sexta-feira, 24 de junho de 2011

Facebook Addict

Há cerca de um mês, por razões que ainda hoje me escapam, tive de criar uma conta Facebook e isto, meus caros, mudou radicalmente a minha vida. Na realidade e para ser totalmente sincero, nem sei como pude viver tanto tempo sem esta ferramenta absolutamente deliciosa. Hoje, graças ao Facebook, sinto-me bem, em paz comigo e em fase com o mundo.

 
Brincadeiras a parte, descobri no espaço de poucos dias, que tinha mais amigos do que pensava. Ou pelo menos, mais do que a minha lista de contactos telefónicos… Estranho, não? Na primeira hora, e a título de exemplo, recebi mais de 30 emails provenientes de pessoas que desesperavam por ser amigas minhas. Até cheguei a pensar que tinha sido criado o concurso “Quem será o primeiro amigo virtual do Cristóvão”. Quase me sentia importante… Mas o mais estranho é o facto de receber pedidos de amizade de pessoas que desconheço por completo. Suponho que isto já tenha acontecido a todos, principalmente no caso de meninas, pois os homens têm a miserável tendência de saltar em tudo o que aparenta ser do sexo oposto, inclusive, e ainda mais, na Internet.

Foi assim que no outro dia uma “rapariga” enviou-me um pedido de amizade e, por mais estranho que pareça, não me lembrava do nome dela. Optei então por ver a fotografia do perfil e, claramente, não conhecia aquela pessoa. Quase saltava de horror em frente ao meu PC, pois não sabia que os extra-terrestres também tinham acesso ao Facebook, porque aquela criatura mais parecia um Gremlin no seu estado “nada fofo” do que um ser humano. E, partindo do princípio que ela escolheu a foto mais vantajosa para colocar no perfil, tudo indica que me iria assustar mais algumas vezes caso aceitasse o pedido dela e visse as outras fotografias: Gremlin “nada fofo” a rir, a comer, a beber uns canecos ou, pior ainda, Gremlin “nada fofo” de bikini ou com outras amigas Gremlin “nada fofas”…

Outra coisa que me fascinou com o Facebook e embora já a soubesse é que existem pessoas que estão ligadas em permanência e que adoram contar ao mundo o que elas estão a fazer. E desta observação nascem situações estúpidas. Por exemplo:
   “10h51: X tem fome”;
   “10h57: X come um pacote de bolachas”;
   “11h05: X já não tem fome”

Uau… Só falta “11h06: X deu um arroto” para acabar a sequência em beleza.
Mas neste caso, o pior do pior são as pessoas que gostam ou que comentam a informação:
   “Não tomaste um bom pequeno-almoço?”
   “Bom apetite!”
   “Que bolachas estás a comer?”
   “Estas bolachas têm muitas calorias?”

E, por fim: “Oremos” ou “Quem arrota pede piroca” ou “Os porcos também são filhos de Deus”. É claramente com este tipo de informações que me sinto melhor e que o meu dia fica mais alegre.

O Facebook tem no entanto algo positivo. Falo por mim, mas inscrever-me no Facebook permitiu-me reflectir sobre a minha vida, as minhas relações, etc. Um verdadeiro trabalho de psicanálise realizado em poucos segundos quando comecei a preencher o perfil e, em particular, quando cheguei à parte onde é pedido para assinalarmos o nosso estatuto matrimonial. Como não existia a opção “uma valente merda”, optei pelo estatuto mais próximo: “solteiro”. Vai quase dar ao mesmo…

Mas é óbvio que as pessoas criam uma conta no Facebook para apenas uma coisa: a cusquice. Há aqueles que colocam fotos aos montes para dizer “olhem para mim como sou fixe, tenho ene fotos minhas a passear, a andar nos copos, etc.” (eu sou claramente um desses “mete nojo”) e temos o outro grupo que fica a salivar ao ver as fotos de sítios, momentos ou pessoas que fazem parte da vida dos outros. Resumindo: frustrados…

