domingo, 11 de setembro de 2011

9/11: Never Be The Same Again

Eram 18 horas, o dia tinha finalmente acabado para mim e para os meus novos colegas de turma. Embora as aulas tivessem começado há pouco tempo, já todos tínhamos chegado à conclusão de que a terça-feira seria um daqueles dias que passaria lentamente, com aulas desde as 8h da manhã e com disciplinas que nos pediriam bastante esforço de concentração. Por isso, saboreávamos aquele final de tarde de Verão para descomprimir e falarmos do seminário de integração que estava a ser organizado pelas directoras de turma e que iria decorrer em Dieppe. Esta conversa acompanhou-nos até à estação de metro (Porte de Clichy) que, como sempre, estava sobrelotada àquela hora. Enfiámo-nos – literalmente – numa carruagem e cada um aguardou pela sua estação de destino, tentando manter viva uma conversa, apesar do contexto. Ao chegar à estação St-Lazare, todos desciam para apanhar o comboio menos eu, momento que aproveitava para ouvir música até chegar a casa.

Saindo da estação, caminhava no meio do tradicional vaivém de pessoas que desfilavam pelo Boulevard Bonne Nouvelle e nas ruas adjacentes, numa espécie de coreografia bem ensaiada, todas elas apressadas para chegar a casa após um longo dia de trabalho.

Quando cheguei a casa, a minha mãe estava a preparar o jantar como era costume àquela hora. Ainda não tinha tirado a mochila, o casaco ou os phones dos ouvidos e já ela estava a resmungar alguma coisa. Nada de anormal… Tirei os phones e pedi-lhe para repetir. Perguntou-me meia aflita, e no seu melhor Frantuguês, se tinha visto as notícias. Falou-me de aviões que se despenharam nos Estados Unidos. Naquele momento, pensei que não era nada demais, afinal são dramas que infelizmente acontecem.

Cheguei à sala, o meu irmão estava a ver televisão. Apesar de serem quase 19h, parecia-me que estavam a dar notícias, algo que não era habitual. Perguntou-me se já tinha visto aquilo ao apontar para a televisão. Virei-me e vi uma imensa mancha de fumo sem perceber do que se tratava. Logo a seguir, outras imagens apareceram, o comentador falava de vítimas, de tragédia e de caos. Dava para ver que se tratava de um prédio em fogo, um grande prédio, um arranha-céus que não me era desconhecido e, na sequência seguinte, foi quando vi aquela imagem de um avião a explodir ao embater numa das torres do Word Trade Center. Fiquei de pé e dei um ligeiro passo para trás, chocado com o que tinha acabado de ver.

Voltei atrás no meu raciocínio. Aquilo não podiam ser as notícias, mas sim um filme de acção… E o meu irmão esclareceu-me ao dizer que tinha havido um segundo avião a “espetar-se” contra a outra torre e mais um no Pentágono. Abalado, optei quase instintivamente por me sentar. A mochila ainda estava nos meus ombros e a música que ouvia há pouco continuava a tocar em fundo…

Não voltei a falar durante longos minutos e mal ouvia o meu irmão. Tentava perceber o que acabava de ver, saber como podia aquilo ter acontecido… Enquanto as imagens dos aviões e das torres a cair passavam sem fim, via ao mesmo tempo imagens de bombeiros feridos, de lenços brancos nas janelas e de pessoas a saltar no vazio. Quedas intermináveis de desespero rumo a uma morte certa...

A partir daí não me lembro de mais nada, como se tivesse ficado anestesiado perante o que as televisões do mundo transmitiam em directo. Talvez fosse uma forma inconsciente que o meu cérebro tenha encontrado para me proteger. Ainda hoje, e apesar de terem passado 10 anos, aquelas imagens continuam a hipnotizar-me e não acredito que aquilo tenha realmente acontecido. Um dia, para me mentalizar, terei de visitar o Ground Zero e recolher-me no memorial às vítimas. Não imagino qual será a minha reacção…

O mundo tinha entrado no século XXI, um século de promessas de progresso e de paz, mas para mim, para os meus novos amigos e para os meus familiares, por causa dos trágicos atentados que Paris conheceu em 1995, o nosso quotidiano voltava a ser violado. Tal como outros milhões de pessoas espalhados pelo mundo, nunca mais seríamos os mesmos. Naquele triste e recordado dia, também algo em nós ficou destroçado.

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