quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Aeroportos

Acabo de regressar de Paris e a pequena viagem que realizei fez-me pensar em pormenores relativos aos aeroportos que queria aqui partilhar.

Por exemplo, já repararam que fazemos o check-in de todas as nossas malas ao mesmo tempo, ou seja, a nossa bagagem vai toda juntinha para o avião. Porém, nunca aparecem juntas no aeroporto do destino. Porquê? Será que há um homenzinho escondido no porão dos aviões pago para misturar as malas, só para nos chatear? Será que é esta a profissão de eleição dos anões?


É que isto das malas estarem separadas cria uma situação fascinante nos aeroportos de destino. Quem nunca presenciou aquelas jogadas estratégicas que fazem os casais em frente ao tapete que passeia as malas pelo terminal? Eu já vi ene delas... É sempre o mesmo filme: a mulher vai junto à saída das malas e, mal vê o seu bem mais precioso, vira-se para o marido fazendo grandes gestos e, como as malas nunca vêm juntas, a vergonha repete-se várias vezes. E apesar disso tudo, no fim, há sempre uma mala que sobra e que passeia sozinha no tapete. Ninguém a quer, nem mesmo os empregados do aeroporto encarregues dos perdidos e achados. Estranho...

Ainda em relação às malas, fico sempre intrigado por ver algo que acho sobrenatural . Refiro-me às lojas que vendem malas nos aeroportos e que estão sempre desertas (porque será?). E o mais estranho é que isto não é uma excepção cultural portuguesa. Nunca repararam nisso? Será que existem realmente pessoas que chegam ao aeroporto com uma carrada de roupa nos braços, máquina de barbear na boca e escova de dentes ao dependuro numa orelha? Até gostava ver... Não digo que nunca vá acontecer mas seria algo extremamente raro e, se tal acontecesse, não seria melhor colocar estas lojas nas zonas abertas ao público em geral em vez de as encontrar apenas na zona reservada aos passageiros? Isto sou só eu a pensar alto...

A verdade é que, hoje em dia, se repararmos bem, viajar de avião tornou-se numa coisa absolutamente louca. São as hospedeiras que vendem raspadinhas ou cigarros que não fazem fumo, são os pilotos que dão informações super interessantes como, por exemplo, a temperatura exterior… Who cares?

Mas mais louco que isto tudo, só mesmo as condições de segurança. Toca a tirar os sapatos, a roupa, os olhos, os dentes, o cabelo… Tudo! Já ninguém fica surpreendido por ver alguém despir-se ou ser apalpado por todos os lados quando estamos na zona dos pórticos. Por vezes, também confesso que sabe bem (ai Praga...) mas adiante. Aliás, nos últimos tempos, a maior ameaça terrorista nos aeroportos têm sido as garrafas de água que somos obrigados a beber ou a deitar pró lixo antes de entrar no avião. Fogo, quando se sabe quanto custa uma garrafinha de água num aeroporto, é frustrante. O viajante deveria poder saboreá-la… 

Enfim, era só um devaneio...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Fuck Valentine's Day

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Prazer dos Grandes Homens...


Blaise Pascal disse que o prazer dos grandes homens consistia em tornar os outros mais felizes. Esqueceu-se de acrescentar que, por vezes, tentar fazer os outros mais felizes pode deixar-nos com um sabor amargo. O altruísmo tem um preço… 

Por isso, hoje, vou me refugiar em Pessoa quando escreveu que o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Por trás do Milagre dos Agrocarburantes

Araçoiaba, a região do ethanol, situada a Nordeste do Brasil conhece uma rotina perfeitamente controlada desde que este país decidiu tornar-se na Arábia Saudita do ethanol.

Tudo começa a meio da noite, com as plantações a arder, pintando o céu de vermelho. De madrugada, quando as chamas desapareceram e deixaram apenas brasas, chegam os trabalhadores. Milhares de homens, machada na mão, começam a cortar as canas deitadas no chão calcinado. Estas canas serão usadas para criar o famoso ethanol, o combustível do futuro.

O ethanol, para quem não sabe, é um álcool produzido a partir da cana-de-açúcar e que deverá assegurar um grande futuro ao Brasil e ao resto do planeta. Neste momento, o Brasil produz 26 mil milhões de litros por ano e espera chegar aos 53 mil milhões em 2017. Actualmente, cerca de 30 países misturam gasolina com ethanol. Os Estados Unidos pretendem responder a 15% da sua procura em carburantes com agrocarburantes até 2012. Por sua vez, a União Europeia deseja que cada litro de gasolina vendido seja constituído por 10% de ethanol até 2020.

