quarta-feira, 1 de junho de 2011

Artista do Mês: Dido

Já falei aqui de artistas que aparecem, causam uma excelente impressão e, de repente, desaparecem sem nunca mais ouvirmos falar neles. Não venho aqui falar de bandas como os Aqua que se tornaram “tristemente” famosos por causa de uma música, arruinando ao mesmo tempo a infância de milhões de crianças pelos quatro cantos do mundo. Reparem que coloquei a palavra “tristemente” entre aspas porque, na realidade, soltei umas gargalhadas bem alegres ao ver o videoclipe. Enfim, voltemos ao tema inicial… Quando falo de artistas/bandas de tipo cometa de Halley, refiro-me a casos mais chocantes. E hoje, decidi falar do caso Dido.

Dido é para mim um mistério na indústria da música, pois trata-se de uma cantora que vendeu milhões e milhões de discos com apenas dois álbuns e, desde então, nunca mais se ouviu falar nela. Na realidade, estou a mentir, porque houve um terceiro álbum que foi lançado em 2008 mas quem se lembra de algumas das músicas que faziam parte deste CD? Mas comecemos pelo início antes que comece aqui a divagar…

O início passa obrigatoriamente pelo nome da cantora, pois Dido não é um diminutivo ou um nome usado em palco. Já agora, ficarão a saber que o seu nome completo é Dido Florian Cloud De Bounevialle O'Malley Armstrong. Ou seja, um nome perfeitamente Britânico e comum no Reino-Unido, não é verdade? Imagino uma infância infeliz na escola por causa deste nome vindo de outro planeta ou de outros tempos… Para os mais curiosos, o "Dido" é a forma Latina do nome da fundadora e primeira rainha de Cartagena. Um pouco de cultura nunca fez mal a ninguém…

Voltando novamente ao assunto, Dido é uma cantora Inglesa que, desde criança, esteve envolvida no mundo das Artes, pois o pai era agente literário enquanto a mãe escrevia poesia. Talvez seja por isso que encontramos letras muito inspiradas nalgumas das suas canções. Sou daqueles que acha que nada acontece por acaso… Com apenas 6 anos, a Dido é admitida na Guildhall School of Music de Londres e é nesta conceituada escola que ela irá aprender a tocar vários instrumentos, tais como a flauta, o piano e o violino. Aos 10 anos, estes instrumentos são perfeitamente dominados e embora gostasse tocar música clássica, decidiu optar por outra via por volta dos 16 anos, ao descobrir a cantora de Jazz Ella Fitzgerald. Boa referência…

Pouco a pouco, Dido começa a revelar a sua voz quando canta algumas músicas dos Faithless, a banda onda toca o seu irmão (Rollo Armstrong). E foi neste contexto que ela foi “descoberta” e contratada por Clive Davis, o fundador da editora Arista Records, em 1997. Pouco tempo depois, em 1999, é lançado o CD promocional intitulado The Highbury Fields que tinha como objectivo promover a cantora junto das rádios, sendo que para tal disponibilizava quatro canções que estarão presentes no álbum No Angel (Here With Me, My Lover's Gone, Hunter e Honestly OK). Escusado será dizer que este CD promocional é uma peça de colecção…

Como o contrato assinado com a Arista abrangia apenas os Estados-Unidos, o álbum No Angel será lançado, num primeiro tempo, do outro lado do Oceano Atlântico. Destino ou não, este facto será importante, pois foi provavelmente por esta razão que Eminem descobriu a cantora e realizou um sample do título Thank You, mais tarde intitulado Stan. Esta colaboração deu à Dido uma notoriedade mundial, fazendo com que fosse conhecida e adorada pela Europa. No mesmo tempo, é importante salientar que o primeiro single do álbum, Here With Me, era também um grande sucesso por ter sido escolhido como o genérico da série Roswell.

Com este primeiro sucesso, chegou o tempo de escrever um novo álbum que será lançado em 2003 com o nome de Life for Rent. Ao contrário de muitos artistas que não conseguem confirmar o seu talento, este segundo CD será outro grande sucesso e na continuidade de No Angel. A voz da Dido continua linda e cativante, observamos um grande trabalho realizado a nível da instrumentação o que torna o álbum mais íntimo. Recomenda-se… No seguimento destes dois sucessos, chegou o tempo dos concertos nos quatro cantos do mundo e a época das colheitas de recompensas musicais.

E finalmente, chegamos ao terceiro álbum que, devo confessar, desconhecia por completo e que descobri estes últimos dias. A voz continua a mesma mas a música é diferente, pois os instrumentos electrónicos foram colocados de parte para deixar lugar a instrumentos tradicionais. Intitulado Safe Trip Home, este álbum é lançado no final de 2008 e não fez o objecto de uma promoção habitual (rádio, vídeos, aparições TV), optando-se então por concertos acústicos, mais em adequação com o carácter intimista das canções. Pessoalmente, não gostei muito, prefiro de longe os seus predecessores.

Contudo, e poucos meses após o lançamento deste terceiro álbum, a cantora anuncia estar a trabalhar num novo CD, indicando que voltará a utilizar sons electrónicos e que este será provavelmente lançado em 2011. Desta notícia, deduzo que não sou o único a não ter apreciado o terceiro opus. Fico então a aguardar… Entretanto, tive de me contentar com uma música presente na banda sonora de Sex and the City 2 (Everything to Lose) e outra no filme 127 Hours (If I Rise).

Daqui o lançamento do novo álbum, aproveitem para (re)descobrir uma grande e belíssima cantora com os vídeos aqui ao lado.

Abraço

0 comentários: