quinta-feira, 1 de março de 2012

Artista do Mês: Take That


E finalmente chegou o dia. O dia em que vou desiludir-vos com os meus gostos musicais, o dia em que vou revelar ao mundo que, eu também, apesar de ser um ser humano supostamente macho, sucumbi ao fenómeno das boys-band que contaminou os (in)gloriosos anos 90. Mas não comecem a fazer filmes, nunca cheguei ao ponto de correr atrás destas bandas em modo caça de autógrafo, como também nunca decorei o meu quarto com posters delas, etc. Nada de figuras tristes… E, no seguimento de Robbie Williams, achei lógico falar hoje sobre os Take That.

Para além desta questão de lógica, a verdade é que os Take That acompanharam uma boa parte da minha adolescência. E, ultimamente, ouvi por acaso o último CD deles gravado ao vivo em Manchester e gostei. Não foi aquele gostar do tipo “Eh pah, antigamente isto batia larguete”. Não! Foi mais “Eh pah, antigamente não era assim tão bom…”. Com os anos, parece que as boys-band ganham em qualidade e, essencialmente, em maturidade. Este último aspecto não é difícil porque refrescando as vossas memórias de peixe, é importante assinalar que, tal como as outras boys-band que inundaram os anos 90, os membros dos Take-That eram meninos. Olhando para a foto abaixo que apresenta os diferentes membros: Gary Barlow, Mark Owen, Howard Donald, Jason Orange e Robbie Williams, acrescento que pareciam todos meninos do coro. Nem barba tinham…

 
Não sei se terei razão mas creio que os Take That são a primeira boy-band da história. É claro que quando falo em “boy-band”, refiro-me a estes grupos compostos por adolescentes que tentam cantar e dançar em simultâneo. Nunca da vida irei falar de boy-band quando estiver a falar de bandas “normais” compostas por homens, tais como os ACDC, os Bon Jovi, os Queen, os Scorpions, os Metalica, etc. Acho que toda a gente consegue encontrar diferenças colossais entre uma e outra visão, correcto?

E esta boy-band nasceu em Manchester… Aposto que muita gente pensava que, em Manchester, só existiam dois estádios, duas equipas de futebol e pouco mais. Mas não, em tempos também gloriosos para o Manchester United, havia também outra atracção naquela cidade. Aliás, até acredito que se o David Beckam não tivesse sido tão bom jogador teria acabado no meio desta malta (e o Petr Schmeichel fazia de segurança, claro).

Mas voltemos ao nosso assunto… Os Take That são a obra de um visionário, Nigel Martin-Smith que, em 1989, teve a ideia de criar um grupo composto unicamente por rapazes e cujo alvo seria as adolescentes. Em termos de negócio, este senhor merece uma salva de palmas porque, em pouco tempo, conseguiu dar início a um fenómeno musical. Para tal, procurou um cantor, um daqueles que sabe mesmo cantar e foi assim que encontrou Gary Barlow. E, para o acompanhar, contratou outros jovens rapazes que possuíssem capacidades em termos de dança e de canto. E assim se juntaram os restantes elementos.

O início da carreira dos Take That foi bastante difícil porque, enquanto pioneiros nesta nova dimensão da música, foi preciso construir uma identidade e encontrar um público. Logo, os primeiros títulos interpretados não conheceram muito sucesso mas, ao fim de vários concertos no meio de clubs, as canções “It Only Takes a Minute” (um remix), “I Found Heaven”, “A Million Love Songs” e “Could It Be Magic” (outro remix) deram uma identidade à banda e, em consequência, nasceu o primeiro álbum: “Take That & Party”.

Entre 1991 e 1993, este primeiro álbum foi amplamente explorado até surgir o segundo, “Everything Changes”, um álbum essencialmente baseado no trabalho do líder Gary Barlow. Este opus alcançou o primeiro lugar das vendas no Reino Unido ao incluir canções como “Pray”, “Relight My Fire” e “Love Ain’t Here Anymore”. Pouco a pouco, os Take That começavam a ganhar fama no Reino Unido, essencialmente devido a uma presença permanente na rádio e na televisão. Para além disso, a máquina do merchandising Take That trabalhava intensamente com a criação de 1001 objectos ligados à banda de Manchester. Porém, embora conhecessem sucesso na Europa e na Ásia, o mercado americano mostrou-se claramente pouco entusiasta em relação a este fenómeno mas este aspecto não os impediu de iniciara a primeira digressão mundial em 1995.

