sábado, 23 de julho de 2011

"Calçe que é Nosso"

O nosso Presidente da República é um homem brilhante que sabe como liderar um país e como dinamizar uma economia. Assim, para ajudar Portugal a sair da crise, defendeu por várias vezes a importância do consumo de produtos Made in Portugal. Da última vez, foi no Alentejo onde referiu que ao aumentar “significativamente” a produção agrícola, o país conseguiria “contribuir para a redução da dependência externa” alertando ainda para a necessidade de uma “mobilização nacional” a favor do crescimento da produção agrícola.

Se o Cavaco Silva não fosse Presidente da República, eu votaria nele como Primeiro-Ministro… Estou convicto que lhe bastaria um mandato para ele fazer do nosso cantinho uma super-hiper-mega-ultra-giga potência económica. Mas, esperem um bocadinho, ele já não ocupou este cargo há alguns anos atrás? Hmmm, interessante… Vamos ver o que fez este génio económico e amante da produção nacional.

Na realidade e resumindo, foi com ele que se iniciou a crise com que Portugal se depara hoje, pois foi com Cavaco Silva Primeiro-Ministro que a Agricultura, a Pesca e a Indústria levaram as respectivas certidões de óbito. Será a culpa inteiramente dele? Não, seria injusto dizer isso. Se Cavaco Silva assinou as certidões de óbito, quem as entregou com um sorriso rasgado foi a União Europeia que ofereceu dinheiro para que os agricultores deixassem de cultivar os seus terrenos, os pescadores deixassem de pescar nas águas territoriais e as fábricas deixassem de produzir.

E neste contexto, há algum tempo atrás, tive a oportunidade de ver algo que só se costuma ver no “Portugal no seu melhor”. Tratava-se de uma caixa de sapatos que dizia o seguinte:
Bem, caros amigos da agricultura, das pescas, da indústria, do comércio e outras actividades económicas, eu estou de alma e coração convosco porque sei que não estamos a atravessar um período de vacas gordas. Mas deixem-me dar-lhes um conselho… Se querem ter sucesso, aprendam a escrever ou, no pior dos casos, contratem pessoas que o saibam.

Eu e outros cá estamos para ajudar no que pudermos…

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A Crise Grega e Europeia

Ultimamente, muito se tem falado da Grécia por causa da crise mas os nossos jornalistas, embora gostem comparar o destino helénico com o de Portugal, ocultam talvez deliberadamente um problema de maior relevância: a crise institucional europeia.

Apesar de trágico, o caso grego é fácil de perceber e, por ser tão simples, poderia ter sido evitado. O que é que nos observamos? Comecemos pelo início… O Governo grego mentiu em relação às suas contas públicas, tanto em termos de défice como de dívida, quando aderiu à União Europeia e, mais tarde, quando aderiu ao Euro. Apesar de se tratar de uma atitude incorrecta e condenável, a União Europeia não esteve totalmente inocente, pois o Eurostat não tinha por missão verificar as informações comunicadas pelos países candidatos à moeda única. Ou seja, a União Europeia não verificou as contas públicas dos países, confiando nos políticos. Confiar nos políticos? Pelo amor de Deus…

Para além disso, os gregos tal como os portugueses gostam da expressão “foder o Estado não é pecado”. Lembro-me que foi uma das primeiras coisas que me disseram quando cá cheguei… E isto, no dia-a-dia dos nossos amigos, verifica-se de várias formas. Por um lado, existe uma corrupção generalizada que pode ser observável na saúde e no fisco, por exemplo. O caso do fisco é o mais caricato, pois na Grécia não existem registos públicos de propriedades. Em consequência, constroem-se casas ilegalmente a torto e a direito, inclusive em zonas protegidas, sendo que os proprietários não pagam impostos, nem na fase de construção, nem depois. Só por curiosidade, estima-se que exista 1 milhão de casas construídas nestas condições em todo o país.

A função pública também não é isenta de queixas, pois os altos funcionários podem ocupar vários cargos ao mesmo tempo enquanto a plebe implora para ter um simples emprego. Esta desigualdade é ainda mais observável no que diz respeito aos impostos. Enquanto o povo deve pagar os seus impostos a tempo e horas, os armadores de navios estão totalmente exonerados, assim como a Igreja. É verdade… Sendo a Grécia uma grande potência em termos marítimos (10% do PIB grego está ligado a esta indústria) e que este sector contribui entre 15 mil e 20 mil milhões de Euros para a riqueza do país, esta exoneração aparece como injusta.

Neste contexto de injustiça económica e social, esta crise aparece como um alarme para a União Europeia acordar de vez, pois o que acontece na Grécia não é um caso isolado, pois países como Portugal, Espanha e Itália sofrem dos mesmos males. Embora seja em proporções diferentes, cabe à União Europeia controlar o que se passa porque, ajudar um país é uma coisa, ajudar cinco já é diferente, pois pede muitos esforços por parte de quem não quer ser obrigado a ajudar e pode ter consequências extremamente negativas.