O antigo Presidente Lula da Silva, grande político socialista teve uma grande ideia: a criação de uma cintura a nível do Equador para ligar os países do terceiro mundo em volta da cana-de-açúcar que cresce nos países tropicais. Assim, os pobres do planeta poderiam fornecer ethanol graças ao savoir-faire brasileiro. Uma espécie de OPEP de agrocarburantes seria criada que permitiria a estes países de se tornarem ricos e de ajudar a salvar o planeta. Este Lula da Silva é fantástico não é? Que visão…

Agora, deixem-me vos apresentar outra visão, não uma visão futurista mas sim uma visão mais terre à terre.

No total, são cerca de um milhão de trabalhadores que vivem neste universo, nas plantações ou nas fábricas de ethanol. Muitos destes vivem e sofrem como viveram e sofreram os seus antepassados: os escravos que trabalhavam nas plantações de canas-de-açúcar.

Nestas plantações, a Lei civil é ignorada e é substituída pela lei de milícias que usam a força para intimidar os trabalhadores e para expropriar pequenos camponeses graças aos seus bulldozers, em prol de uma visão económica.

Todos nós sabemos o que implica o trabalho de campo como escravo e não irei comentar sobre esta questão. Deixo aqui um link de interesse que vos permitirá meditar sobre este assunto: http://outrapolitica.wordpress.com/2010/07/22/trabalho-escravo-cresce-no-mesmo-ritmo-do-etanol/

Não me considero um grande socialista como o antigo Presidente Lula da Silva mas gostava que, de uma vez por todas, a inovação não fosse associada à regressão no que diz respeito aos Direitos do Homem. Afinal, o que está escrito na bandeira brasileira? Não será Ordem e Progresso?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Artista do Mês: Bryan Adams

Não sei explicar porquê mas associo inevitavelmente o mês de Fevereiro à S. Valentim. Nem me passa pela cabeça recordar que é o mês do ano com menos dias, nem que é o mês de aniversário de um primo e de várias amigas. Não, nada disso, penso no dia dos namorados. Quem disse que o marketing não funcionava? Logo, e como era de ser, este artista do mês é dedicado a um dos artistas internacionais mais românticos de sempre: Bryan Adams.

Meninas, confessem… Aquelas baladas, aquela voz rouca, o olhar de cachorro abandonado. Tudo está reunido para fazer dele um artista “para gajas”. Mas isto seria caricaturar este grande senhor da música, pois Bryan Adams não é apenas isso. Poderíamos dividir a carreira dele em dois grandes momentos que corresponderiam as décadas de 80 e de 90.

A primeira seria a década do nascimento de um novo artista no palco mundial que lançaria dois álbuns sem conhecer grande sucesso até editar, finalmente, o álbum Cuts Like a Knife (1983…ano maravilhoso!). Deste primeiro disco, salientarei aqui o título epónimo, Straight From my Heart e I’m Ready. Logo a seguir, em 1984, a ascensão do cantor continua com o famosíssimo Reckless. Famoso não tanto pelo nome do álbum mas por uma das músicas presentes Summer of ’69 que é, penso eu, A múscia do Bryan Adams. Para além desta, encontramos ainda títulos como One Night Love Affair, Run to You ou Heaven. Com este dois álbuns, o cantor canadiano afirma-se como uma referência a nível mundial, o que o leva a dar concertos nos quatro cantos do planeta e enchendo salas míticas como o estádio de Wembley.

A década de 90 continuará num ritmo crescendo, pois Bryan Adams edita em 1991 o álbum Waking up the Neighbours que incluirá os títulos Can’t Stop this Thing We Started e acima de tudo, o famoso (Everything I Do) I Do It For You. Quem ainda não conhecia o cantor, ficou a conhecê-lo por causa do filme Robin Hood no qual (Everything I Do) I Do It For You fazia parte da banda sonora. Para aproveitar esta onda de sucesso será lançado um Best Of com um inédito Please Forgive Me e uma digressão mundial de dois anos.

Os anos 2000 são claramente mais calmos, com dois álbuns Road Service em 2004 e 11 em 2008.

Em paralelo a esta carreira de músico, Bryan Adams é também fotógrafo. Entre as várias fotografias que compõem o seu portefólio, podemos salientar os retratos da Pink e da Hillary Clinton que podem ser vistos na sua colectânea que foi comercializada em 2007. Algumas das suas obras podem ser vistas aqui.

Por fim, é importante salientar a ligação que existe entre Bryan Adams e o nosso lindo país, pois viveu cinco anos perto de Lisboa enquanto o pai era Embaixador ,o que lhe permitiu aprender a língua de Camões. Talvez seja por esta razão que o último álbum foi apresentado ao vivo em Lisboa, no Maxime.

Como sempre, deixo na categoria “Vídeos” algumas actuações do cantor assim como alguns videoclipes. Meninas, controlem-se, por favor ;-)