No mesmo ano, foi lançado o terceiro álbum intitulado “Nobody Else”, um opus novamente escrito na sua maioria por Barlow e que alcançou o número 1 dos charts britânicos e europeus. Com este álbum, o público dos Take That alarga-se, deixando de ser apenas uma banda para adolescentes de sexo feminino. De facto, os vídeos da banda mostram pormenores que sugerem uma aproximação junto do mercado homossexual. É nomeadamente neste álbum que encontramos o maior sucesso dos Take That, o famoso “Back For Good”. Quem nunca ouviu esta canção? Este título foi número 1 em 31 países e foi o que permitiu aos rapazes de Manchester de conquistar os Estados Unidos.

A partir daí e tal como já o vimos no post anterior, surgiram vários problemas ligados ao consumo abusivo de álcool e de drogas por parte de Robbie Williams o que levou ao fim da banda. Esta separação teve consequências extraordinárias sobre os fãs britânicos, pois viram-se situações extremas como raparigas que ameaçavam suicidar-se. Sobre este ponto, li algures que o próprio governo da Sua Majestade chegou a criar uma linha de apoio para ajudar estas mentes perturbadas. Alguém me consegue confirmar isso?

Desde então, nunca mais se ouviu falar dos Take That mas apenas de Robbie Williams e, noutra medida, de Gary Barlow. Porém, em 2005, 10 anos depois, a editora decidiu lançar o novo Best Of e medir o pulso do mercado. O resultado foi claramente positivo, pois só no Reino Unido foram vendidos mais de 2 milhões de cópias. Neste seguimento, foi ainda criado e transmitido o documentário “Take That: For the Record” que conseguiu juntar os elementos da banda. Perante o feedback positivo dos fãs, os Take That juntaram-se sem Robbie Williams e iniciaram uma digressão intitulada “Ultimate Tour” e que decorreria em 2006.

Um novo álbum “Beautiful World” foi lançado, alcançando o primeiro lugar dos charts britânicos. E, ao contrário do que antigamente sucedia, este novo opus deu a oportunidade para todos os membros escreverem e cantarem as músicas. É nomeadamente neste álbum que encontramos os títulos “Patience”, “Shine” e “Rule The World”. Perante mais um sucesso, uma nova digressão foi montada pelo Reino Unido e pela Europa.

Este novo sucesso levou logicamente à edição de outro álbum “The Circus”, em 2008. Antes mesmo do lançamento oficial, este álbum tinha rebentado o record de pré-encomendas. Nesta mesma linha, a nova digressão viu bilhetes a serem vendidos a uma velocidade raramente vista. E foi neste contexto que Robbie Williams voltou a juntar-se aos restantes membros do grupo…

Num primeiro momento, Williams e Barlow cantaram juntos a música “Shame” cujo vídeo relembra a altura em que a boy-band parecia piscar o olho ao público gay. E, a seguir, o regresso da ovelha negra foi oficializada e o novo álbum intitulado “Progress” apresentou “The Flood” como primeiro single. Em apenas um dia, foram vendidas 235.000 cópias e, numa semana, 520.000. Logo a seguir, uma nova digressão foi iniciada e culminou com 8 noites no estádio de Wembley, um novo feito para os rapazes de Manchester. Durante os concertos, Robbie Williams aproveitava ainda para interpretar alguns dos seus maiores êxitos a solo, contribuindo ao novo estado de graça do grupo. Contudo, no final do ano passado, Robbie Williams voltava a deixar os Take That para se concentrar na sua carreira a solo. Para uns, trata-se de uma pausa, para os outros, trata-se do fim definitivo da banda…

De todas as formas e independentemente do final da história desta banda, os Take That devem ser claramente vistos como um fenómeno da música moderna. E, para todos comprovarem a evolução do grupo, recomendo que vejam os vídeos aqui ao lado, retirados do concerto dado em Manchester.

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