segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Festa na Aldeia

Eu adorava poder gostar do mês de Agosto. A sério, gostava mesmo até porque faço anos, porque há amigos/familiares que vêm cá passar férias, porque o tempo convida a saídas entre amigos, etc. Mas não, não gosto e por causa de uma coisa: as festas nas aldeias (e de forma quase intrínseca junta-se a questão dos emigrantes).

Bem, não me digam que todos os santos são festejados em Agosto por coincidência. Quem acredita nisso? Eu não. Como as festas nas aldeias requerem dinheiro, é normal pedir a participação dos emigrantes. E claro, parece mal pedir dinheiro para uma festa que vai decorrer quando eles não estão por cá. Correcto? E então, quase como todos os que vivem numa aldeia, deparo-me com festas em toda a vizinhança. São palcos a ser montados, são andores a serem preparados para a procissão, são iluminações a serem instaladas e, claro, não podem faltar os foguetes da meia-noite. Meia-noite como quem diz… Quando eu era petiz, costumava ser a esta hora que toda a gente era expulsa da festa. Agora não, pois já ouvi foguetes à 1h30 da manhã… Esta observação faz-me pensar que estou claramente a ficar velho e rabugento.

Mas voltemos ao assunto inicial. Não gosto de festas e principalmente a da minha aldeia que celebra a Nossa Senhora das Maravilhas. Aliás, isto é estúpido porque, supostamente, e segundo o site da junta de freguesia, o santo padroeira da aldeia é S. Miguel que é festejado no final do mês de Setembro (menos rentável). A festa da minha aldeia é a festa típica portuguesa que muitos adoram mas que odeio. E agora, entram as razões pelas quais eu não gosto desta festa. A primeira é uma questão de gosto. A segunda é uma questão sociológica.

Vamos por partes. Em termos de gostos, lamento mas eu não gosto de assistir a concertos de música pimba. A sério, nem com os copos chego lá. É das raras noites em que bebo para esquecer o presente e ficar anestesiado o mais rapidamente possível. Sinceramente, sou incapaz de assistir a este tipo de concertos em que o “artista” canta em playback, em que o público cola e baba-se em frente à plástica das bailarinas e da cantora e, em que o som está demasiado alto (provavelmente para esconder a mediocridade da actuação).

Agora, em termos sociais, a coisa fica mais complicada… Por um lado, não conheço quase ninguém na minha aldeia devido ao facto de não ter passado a minha infância aqui, não ter estudado na escola ali ao lado e, claro, por não ir à missa. Ou seja, aqui sou uma espécie de anónimo e acredito que esta situação provoque algumas conversas de café bem animadas… Por outro lado, as pessoas que vejo durante o dia, junto à barraca a assar frangos e beber umas cervejas parecem todos uma cambada de bêbedos. Sinceramente, não me apetece muito parar e socializar com eles. Não quero dizer que todos os habitantes da minha aldeia sejam tones que gostam mais da pinga que das suas famílias, mas pronto, digamos que tenho um certo receio em conhecer pessoas que, aparentemente, não se enquadram no meu mundo.

Talvez seja mesmo uma simples aparência e talvez o meu comportamento seja elitista mas vivo bem com isso. Contudo, estou aberto à mudança de opiniões. Por isso, se calhar, logo à noite irei ver o concerto do José Malhoa… Ou não…

4 comentários:

Alfredo disse...

Eu gosto particularmente dos foguetes que lançam de manhãzinha, para acordar toda a gente. E não costumam ser 2 nem 3, mas sim umas boas dúzias de foguetes. O que me leva a outra questão: porquê? De dia, só se ouve e não se vê nada, e eu sempre pensei que o interesse de fogo de artifício era o "espectáculo visual". Já que querem mandar de dia, que lancem apenas 2 ou 3, acho que a ideia transmitida seria a mesma. Enfim... E já nem falo na crise e que poderiam poupar o dinheiro que andam a estourar (literalmente) e usá-lo para algo útil e que não incomode as pessoas quando tentam dormir depois de uma semana de trabalho... :-p

Cristóvão disse...

Como te entendo... Eu a pensar que a crise iria ter isso de bom mas afinal, parece que há dinheiro apenas para algumas coisas. Parece que o povo não vive sem isso!
Esta noite, o fogo de artifício começou à 1h45. Quem ia trabalhar no dia seguinte agradeceu... É que ainda por cima, aqui o dia de maior festão é uma Segunda. Só visto!

Anónimo disse...

AI
...........

Mas não posso deixar de concordar.

António Campos Soares disse...

Pois, os foguetes...Os que me lixam, são os das 8h da manhã para avisar a gente que a missa vai começar...Aquelas bombas secas acordam-me e tiram-me do sério...
Não suporto também ter que ouvir todo o dia música pimba nas colunas acompanhadas pela minha rua ou as publicidades ao estabelecimentos comecias...(neste Verão ouvi uma coisa que me deixou bastante perplexo: numa aldeia, mediam pilas através das colunas. Passo a explicar: o tipo que estava por trás da gravação, ditava em voz alta a quantia que cada pessoa tinha dado para a festa...Ridículo, não?)
Essa do cantor pimba e das bailarinas plástica, lembrou-me uma situação de há uns anos: um cantor pimba que sabia que eu tinha uma banda virou-se para mim e disse com um sorriso "marato": "o que vos falta são umas gajas a mostrar as pernas"
Enfim, Portugal no seu melhor...
Abraço