quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Vitória Espanhola e o Desenvolvimento Económico do País

A organização de um evento como um Campeonato do Mundo de futebol é, pelo menos a curto prazo, claramente positivo em termos económicos. Relativamente à equipa vencedora da prova, observamos alguma dificuldade em quantificar o impacto económico de uma vitória nesta prova tão prestigiosa. Afinal, não se trata apenas de uma estrela na camisola e, no caso espanhol, um dos países mais afectados pela crise económica, esta questão torna-se ainda mais interessante.

A equipa vencedora do Mundial 2010 representa, de facto, um dos países que tem sofrido imenso ao longo dos dois últimos anos por causa da crise económica mas, por outro lado, é o país que tem ganho grande protagonismo em termos desportivos, e não apenas no futebol. As imagens de vitória e de sucesso da Rioja, de Rafael Nadal, Fernando Alonso e afins, contrastam com os números do défice público (superior a 11% do PIB) e do desemprego (perto dos 20%). Estes dados foram esquecidos por muitos espanhóis durante o Mundial da África do Sul como se este campeonato fosse uma lufada de ar puro e, após um mês de hibernação, talvez esses possam ter finalmente razões para serem optimistas.

Num estudo intitulado Soccernomics, realizado antes do Mundial de 2006 na Alemanha, o banco ABN Amro tinha chegado à conclusão que o país vencedor da competição iria beneficiar de um bónus económico médio de 0,7% de crescimento no espaço de um ano. Por sua vez, o segundo classificado da prova viria o seu crescimento económico perder 0,3% em relação ao ano anterior. As únicas excepções a esta regra ocorreram em 1974 e 1978, anos em que venceram a Alemanha e a Argentina.

Em 1998, ano em que o mundial foi organizado e ganho pela França, o PIB daquele país disparou 5,97% no trimestre a seguir à final, sendo que o crescimento registado naquele ano foi de 3,3%. No que diz respeito à Itália, o país conheceu um aumento de 7,7% de crescimento no trimestre a seguir e 4,4% num ano. A pergunta é então: será que a Espanha, que espera uma contracção do PIB de 0,3% em 2010, vai seguir a tendência observada?

A priori, e embora os efeitos macro-económicos de uma vitória no mundial não devam ser subestimados, estes não serão suficientemente fortes para transformar uma recessão num forte crescimento. O mal espanhol é profundo e tem um problema na estrutura da sua economia. Assim, tanto para Juan Carlos Martinez Lázaro da IE Business School e Josep Maria Sayeras da Escade, o efeito positivo do mundial será meramente pontual, beneficiando da euforia de alguns consumidores. Em nenhum caso esta "simples" vitória desportiva será capaz de influenciar os mercados e substituir-se a uma reforma do mercado do trabalho, do sector financeiro e da luta contra o défice.

Contudo, segundo José Luis Zapatero, o sucesso da Rioja pode ser um bom impulso para melhorar a imagem da Espanha e dar confiança aos espanhóis. E, por fim, perguntou eu: Não estarão os mercados baseados na confiança?

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