O mais chato com estas fotos é que nem sempre somos nós a colocá-las online, não é verdade? Basta um “amigo” pôr fotos na página dele e identificá-lo a si que um drama pode ocorrer, pois estas fotos vão directamente parar na sua própria página, sendo que toda a gente fica a par disso. Imaginem o que é o seu patrão ver fotos do empregado do ano a fazer cenas ou, (talvez) pior, a sua namorada ver fotos do seu amor lindo e fofo num bar de strip-tease com os amigos de faculdade. Estão a ver o filme, não estão? Basicamente, o tipo de fotos que nunca queria que aparecessem na praça pública mas que os seus “amigos” acharam giro colocar online, e visíveis para todos. Resumindo, é como se um ladrão se tivesse introduzido na vossa casa, roubando fotografias suas e as deixasse na mesinha de cabeceira da sua namorada. Com amigos assim, já não é preciso arranjar inimigos…

O Facebook também revolucionou a nossa maneira de nos divertir. Bem, antes de criar a minha conta, gostava de ter passatempos reais, do tipo jogar futebol. Falava com alguns amigos, juntavam-se 10 rapazes com um QI entre 30 e 50 e tínhamos uma dream team. Mas agora não porque existem os passatempos virtuais disponíveis no Facebook como, por exemplo o Farmville. Um jogo que, pelos vistos, é super fixe e super viciante e que consiste em reproduzir virtualmente o que qualquer agricultor faz na realidade na sua horta, ou seja, apanhar batatas, semear, lavrar a terra, etc. E, cúmulo do cúmulo, temos de respeitar um horário bem estabelecido senão o que cultivamos pode apodrecer, daí assistirmos a cenas tristes como por exemplo, alunos semearem batatas no café antes de ir para a Universidade para, durante a aula, poder apanhá-las. Engraçado, não é?

Mas há pior… Querem ver? Pior do que tudo, só mesmo ao Sábado à noite ver pessoas no Carpe Noctem (um bar de Braga) estarem a jogar Farmville à 1h da manhã em vez de conviver com os amigos e viver uma vida bem real.

Resumindo e concluindo: Menos, por favor…

sábado, 18 de junho de 2011

Irlanda

A Irlanda é, no meu entender, um país de contrastes. Por um lado temos a Irlanda que nos apresenta os filmes de Hollywood, ou seja uma terra onde o verde é a principal cor, onde as pessoas orgulham-se de ser Irlandeses e estão sempre bem-dispostas, e onde o folclore está bem presente. E, por outro lado, existe um ovni nesta paisagem que responde ao doce nome de Dublin. Esqueçam o sossego das planícies e das colinas! Dublin é uma pequena cidade que ferve no final do dia, quando os pubs abrem as suas portas ao mundo.

Confesso que estava com algum receio antes de viajar para a Irlanda. Tinha medo de chegar lá e verificar que as imagens semeadas aqui ali pela indústria cinematográfica americana eram falsas. O cinema tem tendência em tornar tudo bonito, vender sonhos, sendo que criamos expectativas altas e, por vezes, ficamos desiludidos. Mas desta vez, tal não aconteceu e a Irlanda é, sem dúvida, um país lindo. Uma excursão de um dia rumo às falésias de Moher, passando nomeadamente por Limerick e Gallway permitiu fazer um curto apanhado do que é este país e, acima de tudo, de encher o olho. Estas famosas falésias, candidatas às 7 Maravilhas do Mundo, são incrivelmente esplendorosas. Dominar o mar de tão alto e ver aquela imensidade por baixo dos nossos pés faz com que nos sintamos ridiculamente minúsculos. É uma sensação incrível…


Bastante tempo antes de rumar para a Irlanda, pensei que esta viagem seria apenas e exclusivamente dedicada a Dublin. Só depois de fazer uma pesquisa pormenorizada cheguei à conclusão que a cidade era pequena e que o mais provável seria visitar o essencial em dois dias. Contudo, não é por ser pequena que esta cidade deixa de ser interessante, antes pelo contrário. Mas a verdade é que de Dublin, irei essencialmente recordar para muitos anos o que vivi à noite no famoso Temple Bar.

