quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Supermercados: Curiosidades e Comportamentos

Um dos meus amigos gosta estar sentado num café e observar as pessoas. Desta observação crítica nasceu uma série de crónicas que decidiu publicar no blog dele (http://lascasdeumarocha.blogspot.com/). Entendo a lógica do exercício que consiste em esmiuçar os gestos e as atitudes de pessoas que estão apenas de passagem num local banal. Por aquele sítio ser tão comum nas nossas vidas, creio que agimos sem pensar e acabamos por ser nós próprios, sem usar qualquer tipo de disfarce. Momentos raros…

Da mesma forma que podemos observar as pessoas num café, podemos derivar este exercício para outros lugares. No que me diz respeito, há muitos anos que me delicio e me divirto nos supermercados. Tal como acontece nos cafés, estes locais comerciais são frequentados por uma população totalmente indiferenciada o que torna a coisa mais gira. E ultimamente confesso que tem sido um período produtivo.

Tudo começou há algumas semanas quando eu estava a escolher um ambientador para o carro e um homem que desconhecia por completo meteu conversa comigo. Pelos vistos, desconhecia totalmente o que era e como funcionava um ambientador automóvel. Ao início, pensei que fosse uma piada mas percebi que não era o caso e, perante a ignorância do senhor, expliquei-lhe como funcionava. Algo simples dirão alguns mas na realidade nem por isso, pois o que parece óbvio para uns pode não o ser para os outros. Exemplificando, expliquei ao senhor que devia comprar uma recarga em função do modelo (referindo-me ao ambientador) ao qual respondeu-me prontamente que se tratava de um Golf IV GTI. Imaginem a minha cara ao ouvir a resposta… Contive-me, assumi o meu erro (pois devia ter explicado tudo desde o início sem presumir nada) e voltei a à carga para, ao fim de 10 minutos, o senhor optar pelo mesmo que eu. Foi também nesta altura que chegou a cara-metade do senhor com dois tapetes de automóvel nas mãos a perguntar-lhe qual seria o melhor. Ao ver isso e pensando que ainda poderia sobrar para mim, despedi-me deles…

Ontem, mais um caso engraçado… Os supermercados Intermarché usam, tal como outras grandes superfícies, o sistema do cartão de poupança. Ao comprar os produtos do folheto o consumidor acumula descontos no cartão e fica então muito feliz. Mais tarde, fazendo as contas, apercebe-se que se tivesse sempre feito as compras num supermercado da concorrência, teria poupado ainda mais. Pormenores… Ora acontece que eu estava a passar na caixa quando vi, numa caixa vizinha, uma senhora que estava a colocar as compras nos sacos. Foi nesta altura que a funcionária lhe perguntou se tinha o cartão Intermarché ao qual respondeu pela negativa. Mal tinha acabado de dar a resposta, a cliente por trás dela esticou o braço que tinha na extremidade o famoso cartão e pediu, caso não se importasse, para passar o dela, sendo que o pedido foi aceite. Ora, não é que seja um crime, a senhora até foi bem-educada mas admirei aquele à vontade. Efeitos da crise. Brilhante…

Na sequência deste episódio, abriu outra caixa e, tal como acontece sempre, as pessoas que estavam na fila noutras caixas precipitaram-se para ocupar o primeiro lugar. Isto, acho que toda a gente concordará que é uma falta de civismo e que se deveria manter a ordem. Aliás, para evitar estas situações, a Decathlon de Braga pede às pessoas para respeitarem a mesma ordem quando uma nova caixa é aberta. Já que as pessoas não o pensam, vamos avisá-las. Bem visto! Contudo, isto não aconteceu e um senhor passou à frente de muitas senhoras e começou então a peixeirada, umas argumentando que era falta de civismo, outra que era falta de cavalheirismo… Esta última fez-me rir: cavalheirismo na Póvoa de Lanhoso? Please… Minhas caras, esta espécie está em vias de extinção e há muito tempo. Onde é que, hoje em dia, se vê um homem ajudar uma mulher (independentemente da idade e da beleza) a pôr o cesto no tapete da caixa quando este está pesado ou deixá-la passar a frente? Mais, quantos homens conhecem que seguram nas portas ou acompanham uma mulher até ao carro ou à porta de casa? Meditem nisso e já agora, caso conheçam uma destas avis-rara, agarrem-na enquanto puderem!

Mas the best of the best dos supermercados deste tipo fica para além da caixa e trata-se do famoso expositor que contém CDs. Aquilo é algo absolutamente fantástico, pois trata-se mais de um relicário que outra coisa. Nunca repararam nos exemplares ali expostos? Ora observem bem. É o primeiro álbum do Tony Carreira, do Nel Monteiro ou do Quim Barreiros, álbuns de cantores de música pimba que vieram e desapareceram logo a seguir, é uma colectânea de folclore, outra de música Dance e, por vezes, até encontrámos umas cassettes antiquíssimas. Tanto essas como os CDs têm as suas capas desgastadas pela luz do sol, de tal forma que nem dá para distinguir bem as cores. Um verdadeiro museu urbano…

Bem, dito isso, vou às compras :-)

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