quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Voltar ao Passado

Hoje, tive de me deslocar até à EB 2,3 de Taíde (Póvoa de Lanhoso) para resolver um assunto junto da Direcção. Cheguei quando tinha começado o recreio da manhã, um momento desejado por todos, alunos como professores, e temido para quem tem de vigiar tanta gente. No meio da confusão criada por crianças histéricas a correr  e saltar de um lado para o outro, cheguei finalmente ao gabinete do Director.

A dada altura, alguém bateu à porta. O Director pediu para que a pessoa entrasse e foi assim que vi uma criança avançar timidamente, cabeça baixa, acompanhado por um amigo. Explicou que tinha sido empurrado por um rapaz e que caiu numa poça de água. Ao olhar para ele, observei que embora não estivesse muito molhado, tratava-se de uma situação bastante embaraçosa para ele e notei que ele fazia um esforço para não desatar a chorar.  Aquela ligeira vibração descontrolada do queixo não enganava ninguém... Poucos segundos depois, chegaram os amigos dele que comprovaram o que ele tinha acabado de dizer , chegando até a indicar o nome do culpado. O responsável máximo da escola resolveria a situação mais tarde e o rapaz foi convidado a secar-se junto de um aquecedor a óleo antes de voltar para a sala de aula.

Retomámos a nossa conversa e, passado pouco tempo, fomos novamente interrompidos por uma rapariga que precisava mesmo muito muito muito de ir para a sala dos computadores.  Devia provavelmente querer acrescentar um rapaz que conheceu a 5 minutos à sua lista de amigos do Facebook... Contudo, como tinha os phones do seu mp3 ligados, a verdade é que ela mal ouvia o Director falar, o que lhe obrigava a dizer “AH???” a cada vez que o senhor falasse para ela. Tal situação levou-a a levar um sermão sobre as regras de utilização deste tipo de aparelho.

Voltámos ao assunto até que uma empregada de limpeza apanhasse uma rapariga a desligar as luzes das salas de aulas por diversão (mais engraçado do que isso, só mesmo abrir e fechar as janelas). Outro raspanete do Director que a ameaçou de falar com o pai dela. Ameaça muito bem escolhida tendo em conta a reacção da rapariga.

Enfim, isto tudo para dizer que voltei largos anos atrás, sentindo-me (quase) velho. Outros tempos, outro lugar, outra língua, mas tudo continua na mesma. Tecnologias a parte, as crianças de hoje são como as crianças de há 20 anos. Continuam a fazer as mesmas asneiras, a jogar aos mesmos jogos e a serem felizes. Talvez hoje fosse uma excepção mas gostei ser iludido.

Por causa disso tudo, já quase nem me lembrava da razão da minha visita…

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