Temple Bar é o nome de um pub mas também da zona mais animada de Dublin. Um espaço dedicado à música, à boa disposição e à festa (bem regada, de preferência), sendo que esta combinação funciona lindamente no cenário que são os bares tradicionais irlandeses. Em termos de música, cada esquina é aproveitada para se tocar guitarra, violino, ou qualquer outro instrumento. Todos os bares onde entrei propunham música ao vivo tocada por artistas talentosos, acompanhados por guitarras, e que se davam ao luxo de tocar canções pouco prováveis naqueles sítios (o genérico de Baywatch, Eye of Tiger, por exemplo) mas que toda a gente entoava com alegria e boa disposição. Em paralelo, tocavam-se também canções típicas como Whiskey in the Jar ou outras que nunca soube o nome :-)

Por estar longe de casa, num ambiente totalmente diferente, acho que as pessoas acabam por se soltar mais facilmente e deixam-se levar pelo espírito festivo daquele sítio. Assim, podemos em poucos minutos conhecer pessoas vindo dos quatro cantos do mundo, trocar impressões, brindar e imortalizar este espírito com uma fotografia.

Resumindo: uma experiência fantástica a 2h30 do Porto. Aproveitem e entretanto desfrutem das fotos que vou colocar aqui ao lado.

Abraço

sábado, 4 de junho de 2011

Hamza Ali Al-Khateeb

Hamza Ali Al-Khateeb, o jovem rapaz de 13 anos, torturado e assassinado pelo regime Sírio tornou-se em poucos dias o símbolo da revolta do povo contra Bashar Al-Assad. Porém, não nos podemos esquecer que o caso desta criança não foi um caso isolado, pois segundo a Unicef pelo menos 30 crianças morreram por causa da repressão cada vez mais sanguinária exercida naquele país.

Mas voltemos ao caso do jovem Hamza Ali Al-Khateeb, que foi preso no dia 21 de Abril durante uma manifestação contra o regime de Bashar Al-Assad e cujo corpo foi devolvido aos pais no 25 de Maio. Neste post, gostava salientar dois aspectos que acho extremamente importantes.


O primeiro é que este acto de barbaridade não foi o resultado de uma sucessão de erros ou de acções descontroladas por parte das autoridades. Antes pelo contrário, trata-se de um acto reflectido e até mesmo premeditado. Em consequência, é essencial entender que existe uma vontade forte por parte do regime de aterrorizar a população.

O segundo aspecto tem a ver connosco, países ocidentais e os nossos dirigentes que gostam mostrar ao mundo que são moralmente e eticamente impecáveis. Ora, não consigo esquecer-me que o Presidente Sarkozy recebeu Bashar Al-Assad nas cerimónias do 14 de Julho e em Dezembro do ano 2008 no âmbito de visitas oficiais. Da mesma forma, não posso apagar a imagem do Coronel Kadhafi quando este foi recebido pelo mesmo Presidente, em Paris, em 2007.

Mais do que a questão do comportamento dos políticos ocidentais, gostava também informar as pessoas que, durante a visita de Bashar Al-Assad a Paris, os media saudaram a modernidade do político e o seu gosto pela cultura. Caros amigos jornalistas, não é por um monstro gostar de Arte que ele deixa de ser um monstro capaz de torturar e assassinar crianças.

As pessoas como Bashar Al-Assad são seres desprezíveis e as supostas nações civilizadas nunca deveriam, devem ou deverão recebê-las, nem fazer negócios com elas, colocando deliberadamente a moral de lado e fechando os olhos sobre uma terrível realidade.

إن شاء الله

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Artista do Mês: Dido

Já falei aqui de artistas que aparecem, causam uma excelente impressão e, de repente, desaparecem sem nunca mais ouvirmos falar neles. Não venho aqui falar de bandas como os Aqua que se tornaram “tristemente” famosos por causa de uma música, arruinando ao mesmo tempo a infância de milhões de crianças pelos quatro cantos do mundo. Reparem que coloquei a palavra “tristemente” entre aspas porque, na realidade, soltei umas gargalhadas bem alegres ao ver o videoclipe. Enfim, voltemos ao tema inicial… Quando falo de artistas/bandas de tipo cometa de Halley, refiro-me a casos mais chocantes. E hoje, decidi falar do caso Dido.

