terça-feira, 8 de junho de 2010

O Muro da Vergonha Argentino

No início do mês de Abril, em Buenos Aires, um muro começou a ser erguido entre um bairro pobre (San Fernando) e um bairro rico (San Isidro). Hoje, já nada sobra desta construção que suscitou a indignação da classe política e do povo.

Entre estes dois barros existe um abismo económico. Em San Fernando, 40% da população vive abaixo do limiar da pobreza enquanto em San Isidro, o vencimento médio dos seus habitantes é 27 vezes superior ao vencimento dos habitantes de San Fernando. Neste contexto, os habitantes de San Isidro conhecem um problema característico dos países do terceiro mundo: a insegurança.

Um estudo a nível nacional conduzido pelo Instituto Nacional contra a Discriminação a Xenofobia e o Racismo (INADI) entre Dezembro de 2006 e Julho de 2008, revela que cerca de 70% dos Argentinos “confessam ter raciocínios e comportamentos discriminatórios”, nomeadamente para com o grupo social mais pobre.

Logo, torna-se muito fácil associar a pobreza à miséria e à delinquência e, por fim, não se sentir em segurança, exigindo a construção de um muro de apartheid social.

Este caso suscitou o meu interesse por ter sido o Estado a mandar erguer este muro. Este mesmo Estado que deve, supostamente, estar ao lado do povo, permitindo um diálogo social e que deve elaborar políticas que possibilitam a integração dos mais pobres na sociedade. Ora, por causa da sua incompetência ou da sua impotência, o Estado renunciou a este papel e deixou que se criasse uma crise social ainda mais profunda.

Este tipo de prática não é recente. Todos sabemos o que aconteceu em Berlim, o que está a acontecer na Cisjordânia, em Belfast, nas favelas de Rio de Janeiro ou ainda na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

O mais perigoso nesta ideia de construir muros é que todos os especialistas em questões de segurança são unânimes em dizer que estas medidas são ineficazes. Na minha opinião, só servem para exacerbar um sentimento de injustiça que irá conduzir a uma extrema violência. Talvez seja a altura de pensar novamente nesta ideia antes que seja tarde demais, na Argentina e não só.

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