Vamos por partes… É importante perceber que o problema da crise financeira está directamente ligado à Zona Euro e que não se trata apenas de uma crise socioeconómica como também institucional. De facto, o Tratado de Lisboa vinha resolver muitos problemas mas não tratou de fazer da Zona Euro uma zona monetária óptima. Na prática, a Zona Euro é constituída por países que têm políticas assim como interesses divergentes e, em função destes, o acesso a uma moeda forte pode ser uma vantagem para uns como um inconveniente para outros.
Exemplificando, neste momento o preço de 1 Euro corresponde a 1,43 Dólares. Em consequência, é mais difícil para os países da Zona Euro vender os seus produtos para países que estão fora da Zona Euro. Por sua vez, torna-se mais barato para os países da Zona Euro comprar fora da Zona Euro. O único país contente por ver o Euro forte é a Alemanha que, há 30 anos, reestruturou a sua economia apostando forte na indústria de topo ao contrário do resto dos países que preferiu optar por uma economia sustentada no consumo. Assim sendo, enquanto a Alemanha vende os seus automóveis em todo o mundo, apresentando evoluções positivas, os outros países da Zona Euro não conseguem. E para além de não conseguirem vender, estes países compram produtos no estrangeiro por serem mais baratos.

Dito isso, se a moeda baixar demasiado por via da especulação e das crises, a Alemanha poderá perfeitamente dizer aos restantes membros da União Europeia que se retira da Zona Euro para voltar ao Deutsche Mark e controlar totalmente a sua moeda. Embora tenha consequências negativas para a Alemanha, pode valer a pena agir assim mas, neste caso, as piores consequências vão sobrar para o resto dos países que irão perder um importante parceiro económico. Para além disso, outros países como a França estarão a equacionar reagir como o país vizinho. Nestas hipotéticas condições, quanto tempo aguentará o Euro e quais serão as consequências no funcionamento da União Europeia?

Ainda em relação às instituições, a crise grega introduziu o problema da vigilância económica que não estava a ser assegurada por ninguém. É fulcral que a União Europeia confira ao Eurostat ou a outra instituição um poder fiscalizador para que as contas públicas sejam verificadas e que as decisões certas sejam tomadas. Só desta forma os parceiros económicos irão confiar na União Europeia e na Zona Euro.

Por fim, a União Europeia atravessa uma crise política, sendo que observamos dois blocos. Por um lado, os países do Norte e, por outro lado os países do Sul. Duas realidades totalmente diferentes que pedem mais solidariedade entre os países membros. Em vez de pedir esforços desumanos a povos num curto prazo, porque não implementar programas com prazos mais alargados no tempo? Por trás dos números existem pessoas e os políticos têm tendência em esquecer este “pormenor”. Assim sendo, volto a colocar a questão do federalismo em cima da mesa. Quando é que a Zona Euro terá um governo federal como existe nos Estados-Unidos para que se possa implementar um conjunto de medidas que irão harmonizar as políticas dos países membros?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Artista do Mês: Jack Johnson

Quando chega o Verão, penso obrigatoriamente em sol, praia, alegria, bons momentos passados em família ou entre amigos e, claro, isto tudo com uma boa banda sonora a acompanhar. Logo, para este artista do mês, escolhi um cantor que só costumo ouvir nos dias em que o sol está bem presente. Estou a falar de Jack Johnson.

Jack Hody Johnson é claramente um cantor de Verão, daqueles que transmite energia positiva e boa disposição pela música que toca e pelos seus textos que nos levam para longe, muito longe, tipo Havai… Foi em 1975, em Honolulu, que este artista nasceu e cresceu iniciando uma promissora carreira de surfista profissional. Mas, infelizmente para ele, sofreu um acidente que o afastou desta modalidade e que o levou para a Califórnia para estudar a Sétima Arte. E é com esta mudança de ares que o filho do famoso Jeff Johnson começa a tocar música na banda chamada The Soil, a qual irá actuar nas primeiras parte de Dave Matthews Band em 1995. Nada mau para um começo…

Contudo, será preciso esperar 2001 e a ajuda do amigo Bem Harper para ver o primeiro álbum dele ser lançado Brushfire Fairytales e ser vendido a 1 milhão de exemplares nos Estados-Unidos. Forte deste sucesso, o segundo opus intitulado On and On aparece pouco tempo depois. A seguir, serão editados In Between Dreams, Sing-a-song & Lullabies, Sleep Through the Static, e To the Sea.

Destes vários álbuns, várias músicas mereceriam ser alvos de destaque mas decidi ficar pelas que mais gosto e que poderão ouvir/ver aqui ao lado.

O que mais me impressiona com este artista é o facto de ele não assumir o papel de estrela da música internacional. Na realidade, parece ser uma pessoa simples, acessível, humana… Basta ver que o álbum Sleep Through the Static foi inteiramente dedicado à família e aos seus amigos. Quem mais já alguma vez fez isto? Assim de imediato não me lembro. Depois há ainda a questão da ecologia, pois Jack Johnson está envolvido na protecção da natureza, sendo que o site dele apresenta uma plataforma de iniciativas destinadas a promover a ecologia. Só fica bem na fotografia…

Resumindo e concluindo, Jack Johnson é daqueles artistas que gostava poder ouvir ao conduzir um carro descapotável durante um passeio a beira-mar. Seria fantástico…

Se alguém tiver uma automóvel deste tipo, que me avise, eu levo a banda sonora e fazemos um passeio pela costa portuguesa este Verão :-)

Abraço