa de futebol da escola, se lembra de dizer aos outros três: «Ei, ouvi barulho no sótão... ou talvez na cave, que tal fazermos dois grupos de dois?»

Lamento, mas não!!! Ninguém faz grupos de dois nestas circunstâncias. Já houve 8 mortos!!! Isto de fazer grupos de dois fica para outra altura, caramba!

A verdade é uma: muitas vezes sabe bem fazer grupos de dois, palavra de homem… Ainda no outro dia fui ao Intermarché da terriola em hora de ponta. Fizemos dois grupos de dois: eu e o meu irmão no álcool, a minha cunhada e a amiga nos aperitivos. Deu para ganharmos cerca de um quarto de hora... Mas neste caso NÃO!!!

Não é por mal, mas se o meu grupo de 12 amigos se transformasse noutro grupo de 8 cadáveres, eu não me armava em gringo. Juntava mas é todo o pessoal na mesma divisão da casa, de costas uns para os outros, à volta de uma mesa, e com as lanternas todas ligadas (porque entretanto a luz avariou… Avisei que era um clássico). Nestas circunstâncias, será difícil o cameraman não apanhar o assassino...

Ah pois é… Queria aproveitar este momento para criticar quem está por trás da câmara, ou seja aqueles incompetentes, incapazes de filmar o homem por completo. É que, geralmente, só se vê uma mão a desligar a luz, uns pés a descer pelas escadas, uma sombra fugitiva… Se eu tivesse um cameraman desses num filme meu, seria logo despedido. Eu nem peço um zoom mas, pelo menos, uma vista de corpo inteiro.

É por causa de tudo isto que, nesse momento do filme, levanto-me e passo-me ao fresco! E gostava que toda a gente fizesse o mesmo!

Bem, não sei como acabou o maldito filme, mas imagino que os dois que estavam na cave foram assassinados de forma horrível, com ferramentas de jardinagem (pregos espetados nas mãos, nos joelhos, estrume enfiado pela garganta abaixo com minhocas e morcões a sair pela boca e pelas orelhas), e que os dois outros que estavam no sótão, por ouvir barulho, ou na cave, ou na garagem, decidiram fazer dois grupos de um, e morreram… Digo eu…

Agora, só nos resta esperar uns 40 anos para que outra cambada de adolescentes com vontade de fornicar um fim-de-semana inteiro se lembre de alugar aquele casarão e teremos então outra carnificina e o segundo volume da história. Porque nesses filmes há sempre uma parte 2, não percebo porquê…

E pronto, por todos estes motivos já não vou ver filmes de terror ao cinema. Estou farto de ser chamado burro…

Aposto que não chegavam lá sozinhos!

PS: Não tenho por hábito fazer dedicatórias mas hoje será uma excepção, pois este post é dedicado à Cristina...

1 comentários:

Simao M. disse...

Priceless!!!