sábado, 17 de setembro de 2011

GPS Made in Portugal

Usei pela primeira vez um GPS no mês passado e, embora soubesse do que se tratava, confesso que tinha algum receio em utilizar este aparelho. É o famoso receio da primeira vez… Na realidade, algumas semanas antes, tinha ouvido um grupo de pessoas comentar que se tinham perdido apesar de terem seguido religiosamente as indicações do bichinho. Lembro-me ter pensado que, se calhar, este brinquedo não era assim tão fiável quanto isso. Mas agora falo por experiência própria e achei a ferramenta maravilhosa…

Confiei (quase) cegamente nele para me levar ao meu destino e a viagem correu lindamente. Já no caminho de regresso, uma vez que eu estava mais descansado e que já conhecia o percurso, o meu espírito começou a divagar. Cheguei à conclusão de que os fabricantes deveriam criar várias versões dos seus produtos. Uma versão “besta que não sabe distinguir a esquerda da direita”, uma “normal” e uma “campeão do mundo de orientação rodoviária”.

Exemplificando, imaginem uma situação em que o condutor teria de virar na segunda saída numa rotunda…
 
No primeiro caso, o GPS diria; “Dentro de 200 metros, na rotunda, saia na segunda saída”. Começava então, oralmente, uma contagem decrescente dos metros até chegar à rotunda (199, 198, 197, 196, etc.) e, uma vez lá, a voz diria: “Vire na segunda saída. Esta não. A que vem a seguir. Sim, esta! Anda lá, faz a curva. Sem medo… Exactamente. Bonito. Fantástico. És o maior! Campeão, campeão, és o campeão!!!”.

No segundo caso, ou seja para as pessoas capazes de distinguirem a direita da esquerda e que não estão stressadas quando se trata de conduzir, seria o habitual e insosso: “Dentro de 200 metros, saia na segunda saída”.

E, no último caso, seria ainda melhor, pois a voz diria apenas “Desenrasca-se”. Uma espécie de desafio em que o GPS serviria de último recurso. Digam lá, não seria fixe?

Mas o que seria verdadeiramente porreiro seria inventar um GPS “Made in Portugal”. A sério, um com bigode, chapéu de palha e tudo e tudo e tudo. Um GPS que, mal se ligasse, a voz com sotaque a escolher (Norte, Transmontano, Alentejano, Madeirense, etc.) diria logo: “Olá jovem, tudo bem contigo? O que tens feito? Tens ido à missinha? Olha, sabias que fulano tem andado com sicrano… Tens visto os jogos do Benfica/Porto/Sporting?”. Passado meia hora de conversa de café e de cusquice absoluta tornada realidade graças à opção “Cusquice Live HD” que consistiria em actualizar todos os boatos que circulam pela zona de residência do motorista em tempo real, a viagem poderia finalmente começar. E claro, ao longo do percurso, o aparelho assinalaria todos os tascos, tabernas, adegas e afins… Mas pronto, como bom portuga, chegaria a um ponto em que teria de encarar a realidade e ser sincero, e diria o seguinte: “Pare o veículo, baixe o vidro e pergunte o caminho ao senhor ao seu lado”.

Quem quiser mais ideias do negócio deste género é favor falar comigo :-)

domingo, 11 de setembro de 2011

9/11: Never Be The Same Again

Eram 18 horas, o dia tinha finalmente acabado para mim e para os meus novos colegas de turma. Embora as aulas tivessem começado há pouco tempo, já todos tínhamos chegado à conclusão de que a terça-feira seria um daqueles dias que passaria lentamente, com aulas desde as 8h da manhã e com disciplinas que nos pediriam bastante esforço de concentração. Por isso, saboreávamos aquele final de tarde de Verão para descomprimir e falarmos do seminário de integração que estava a ser organizado pelas directoras de turma e que iria decorrer em Dieppe. Esta conversa acompanhou-nos até à estação de metro (Porte de Clichy) que, como sempre, estava sobrelotada àquela hora. Enfiámo-nos – literalmente – numa carruagem e cada um aguardou pela sua estação de destino, tentando manter viva uma conversa, apesar do contexto. Ao chegar à estação St-Lazare, todos desciam para apanhar o comboio menos eu, momento que aproveitava para ouvir música até chegar a casa.

Saindo da estação, caminhava no meio do tradicional vaivém de pessoas que desfilavam pelo Boulevard Bonne Nouvelle e nas ruas adjacentes, numa espécie de coreografia bem ensaiada, todas elas apressadas para chegar a casa após um longo dia de trabalho.

Quando cheguei a casa, a minha mãe estava a preparar o jantar como era costume àquela hora. Ainda não tinha tirado a mochila, o casaco ou os phones dos ouvidos e já ela estava a resmungar alguma coisa. Nada de anormal… Tirei os phones e pedi-lhe para repetir. Perguntou-me meia aflita, e no seu melhor Frantuguês, se tinha visto as notícias. Falou-me de aviões que se despenharam nos Estados Unidos. Naquele momento, pensei que não era nada demais, afinal são dramas que infelizmente acontecem.