Dido é para mim um mistério na indústria da música, pois trata-se de uma cantora que vendeu milhões e milhões de discos com apenas dois álbuns e, desde então, nunca mais se ouviu falar nela. Na realidade, estou a mentir, porque houve um terceiro álbum que foi lançado em 2008 mas quem se lembra de algumas das músicas que faziam parte deste CD? Mas comecemos pelo início antes que comece aqui a divagar…

O início passa obrigatoriamente pelo nome da cantora, pois Dido não é um diminutivo ou um nome usado em palco. Já agora, ficarão a saber que o seu nome completo é Dido Florian Cloud De Bounevialle O'Malley Armstrong. Ou seja, um nome perfeitamente Britânico e comum no Reino-Unido, não é verdade? Imagino uma infância infeliz na escola por causa deste nome vindo de outro planeta ou de outros tempos… Para os mais curiosos, o "Dido" é a forma Latina do nome da fundadora e primeira rainha de Cartagena. Um pouco de cultura nunca fez mal a ninguém…

Voltando novamente ao assunto, Dido é uma cantora Inglesa que, desde criança, esteve envolvida no mundo das Artes, pois o pai era agente literário enquanto a mãe escrevia poesia. Talvez seja por isso que encontramos letras muito inspiradas nalgumas das suas canções. Sou daqueles que acha que nada acontece por acaso… Com apenas 6 anos, a Dido é admitida na Guildhall School of Music de Londres e é nesta conceituada escola que ela irá aprender a tocar vários instrumentos, tais como a flauta, o piano e o violino. Aos 10 anos, estes instrumentos são perfeitamente dominados e embora gostasse tocar música clássica, decidiu optar por outra via por volta dos 16 anos, ao descobrir a cantora de Jazz Ella Fitzgerald. Boa referência…

Pouco a pouco, Dido começa a revelar a sua voz quando canta algumas músicas dos Faithless, a banda onda toca o seu irmão (Rollo Armstrong). E foi neste contexto que ela foi “descoberta” e contratada por Clive Davis, o fundador da editora Arista Records, em 1997. Pouco tempo depois, em 1999, é lançado o CD promocional intitulado The Highbury Fields que tinha como objectivo promover a cantora junto das rádios, sendo que para tal disponibilizava quatro canções que estarão presentes no álbum No Angel (Here With Me, My Lover's Gone, Hunter e Honestly OK). Escusado será dizer que este CD promocional é uma peça de colecção…

Como o contrato assinado com a Arista abrangia apenas os Estados-Unidos, o álbum No Angel será lançado, num primeiro tempo, do outro lado do Oceano Atlântico. Destino ou não, este facto será importante, pois foi provavelmente por esta razão que Eminem descobriu a cantora e realizou um sample do título Thank You, mais tarde intitulado Stan. Esta colaboração deu à Dido uma notoriedade mundial, fazendo com que fosse conhecida e adorada pela Europa. No mesmo tempo, é importante salientar que o primeiro single do álbum, Here With Me, era também um grande sucesso por ter sido escolhido como o genérico da série Roswell.

Com este primeiro sucesso, chegou o tempo de escrever um novo álbum que será lançado em 2003 com o nome de Life for Rent. Ao contrário de muitos artistas que não conseguem confirmar o seu talento, este segundo CD será outro grande sucesso e na continuidade de No Angel. A voz da Dido continua linda e cativante, observamos um grande trabalho realizado a nível da instrumentação o que torna o álbum mais íntimo. Recomenda-se… No seguimento destes dois sucessos, chegou o tempo dos concertos nos quatro cantos do mundo e a época das colheitas de recompensas musicais.

E finalmente, chegamos ao terceiro álbum que, devo confessar, desconhecia por completo e que descobri estes últimos dias. A voz continua a mesma mas a música é diferente, pois os instrumentos electrónicos foram colocados de parte para deixar lugar a instrumentos tradicionais. Intitulado Safe Trip Home, este álbum é lançado no final de 2008 e não fez o objecto de uma promoção habitual (rádio, vídeos, aparições TV), optando-se então por concertos acústicos, mais em adequação com o carácter intimista das canções. Pessoalmente, não gostei muito, prefiro de longe os seus predecessores.

Contudo, e poucos meses após o lançamento deste terceiro álbum, a cantora anuncia estar a trabalhar num novo CD, indicando que voltará a utilizar sons electrónicos e que este será provavelmente lançado em 2011. Desta notícia, deduzo que não sou o único a não ter apreciado o terceiro opus. Fico então a aguardar… Entretanto, tive de me contentar com uma música presente na banda sonora de Sex and the City 2 (Everything to Lose) e outra no filme 127 Hours (If I Rise).

Daqui o lançamento do novo álbum, aproveitem para (re)descobrir uma grande e belíssima cantora com os vídeos aqui ao lado.

Abraço