quarta-feira, 24 de outubro de 2012

York



Durante a minha viagem a Londres, quis também conhecer outra cidade inglesa, uma que contrastasse com a loucura da capital. Na minha primeira viagem em terras da sua Majestade, aproveitei para visitar Oxford e a sua Universidade. Desta vez, optou-se por escolher uma cidade com traços medievais evidentes e cujo nome é muito conhecido por causa da sua irmã mais nova: York.

Para quem não conhecer, York é uma das cidades mais antigas de Inglaterra que, originalmente, foi construída pelos romanos chegando inclusive a ser capital deste Império.

Trata-se de uma pequena cidade que tem o seu "je ne sais quoi", antiga e charmosa. Quem andar por aquelas ruas vai reparar, com certeza, num aspecto bastante curioso. Trata-se do número de ourivesarias. Sinceramente, nunca vi tanta ourivesaria junta. Talvez exista algum motivo histórico para tal mas devo confessar a minha ignorância.

Outro aspecto muito curioso prende-se com a arquitectura das casas. Como se trata de uma cidade antiga e com um património bem conservado, as casas, embora apresentem um aspecto rústico, estão em excelente estado. Contudo, existem algumas que me deixaram perplexo e com algum receio. Digamos que não estou habituado a ver habitações com vigas tortas na fachada e ainda menos em encontrar um chão totalmente desnivelado dentro das casas.

 
Mas acho que o momento alto desta visita prende-se com a descoberta do National RailwayMuseum, o maior museu dedicado ao caminho-de-ferro no mundo. Há tempos falei da alegria que as crianças, e alguns adultos, exibem quando veem comboios. Pronto, naquele dia, eu fui um deles... Ainda não sei de onde vem este fascínio pelo caminho-de-ferro. Talvez por causa da minha vivência pessoal que me levou a ir de férias vários anos de comboio, talvez por se tratar de veículos imponentes... E em termos de imponência, digamos que fui particularmente bem servido durante aquela visita, pois deu para ver uma locomotiva que baptizei carinhosamente de: "The Beast". Só para terem noção do tamanho daquilo, vejam só a foto abaixo e reparem, por exemplo, no diâmetro das rodas e na altura do "anão" ao lado. Impressionante, não?


E agora que conheci a velha York, estou curioso e ansioso por conhecer a nova... New-York.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Londres



A primeira vez que fui a Londres, fiz uma visita express (as minhas pernas e as do Simão que o digam), aproveitando o pouco tempo que tinha para conhecer os ex-libris da cidade. Nada de visitar museus ou entrar em monumentos. Contudo, fiquei agradavelmente surpreendido e queria lá voltar. Num primeiro momento, até pensei em mudar-me para lá por motivos profissionais mas, como este projecto não se concretizou, fiquei pelo plano B que consistia em visitar realmente a cidade mas com calma.

Foi assim que passei lá uma semana no mês de Agosto. Uma semana muito bem passada entre momentos de turismo puro, mapa na mão a vagabundar pelas ruas da cidade, entre momentos de cultura desfrutados essencialmente em museus e, por fim, matando saudades de um amigo. Trocando por miúdos: FÉRIAS!

Porém, o termo "férias" não implica necessariamente descanso absoluto. Não sou daqueles que gosta passar dias e dias deitado a beira-mar sem fazer rigorosamente nada. Isto, para mim, é tempo perdido. Prefiro antes cansar-me a percorrer as ruas de uma cidade e conhecer algo novo. E, sinceramente, não preciso de férias para descansar o corpo mas sim para arejar a mente. Assim sendo, nada melhor do que ir para o estrangeiro, conhecer outros horizontes, outras pessoas e falar 24h por dia outra língua. Em pouquíssimo tempo, garanto que esquecem por completo a rotina bem como as chatices do dia-a-dia.

Poderia relatar aqui toda a minha viagem mas, em vez disso, e tendo em conta que existem sites na Internet muito bem-feitos para quem quiser dicas sobre este e mais 1001 destinos, vou antes aproveitar este espaço para partilhar alguns momentos que me encantaram.

Sem querer estabelecer uma classificação, começarei pelo Museum of London. Acho que se trata de um museu muito agradável e essencial para conhecer a cidade e a sua história. Vale mesmo a pena e aconselho incluir esta paragem logo no início da viagem. Outro museu que adorei foi o London Transport Museum porque, apesar de eu já ser crescido, não consigo disfarçar o meu sorriso quando vejo comboios, autocarros, etc.. Se, para mim, já é uma alegria andar num autocarro típico londrino, então imaginem o que é estar num espaço que lhes é dedicado. Noutro post, terei a oportunidade de falar mais sobre este assunto.

Para além dos museus, Londres oferece uma grande variedade de culturas e o Carnaval de Notting Hill é excelente para perceber isso. Eu sei que vai haver uma pessoa que vai dizer "Carnaval que é Carnaval é no Brasil" e, antecipando esta resposta, digo desde já que "Carnaval que é Carnaval é em Veneza... E mai nada". Mas, para já, contento-me com este. No entanto, este frenesim londrino não é comum em todos os lados. Foi assim que fiquei agradavelmente surpreendido por Greenwich. Creio que todos conhecerão esta cidade por causa do fuso horário mas que, para além disso, tem muita coisa para oferecer como essencialmente um quadro de vida agradável. Simão, espero bem que consigas mudar...

