sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Devaneio Bibliotecário

Em sete anos de vida universitária, nunca passei tanto tempo na Biblioteca Geral da Universidade do Minho (BGUM) como nas últimas semanas. Nem quando tive de realizar um trabalho sobre a economia dentro da literatura com dois colegas de licenciatura. Nem mesmo quando escrevi o relatório do meu estágio curricular. Talvez seja o sinal de uma certa evolução e maturidade académica. Ou não… De qualquer forma, ao longo das horas e tardes passadas sentado naquele local, vou observando várias coisas que me chamaram à atenção.

O primeiro ponto tem a ver com o facto do espaço da BGUM não ter evoluído ao longo dos anos. São sempre as mesmas estantes que parecem guardar os mesmos livros e estar a proteger as mesmas mesas e as mesmas cadeiras. É de referir que estas cadeiras não são amigas daqueles que gostam estar encostados, quase deitados, pois têm tendência em inclinar-se para trás de forma assustadora. Os alunos vão passando mas a BGUM resiste ao tempo, nem mesmo quando o número de alunos que frequentam o campus de Gualtar aumentou sensivelmente ao longo destes anos. Pelos vistos, uma ampliação está prevista. Já não era sem tempo, mas pronto, mais vale tarde do que nunca…

O segundo ponto vem na continuidade do primeiro e tem também a ver com o espaço da BGUM e mais concretamente com aquelas cabines que estão coladas às paredes e que permitem a um aluno trabalhar de forma isolada. Aliás, “isolada” não seria o termo correcto. Optaria antes por enclaustrado, porque aquilo parece mais uma cela do que um local de estudo. A não ser que estejam todos a ler um livro proibido, ou uma revista que não está presente no catálogo da biblioteca… Aliás, diz-se que muitas vezes, estas cabines não são usadas com finalidades de estudo teórico mas mais destinadas para trabalhos manuais. Não sei se é verdade ou não, nem se estou a ser muito claro mas pronto, não adiantarei mais nada sobre o assunto.

O terceiro ponto diz respeito à forma como os alunos se organizaram para reservar um lugar. Ora, pelos vistos, nada mais simples… Se fores um aluno que esteve a estudar de manhã, sozinho numa mesa, e queres voltar a ocupar exactamente o mesmo sítio depois de teres almoçado na cantina, teres tomado um café e fumado umas brocas na esplanada do CPIII, nada mais fácil, deixa uma caneta, uma folha ou, na loucura, um caderno em cima da mesa. Ninguém te irá tirar o lugar… Ninguém menos eu, porque passo-me com estas coisas e tenho o maior prazer em pegar nesta tralha toda, desfazê-la em mil pedaços e atirá-la pró lixo, principalmente quando se trata de um caderno cheio de exercícios científicos acabadinhos de fazer, onde ainda dá para notar as gotas de suor que caíram enquanto lutavas para encontrar a maldita solução. Que gozo... Porque, meus caros, há que ter um pouco de consideração para aqueles que também precisam trabalhar e que não podem estar na biblioteca às 9h em ponto. É uma questão de educação. Até parece que custa muito pegar no material todo, colocá-lo na mochila e voltar antes que haja a famosa enchente das 14 horas.

O quarto ponto é, sem dúvida, o meu preferido e tem a ver com os heróis que deixam os seus computadores em cima das mesas, como se nada fosse, enquanto vão almoçar ou tomar café. No meu tempo de licenciatura, nem se deixava uma Pen de 128Mb na mesa, mas agora, são computadores de topo, Pens de 8 e de 16 Gb, discos externos, Iphones, Ipods, e companhia limitada. Sim senhor, os tempos mudam. Mas o mais engraçado é quando este pessoal deixa o PC na mesa com a sessão terminada. Meus caros, desde quando “Terminar Sessão” é um sistema anti-roubo? Acordem pra vida…

Bem, já disse o que tinha para dizer e que me pesava na alma. A ver se para a semana há mais… E para quem quiser assistir a um workshop grátis intitulado “Como se comportar numa biblioteca”, é favor aparecer na BGUM, da Segunda a Sexta, a partir das 13h30.

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