Cheguei à sala, o meu irmão estava a ver televisão. Apesar de serem quase 19h, parecia-me que estavam a dar notícias, algo que não era habitual. Perguntou-me se já tinha visto aquilo ao apontar para a televisão. Virei-me e vi uma imensa mancha de fumo sem perceber do que se tratava. Logo a seguir, outras imagens apareceram, o comentador falava de vítimas, de tragédia e de caos. Dava para ver que se tratava de um prédio em fogo, um grande prédio, um arranha-céus que não me era desconhecido e, na sequência seguinte, foi quando vi aquela imagem de um avião a explodir ao embater numa das torres do Word Trade Center. Fiquei de pé e dei um ligeiro passo para trás, chocado com o que tinha acabado de ver.

Voltei atrás no meu raciocínio. Aquilo não podiam ser as notícias, mas sim um filme de acção… E o meu irmão esclareceu-me ao dizer que tinha havido um segundo avião a “espetar-se” contra a outra torre e mais um no Pentágono. Abalado, optei quase instintivamente por me sentar. A mochila ainda estava nos meus ombros e a música que ouvia há pouco continuava a tocar em fundo…

Não voltei a falar durante longos minutos e mal ouvia o meu irmão. Tentava perceber o que acabava de ver, saber como podia aquilo ter acontecido… Enquanto as imagens dos aviões e das torres a cair passavam sem fim, via ao mesmo tempo imagens de bombeiros feridos, de lenços brancos nas janelas e de pessoas a saltar no vazio. Quedas intermináveis de desespero rumo a uma morte certa...

A partir daí não me lembro de mais nada, como se tivesse ficado anestesiado perante o que as televisões do mundo transmitiam em directo. Talvez fosse uma forma inconsciente que o meu cérebro tenha encontrado para me proteger. Ainda hoje, e apesar de terem passado 10 anos, aquelas imagens continuam a hipnotizar-me e não acredito que aquilo tenha realmente acontecido. Um dia, para me mentalizar, terei de visitar o Ground Zero e recolher-me no memorial às vítimas. Não imagino qual será a minha reacção…

O mundo tinha entrado no século XXI, um século de promessas de progresso e de paz, mas para mim, para os meus novos amigos e para os meus familiares, por causa dos trágicos atentados que Paris conheceu em 1995, o nosso quotidiano voltava a ser violado. Tal como outros milhões de pessoas espalhados pelo mundo, nunca mais seríamos os mesmos. Naquele triste e recordado dia, também algo em nós ficou destroçado.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Artista do Mês: K's Choice

No outro dia, antes de iniciar uma maratona de limpeza cá em casa, visitei a minha modesta discoteca e optei por um CD que já não ouvia há muito tempo. Às vezes não vos apetece ouvir canções que faziam parte do vosso dia-a-dia há alguns anos atrás? A mim sim… E naquele dia deu-me vontade de ouvir Cocoon Crash dos K’s Choice.

Não sei até que ponto esta banda é conhecida em Portugal. No que me diz respeito, conheci-a quando ainda vivia em França. Por se tratar de um grupo Belga, digamos que a música deles devia provavelmente chegar lá mais cedo do que aqui. Mas para quem não conhecer, deixo uns vídeos aqui ao lado para satisfazerem a vossa sede de curiosidade.

O grupo K’s Choice foi criado em 1993 pelos irmãos Sarah e Gert Bettens, e logo naquele ano, editaram o primeiro álbum intitulado “The Great Subconscious” que conheceu um grande sucesso na Bélgica. Graças a este sucesso, a banda assina um contrato com a Epic a nível mundial e, em pouco tempo, iria conhecer um grande sucesso.

Contudo, antes de se exportar era indispensável mudar o nome do grupo, pois a designação inicial era “The Choice”. O problema é que este nome já era reivindicado por duas outras bandas nos Estados-Unidos. Após reflexão, os irmãos e líderes do grupo optaram por K’s Choice. A explicação desta escolha tem a ver com o romance “O Processo” de Kafka, no qual a personagem principal, que não tinha muita liberdade de escolha, é designada por K.

Com o nome definitivo, a banda lança o segundo álbum “Paradise in Me” em 1995. O título “Not na Addict” será ouvido na maior parte da Europa mas, por motivos ligados ao excesso de uso de guitarra, a Epic recusa a comercializá-lo nos Estados-Unidos. Contudo, após terem brilhado no Pinkpop festival na Holanda, a cantora Alanis Morissette propôs aos Belgas para actuarem nas primeiras partes da sua digressão. E foi neste contexto que este segundo álbum surgiu no mercado americano.

No seguimento deste álbum e das primeiras partes da Alanis Morissette, a banda inicia uma digressão mundial e lança o “Cocoon Crash” em 1997. Ao contrário do seu predecessor, este álbum mistura géneros musicais e integra instrumentos novos como o violoncelo, e inclui títulos mais intimistas.

Em 2000 surge “Almost Happy”, um álbum mais calmo e, como em quase todos os casos, a banda decide fazer uma pausa para todos os elementos do grupo tratarem das suas carreiras pessoais. O único elemento a destacar-se é a Sarah com dois álbuns a solo “Scream” e “Shine” que são dois álbuns Rock que misturam guitarras e piano.

Entretanto o público podia aguardar o regresso dos K’s Choice ao adquirir o Best of intitulado 10 e que celebrava os 10 anos da banda. E, em 2010, foi editado o último álbum “Echo Mountain”. Desde então o grupo anda em digressão pelos Estados-Unidos e pela Europa até ao 23 de Dezembro. Infelizmente para mim, nenhuma data está prevista para Portugal…