A variedade de culturas reflecte-se ainda num aspecto muito importante das nossas vidas: a alimentação. Começar este capítulo a esta hora é perigoso, pois sei que daqui a pouco vou ficar com uma fome tremenda. Mas pronto, cá me sujeito... Para quem quiser conhecer fast-food do mundo inteiro, recomendo ir até Covent Garden, pois lá encontra-se uma grande variedade de stands que vendem sandes diversas como, por exemplo, uma sande de canguru. Para quem gostar de comida mais condimentada e quiçá picante, sugiro que descubram a comida indiana e, neste sentido, o restaurante Needo Grill está lá. Não vou dizer que se comeu a típica gastronomia daquele país porque acredito que todo o tipo de comida exótica tem de se adaptar aos hábitos alimentares europeus. Mas, de qualquer forma, foi sem dúvida um bom momento. Por fim, e como costumo dizer que sou carnívoro, chegou a altura de falarmos sobre outro restaurante. E hoje, pela primeira vez neste blog, vou escrever em parceria com outra pessoa que, tenho a certeza absoluta, vai deliciar-vos com a sua prosa. Simão, as próximas linhas são todas tuas...

Obrigado pelas tuas palavras Cris e pela oportunidade de aqui deixar uma ou duas linhas a respeito de uma das mais belas coisas da vida: comida.

Caros leitores deste ordinariamente belíssimo e frequentemente fascinante blog, o restaurante a que o nosso amigo Cristóvão se refere é o famigerado Hawksmoor. A comida já foi descrita como “murderously good meat” ou até “flinstonesque steaks” – sim o adjectivo vem dos Flinstones; e a especialidade, como já devem ter adivinhado graças à introdução do Cris, é carne, mais especificamente na forma de bifes.

No que nos diz respeito, podemos apenas falar da nossa experiência e essa foi sublime. A carne estava perfeita, de acordo com alguns (mas não todos, certo Cris?) o melhor bife que se come neste canto da Via Láctea; um "sommelier", ou “escanção” em bom Português, que nos recomenda os melhores vinhos, com base nas nossas preferências e nos pratos da nossa escolha para jantar (bifes não são os únicos itens da ementa) e um serviço atencioso por parte de uma equipa talentosa.

Falando da equipa, abro aqui um pequeno parêntesis para comentar o facto de que a chefe de pastelaria do restaurante é a portuguesa Carla Henriques (infelizmente não há pastéis de nata disponíveis).

Foi sem dúvida o tipo de repasto adequado à véspera do que seria um dia em cheio passado em York, mas essa é uma outra história, para um outro post.

Obrigado Simão por estas linhas… Foi sem dúvida um grande momento gastronómico e recomendo vivamente os nossos amigos em lá dar um saltinho. Apenas queria salientar um “pormenor” que diz respeito ao preço dos ditos bifes e eis o meu conselho: vão prevenidos. Para bom entendedor meia palavra basta.

Concluindo este post e após uma semana de turismo intensivo, seria presuntuoso da minha parte dizer que já conheço a cidade como o meu bolso. Nada disso... Se na minha primeira visita, eu e Londres fomos apresentados, desta vez deu para quebrar o gelo. Agora só falta conhecer-nos melhor e quem sabe o que o futuro nos reserva...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

40 Rue du Faubourg Poissonnière



Acreditam em magia?

Acredito que existem lugares mágicos em que, por motivos que nos ultrapassam, sentimo-nos estranhamente bem. Creio que todos nós conhecemos um sítio desses e esta agradável sensação. Alguns dirão que este sítio fica por baixo de uma árvore, ou no alto de uma serra, ou a beira-mar mas, no meu caso, e longe destas considerações românticas, o meu lugar mágico era bem diferente e situava-se no 40 rue du faubourg Poissonnière, em Paris.

Acredito que naquele local, e durante 35 anos, acontecia magia todos os dias. Magia quando um jovem casal Português com uma criança começou a trabalhar naquele prédio sem saber falar a língua Francesa. Magia quando, passado uns anos, se juntou mais um filho a esta família. Magia quando todos se reuniam para trocar impressões sobre o que tinha acontecido durante o dia. Magia quando os desafios da vida eram ultrapassados em conjunto…

O 40 rue du Faubourg Poissonnière foi o prédio que me viu dar os primeiros passos na vida e foi naquele lugar mágico que sempre vivi até aos meus 20 anos. Destes 20 anos, levo inúmeras e inesquecíveis recordações que fazem parte da minha História e, embora algumas delas sejam tristes, prevalecem os momentos de alegria.

Nove anos depois, chegou a vez do último adeus, das despedidas, das mensagens de apreço, dos olhos húmidos, dos abraços. Chegou o momento em que os nossos caminhos se afastam. Porém, e apesar da tristeza que me invade neste momento, fico feliz em poder dar as boas-vindas aos meus pais.

Para responder à pergunta inicial, acredito em magia mas sei que o seu segredo não reside no cenário mas sim naqueles que a fazem acontecer…